Palácio de Belém – A mudança de inquilino

Palácio de Belém – A mudança de inquilino

Com o fim do segundo mandato presidencial secou-se a fonte de Belém no Expresso e a jornalista Ângela Silva deixará de escrever notícias sopradas pela referida fonte.

Os governos aguardarão agora a promulgação de decretos sem avisos, ameaças, reparos, emoção ou espetáculos públicos.

O Conselho de Estado não voltará a ser marcado à distância como arma de arremesso contra este e os próximos governos.

À agitação sucederá a tranquilidade, à exuberância o recato, às declarações avulsas as espaçadas conferências de imprensa, aos parágrafos a precaução.

As lojas, supermercados, pastelarias de pastéis de nata, a tasca da ginjinha do Barreiro e outros espaços comerciais deixarão de ser assaltados por microfones.

Belém perde a graça, mas os portugueses podem ser compensados com notícias do País e do mundo, com atenção aos fenómenos culturais e ponderação dos riscos que corre a Humanidade, quiçá, com notícias em que os factos substituam a propaganda.

Na pungência da despedida, Marcelo saiu de Belém sem o alvará das medalhas, sem um braço que o amparasse, sem deixar saudades. Nem o filho, Dr. Nuno, o aguardou. Partiu como merecia, sozinho, após 10 anos em palco, a criar cenários, a intrigar ou a escrever parágrafos.


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