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Debate civilizado

Escola Prof. Doutor Ferrer Correia – Debate com o padre Nuno Santos Referida a impossibilidade teórica de o ateísmo ser uma crença, tal como não jogar futebol não ser desporto, o debate foi um exemplo de moderação e respeito mútuo, com o padre Nuno a manifestar a sua crença e eu, que não distingo a água benta da outra, a dizer que a descrença não depende de um ato da vontade. É fácil num ambiente circunscrito concordar em objetivos comuns, com um único ponto de discórdia, o clérigo, doutorando em Teologia, a afirmar que se trata de uma ciência e o ateu a negar tal qualidade por lhe faltar o método e o objeto. Foram duas horas cordiais, sem azedume ou ofensas, com a minguada plateia a aceitar opiniões divergentes. Sobrou em urbanidade o que faltou em picardia. O padre aceitou o facto de as religiões serem, ou terem sido, detonadoras de violências, tal como o ateu se referiu a violências de regimes ateus por razões políticas. Ambos concordámos que a laicidade é um fator de liberd...

A falar é que a gente se entende...

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O fundamentalismo anda aí...

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Os crentes e a tolerância

O aparecimento de crentes tolerantes vai-se tornando uma constante a que urge estar atento. É um fenómeno das sociedades democráticas onde a secularização exerce a sua pedagogia. A religião não faz ninguém bom, mas não estraga todos por igual. Os livros sagrados refletem a violência da época e a idiossincrasia de quem os escreveu, mas são poucos os crentes que os leem e menos os que os levam a sério. A verdade revelada dos quatro livros escolhidos no consulado de Constantino teve mais a ver com os interesses do Império Romano do que com as necessidades espirituais do Imperador. Esses livros, evangelhos, refletiam interesses políticos que se tornaram determinantes para a organização política da ICAR e a conquista do poder temporal que logrou. Outro tanto aconteceu com a Tora, primeiro, e o Alcorão, depois. Curiosamente, ainda hoje a ICAR vai buscar aos evangelhos que ela própria declarou apócrifos factos e personagens a que atribui valor canónico. É o caso de Ana e Joaquim, acoimado...

Do Pogrom de Lisboa à violência islâmica de hoje

Abril era mês e 19 dia, de um domingo do ano 1506 da era vulgar. Reinava el- rei D. Manuel I e no convento de S. Domingos, em Lisboa, rezava-se com fervor pelo fim da seca, da fome e da peste. Um crente, embrutecido pela fé e, certamente, pelo clero,  viu no altar o rosto iluminado de Cristo, milagre que os devotos julgaram de bom augúrio. Um cristão-novo, a quem a astenia da fé não estiolara a razão, tentou explicar o prodígio com o reflexo da luz mas, calado pela multidão, foi espancado até a morte. Em Portugal, nove anos depois da conversão forçada, os judeus ainda eram os suspeitos habituais da heresia que incitava a vingança divina, aplacada com a morte dos hereges, acusados de deicídio e de todos os males. Com a corte em Abrantes, para fugir à peste, a populaça, instigada por dominicanos que prometiam a absolvição, a quem matasse hereges, fez a «Matança da Páscoa». Homens, mulheres e crianças foram chacinados e queimados em fogueiras improvisadas, junto ao largo de S...

Brasil a ferro e fogo…

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Dilma Roussef atravessa um período crucial do seu mandato. Eleita há poucos meses para um 2º. mandato viu o Brasil emergente mergulhar num crescimento negativo em 2014 e enfrenta perspectivas de em 2015 voltar a suceder o mesmo. De pouco lhe vale o facto das economias dos países emergentes (BRIC’s) estarem - no seu conjunto - a arrefecer debaixo da pressão da queda do preço do petróleo e das commodities.  Na verdade, foram colocados pelas super-potências no olho de um novo furacão financeiro a que não será indiferente a valorização do dólar e o consequente disparar da espiral inflacionista em terras de Sta. Cruz.   Entretanto, o escândalo da corrupção na Petrobrás, a maior empresa do Brasil, que vem sendo saqueada há longos anos, ensombra ainda mais as perspectivas de futuro. A gigantesca dívida da holding brasileira a par de gestões ruinosas e da corrupção sistémica poderá empurrar o Brasil para uma recessão profunda e duradoura. Dilma foi eleita numa segunda...

As gralhas e a imprensa

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Só quem não escreve está ao abrigo das nódoas que escorrem para o mais fino bragal da prosa, e só quem não lê escapa a tropeçar nelas. Não me refiro às derrapagens da sintaxe e à prevaricação ortográfica da nossa iliteracia, recordo as gralhas que perpetuam a glória de uma marca de colchões ou a que provocou a apreensão do Primeiro de Janeiro, quando em caixa alta, em 1963, ocupando todas as colunas da primeira página, quis anunciar que «Reuniu ontem a Assembleia Nacional para apreciar as contas gerais do Estado relativas ao ano findo» e a falta de uma letra transformou a notícia sobre o parlamento fantoche em manancial de humor nacional. Eça escreveu uma crónica saborosíssima sobre uma partida feita ao Times onde a prosa circunspeta do diário londrino foi trocada por uma enxurrada de obscenidades que uma loura criancinha lia, na sua inocência, ao avô, major reformado de Sua Alteza Real. O que se adivinha, na descrição de Eça, deixa a perder de vista as gralhas atribuídas ao Diár...

