Presidência da República: O render da guarda – 9 de março de 2026

Presidência da República: O render da guarda – 9 de março de 2026

Hoje é um dia de júbilo, mais por quem saiu de Belém do que por quem chegou.

Após vinte anos, em que o Palácio de Belém foi habitado, primeiro por um salazarista amargo, depois pelo simpático conspirador que acabou detestável e detestado, regressa como PR quem começou por ser o mais improvável dos candidatos e acabou sendo o mais promissor.

António José Seguro foi um raio de Sol que brilhou no que parecia ser uma tempestade perfeita. Foi uma escolha da direita democrática, receosa da subversão do regime pelos partidos que numerosas dissoluções do Parlamento fizeram crescer prematuramente, e de toda a esquerda, aclamado ou simplesmente desejado.

Para a esquerda foi, e é, a apólice que evitará a tentação totalitária da extrema-direita, a que o Governo não tem a capacidade nem o desejo de se opor.

Não se espera do novo PR mais do que a CRP e a sua pertença a uma social-democracia descolorida lhe exigem, e desiludam-se os revolucionários, foi exatamente o facto de ser como é que o guindou ao cargo que hoje assumiu.

Dos candidatos que foram previsíveis vencedores, todos inicialmente melhor colocados, a extrema-direita não contava só com o candidato de todas as eleições, o inefável André Ventura, tinha ainda o extremista Cotrim de Figueiredo, o Javier Milei lusitano, ansioso por fazer em Portugal o que o outro desvairado está a fazer na Argentina, com o apoio de Trump.

A direita democrática dispunha de dois candidatos, Marques Mendes e Gouveia e Melo, o primeiro a representar um perigo, não pelas suas ideias, mas pela dependência, real ou aparente, de Montenegro, fazendo temer a asfixia democrática do pouco recomendável e inescrupuloso PM.

Gouveia e Melo seria uma escolha aceitável. Não merecia, aliás, a desqualificação a que o PSD o votou, e a candidatura esvaiu-se na inexperiência política e falta de apoios.

Sendo as coisas o que são, António José Seguro teve o meu voto logo à primeira volta, não porque fosse o candidato desejado, mas por ser o único que sobrava para evitar a subversão do regime, capaz de se opor à deriva populista e reacionária que, a partir do Palácio de S. Bento e da Câmara de Lisboa, ameaçava o País.

Com António José Seguro os cravos não deixarão de florir, a História não continuará a ser reescrita e o 25 de Abril sobreviverá. Os que quiseram vingar-se terão de esperar, e a UE contará com um honesto e entusiástico europeísta.

Bem-vindo António José Seguro!    

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