A invasão do Irão

 O testemunho de um português casado com uma iraquiana e a viver em Teerão, com o filho de ambos, apanhado na Etiópia.

“Foram dias, foram anos, a esperar por um só dia. Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía… Na esperança de um só dia.”
O Irão precisa de uma mudança. Uma revolução como a de Portugal em 1974. Basta um soldado, um capitão, um Salgueiro Maia com coragem para dizer BASTA.
Mas enquanto os líderes mundiais se divertem com a guerra, quem sofre são os inocentes. Ayatollahs, americanos, europeus e israelitas, são todos culpados. Mentem-nos em direto pela televisão, cobertos de sangue nas mãos e, no entanto, jamais se sentarão no banco dos réus.
Ao regressar do Quénia fiquei preso no Dubai. No sábado, os voos foram cancelados e instalei-me num hotel à beira do aeroporto. A meio da noite ouvi um estrondo e, no domingo de manhã, decidi partir rumo a Omã, onde o aeroporto ainda se mantinha aberto. Uma epopeia de oito horas pelo deserto que incluiu longas filas para obter o visto e, imagine-se, atravessar a fronteira a pé.
Já em Muscate, na capital do Omã, fui recebido pelos meus amigos Mandana e Amir, e passei uma noite em casa deles. De manhã ainda houve tempo para uma corrida com a Mandana. Ela é a recordista nacional da maratona no Irão e um símbolo de liberdade para milhares de pessoas. Somos amigos há anos.
Do Omã consegui um voo para Nairobi e agora outro para Adis Abeba na Etiópia, de onde finalmente, irei voar para Genebra. Uma jornada de loucos em apenas 72 horas!
Cansado? Receoso? Nada que se compare ao esforço e resiliência da minha amada Ghazal, que nas trevas de Teerão, aguenta o forte familiar. És a minha Princesa da Pérsia, o meu amor e heroína.
Obrigado a todos pelas mensagena de apoio. Obrigado também à Diana Guedes, Luka e Isabel Vitória, pelo apoio no Dubai. Por favor, não vale a pena enviar sugestões sobre o que fazer em Teerão, estamos conscientes da situação e atuar da melhor forma possível.
Que a liberdade seja a alvorada para o povo do Irão. Que a independência seja ganha de forma digna, sem a necessidade de mais bombas por parte dos donos do mundo. Que a paz seja a moeda de troca entre os povos.

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