A guerra escalou e o mundo assiste sem manifestações a favor da paz

A guerra escalou e o mundo assiste sem manifestações a favor da paz

O abismo está a chegar. Perdido o respeito pelo direito internacional e pelas instituições que o garantiam, a força é o novo direito e o direito a obsolescência só reivindicada por quem não dispõe de força.

Quando alguém, com manifestações psicóticas graves e evidentes, é obedecido nas suas extravagâncias e não tem uma oposição firme dos países democráticos, todos se tornam cúmplices dos crimes cometidos.

Não vale a pena argumentar que são despóticos os regimes dos países agredidos. Não se invade um país para o transformar em protetorado depois de sequestrar e raptar o líder, como sucedeu com a Venezuela. Não se cerca um país para o obrigar a render-se pela fome como sucede a Cuba. Não se ameaça de anexação o Canadá e a Gronelândia para aumentar a glória de um narcisista megalómano.

A invasão do Irão é a última e a mais dramática aventura em que se envolveram dois cúmplices, Netanyahu e Trump, numa guerra que já se transformou em regional e pode acabar em mundial.

Ninguém duvida da malignidade do regime iraniano, não há regimes mais perversos do que a teocracia nem código de conduta que inspire maior náusea do que a sharia, mas não é à bomba que se transforma um regime. De resto, não se vê maior malignidade no invadido do que no invasor.

Israel não pode reivindicar territórios que não lhe pertencem nem o Irão destruir Israel, mas a ONU está a ser deliberadamente ultrapassada por quem só respeita a força. Neste momento não há país mais perigoso do que os EUA.

Os países que estão longe da guerra parecem indiferentes ao sofrimento dos agredidos. Podem morrer milhões de pessoas, exaurir-se os recursos do Planeta e comprometer-se o futuro da Humanidade, só acordam no dia em que o gás faltar ou o barril de petróleo subir exponencialmente.

Não sei porquê, incomoda-me ouvir orações em contexto de guerra. Nos EUA, Trump mobilizou hoje um clérigo para rezar antes de atribuir veneras a três soldados enquanto os seus aviões matam milhares de pessoas e o mundo esquece o abominável escândalo que o fere, adormecido nos ficheiros Epstein.

A Operação Fúria Épica é um crime perpetrado por dois terroristas, um condenado pelo TPI e outro que só demostrou fúria épica no enriquecimento seu e dos familiares e nas orgias com jovens traficadas, humilhadas e sequestradas.

Até quando deixaremos à solta Netanyahu e Trump?

Comentários

JA disse…
Cada vez mais me convenço de que só sairemos dos dilemas em que nos encontramos, só haverá paz, se percebermos que as democracias ocidentais já não existem, são uma ficção em que gostamos de acreditar. De facto, somos conduzidos por forças e bonecos que já nem disfarçam o seu desamor pela vontade popular! Quando assim for, seremos capazes de trilhar novos caminhos, sem vassalagens!
Não podemos deixar-nos vencer pelo desânimo. As democracias, por mais imperfeitas que sejam, merecem ser defendidas e melhoradas.
JA disse…
E se "as democracias" já o não forem, se não passarem de uma abstração, o que fazer? Os EUA são uma democracia, com imperfeições? O professor Jeffrey Sachs, a propósito da agressão ao Irão, disse que "nos Estados Unidos existe um regime inconstitucional governado por uma pequena camarilha..." (do blog Estátua de Sal de 1.03.2026). Valerá a pena "defender" ou "melhorar" tal democracia? Ou será mais proveitoso tomar consciência de que, a coberto dessa bela ideia, andamos a ser enganados? No meu modesto entender, não chegaremos a bom porto, partindo de bases erradas, de ilusões. A mim, interessa-me regressar ao espírito do 25 de Abril, hoje tão atraiçoado (não pelos fascitas, evidentemente) e tão pouco defendido.

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