A invasão do Irão – A Europa, Trump e os partidos portugueses
A invasão do Irão – A Europa, Trump e os partidos portugueses
É
deprimente ver programas televisivos onde se confronta a opinião dos deputados
dos três únicos partidos com acesso regular aos ecrãs e compará-la com a dos
principais líderes europeus.
Os países
europeus têm posições para todos os gostos, desde a oposição frontal do PM de
Espanha à violação do direito internacional à subserviência do chanceler
alemão, que causa inveja ao lacaio de Trump, o sr. Mark Rutte. Até o RU, país
que alinhou sempre a política externa pela dos EUA, teve um lampejo de
dignidade e desagradou a Trump. Macron, apesar da bravata de deslocar ogivas
nucleares para outros países europeus, não tem a coragem de De Gaulle ou
Mitterrand. Itália, Hungria e Eslováquia são os aliados óbvios e preferidos do
presidente americano que pode não acabar o mandato.
O governo
português tomou a posição que o PS provavelmente tomaria, nem por isso honrosa,
e que mereceria alguma benevolência se não tivesse admitido participar como
observador, ao lado dos piores regimes, no Conselho da Paz de Trump, para Gaza,
cuja intenção é substituir a ONU e ser aí presidente vitalício.
Apoiar
Trump e Netanyahu na invasão do Irão não é ser solidário com os EUA onde a
maioria da população se opõe, é apoiar a aventura criminosa que viola grosseiramente
o direito internacional. Nem o facto de invocar diariamente motivos diferentes faz
vacilar os apoiantes, que esquecem as funestas invasões do Iraque e do
Afeganistão, sempre com dramáticas consequências para a Europa.
Nos três
partidos referidos, PSD, Chega e PS, é deprimente ver o alinhamento dos dois
primeiros contra o PS, acusando-o de estar, em conjunto com o BE e o PCP,
ausentes do debate, na defesa de uma teocracia tenebrosa contra duas
democracias, EUA e Israel. Do PS só pode lamentar-se a timidez na defesa do
direito internacional e a necessidade de afirmar a sua diferença em relação à
posição de Espanha.
No fundo,
o PSD e o Chega preferem apoiar um criminoso condenado pelo TPI e outro cuja
vitória eleitoral o livrou da condenação e sobre o qual pesam as piores
suspeitas, a defender a paz e o direito internacional. Nem o trágico
bombardeamento de uma escola cujo erro causou centenas de vítimas, entre mortos
e feridos, os faz vacilar.
O PSD
podia recordar-se do crime em que o seu antigo líder e PM de Portugal, Durão
Barroso, enredou o País na invasão do Iraque, mas não se espera de Montenegro
ou de Marcelo um módico de coragem para se afastarem de Trump e Netanyahu.
Da União
Europeia o mínimo que deve esperar-se é a defesa do PM espanhol contra os
humores e o arbítrio de Trump. Veremos se será solidário com um dos seus
membros ou com o seu maior inimigo, se defende os valores civilizacionais e o
direito internacional ou se pretende continuar vassala do irascível e
desequilibrado PR dos EUA.
Quanto à
infâmia do regime iraniano e à necessidade de remoção dos ignóbeis clérigos não
pode haver duas opiniões diferentes em países civilizados, mas nunca uma
ditadura caiu através de uma invasão nem uma democracia nasceu contra o direito
internacional.

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