José Saramago - O Luís vingou o Aníbal
O Luís vingou o Aníbal
Retirar Saramago,
o Nobel da Literatura Portuguesa, do currículo académico, não é um ato gratuito,
é o ajuste de contas com a democracia e a memória coletiva do 25 de Abril.
Vinte anos
depois da saída de Belém de Cavaco Silva, salazarista que abominava a obra de
Saramago, sem nunca ter lido uma única página, coube ao governo de Montenegro a
tentativa de agradecer ao «génio da banalidade» o apoio indefetível prodigalizado.
A substituição
de José Saramago por Mário de Carvalho, é uma manobra bem ao gosto do
dissimulado Montenegro, propor um grande escritor da mesma área ideológica para
ocultar o saneamento político que se pretende para, depois, sem ruído, afastar o
último.
Saramago continuará
a ser lido por quem ama a língua portuguesa e aprecia a literatura, mas a tentativa
de vingança está em curso perpetrada por quem se apropriou da agenda ideológica
do Chega e quer vingar Cavaco.
Algumas razões
da tentativa de lesa-literatura:
L'Osservatore
Romano, diário do Vaticano, escreveu quando B16 era Papa: “Saramago é,
ideologicamente, um comunista inveterado” e, depois da morte, ainda lhe chamou
“populista extremista” e “ideólogo antirreligioso”, epítetos azedos de um
reacionário.
O
eurodeputado do PSD, Mário David, nascido em Angola, que viveu quase sempre
fora de Portugal, declarou, após a atribuição do Nobel, que tinha vergonha de
ser compatriota do escritor e que este devia renunciar à nacionalidade
portuguesa.
O Sr.
Manuel Clemente, ex-patriarca de Lisboa, então bispo do Porto, afirmou que José
Saramago “revela uma ingenuidade confrangedora quando faz incursões bíblicas”
e, como “exigência intelectual, deveria informar-se antes de escrever”, como se
alguém o coagisse a ele, bispo, a pensar antes de falar ou a calar-se quando o
silêncio é crime, como aconteceu nos casos de pedofilia do clero da sua
diocese.
Doze
livros de José Saramago estão entre os classificados com os mais altos níveis
de interdição do Opus Dei a nível internacional, num Index de 79 obras de
autores portugueses, incluindo Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Vergílio
Ferreira, Miguel Torga, Lídia Jorge e David Mourão-Ferreira.
Sousa
Lara, subajudante de ministro de Cavaco, censurou “O Evangelho Segundo Jesus
Cristo” e opôs-se a que fosse incluído no concurso a um prémio literário
europeu. Foi a rosto do cavaquismo, intolerante, vesgo e analfabeto.
Montenegro
comporta-se como Cavaco na cultura, Durão Barroso no apoio à invasão do Irão e Santana
Lopes na governação. É a síntese do pior da direita da pior maneira.
«Bem-aventurados
os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus». (Mateus 5:3)
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