A fé é que os salva

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No aniversário da morte de um herói

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Agências de rating

A Fitch, a Standard & Poor’s e a Moody’s, são as agências especializadas em terrorismo financeiro através das notas com que avaliam a solvabilidade das empresas e Estados. O veredicto chama-se ‘rating’, no jargão financeiro. Carlos Moedas, então escudeiro de Relvas e Marco António, adivinhou que um governo de direita faria subir o rating quando a direita fosse governo. A urgência de recapitalizar bancos alemães e franceses, na sequência da falência do Lemon Brothers, e a ausência de medidas que travassem a escalada dos juros, colocaram a Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha numa situação desesperada. A Espanha teve o bom senso de recusar a troica e a direita portuguesa, com a pressa de confiscar o pote [palavra sua], preferiu o poder aos interesses do País. As agências terroristas, sem olhar aos amigos, mal o PSD e o CDS formaram Governo, declararam lixo a dívida portuguesa e reiteraram recentemente o diagnóstico terrorista. Carlos Moedas, foi receber os trinta dinheiros de co...

Manoel de Oliveira (1908-2015)

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A unanimidade à volta da obra após o desaparecimento de Manoel Oliveira é manifestamente artificial e protocolar. Na verdade, o realizador cinematográfico produziu uma extensa e diversificada obra filmográfica, com aspectos marcadamente polémicos e, tal característica, dividiu os espectadores e os cinéfilos.  Esta concreta situação que a morte do cineasta alimenta e exacerba não é antagónica do reconhecimento da grandeza da sua obra, nem obscurece o seu contributo para a história do cinema em Portugal e, quiçá, no Mundo. Já foi assim com César Monteiro e Manoel de Oliveira segue esse rumo por caminhos diferentes e por motivações estéticas divergentes. Os filmes realizados por Manoel de Oliveira com o estilo característico de uma variante de ‘ teatro filmado ’, impregnados de uma grande densidade cénica e o uso criterioso da ‘palavra’  (declamada ou cantada), funcionaram como suporte de um peculiar ‘discurso fílmico’ que marcam a identidade deste grande e ...

A TOLICE

Silva Lopes teve "a felicidade de partilhar este momento com Manoel de Oliveira", afirma Aguiar-Branco Quando confrontado com a morte de Silva Lopes, José Pedro Aguiar Branco afirmou que Silva Lopes teve a felicidade de partilhar este momento com Manoel Oliveira e destacou o economista como figura de relevo na política e economia do país.

...mas as crianças, Senhor!

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Criança ‘rende-se’ ao confundir uma câmara com uma arma Uma fotojornalista partilhou, no Twitter, uma imagem tirada na Síria, onde se vê uma menina com os braços levantados, como se estivesse a render-se, depois de ter confundido a máquina fotográfica com uma arma.

Uma Europa à beira do abismo…

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O impasse das negociações entre o Governo grego e o Eurogrupo atinge proporções dramáticas link . A Grécia está à beira da bancarrota. Para compreendermos o drama envolvente será necessário ter em conta que o novo governo grego não tem intenção de abandonar a Euro Zona. E deste modo o clube de países europeus que adoptaram o euro como moeda comum está, também, à beira de um incumprimento,  não 'descartável' da Europa enquanto entidade política, económica, financeira e social. O primeiro problema é: em que medida o incumprimento de um dos seus membros, tem um impacto sistémico e afectará a generalidade do citado 'clube'? O segundo problema diz respeito aos regimes democráticos que moldam a Europa e são uma condição fundamental ( sine qua non ) para a inclusão no 'espaço europeu'. Em que medida ‘compromissos’ assumidos por anteriores governos - tomadas à revelia dos procedimentos democráticos e do escrutínio dos eleitores - podem irrevogavelmente co...

Como me sinto bem na pele de social-democrata…

Quando vejo a comunicação social apodar de socialistas cidadãos de direita que um dia usaram o PS na sua promoção, como António Barreto, Henrique Neto, Medina Carreira ou Luís Amado, por exemplo, entendo que haja quem me julgue esquerdista. Quando vejo o PS a encarar como seus Álvaro Beleza [socialista liberal, uma espécie de vegetariano que almoça leitão à Bairrada e janta chanfana] ou os dois últimos líderes da UGT, João Proença e Carlos Silva, que ninguém me dissuade de que foram infiltrações do PCP para destruírem a central sindical, não me admira que me considerem leninista. Quando temos um partido, denominado social-democrata, confiscado por um bando de neoliberais, geralmente inaptos, mas obstinados e eficientes a destruírem o que resta do Estado social, era natural que eu próprio duvidasse das minhas convicções. Quando um partido assume ser do Centro Democrático [e Social!], situando-se na franja mais à direita do eleitorado, tão à direita que, por salubridade, chegou a s...

Divirtam-se caros leitores

Texto de autor desconhecido enviado por um amigo "Tenho andado preocupado com esta situação do Bes/Ges e as acusações dos lesados de que desconheciam o que estavam a comprar. Ora bem, estive a ouvir com toda a atenção Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Costa do BP , CMVM, etc, etc, e sinceramente fiquei esclarecido. Fiquei a saber que houve uma take over sobre a PT, o que provocou um dawnsizing na empresa e impediu o advanced freight. Sendo assim, o asset allocation baseado num appraial report, que é o allotment indicado, provocou um average price muito baixo, reduzindo os back to back ao mínimo. Ora, o bid price provocou um dumping e uma floating rate incomportável com o funding previsto pelos supervisores. Deixou, pois de existir uma verdadeira hedge, o que levou ao levantamento de hard cash em grande quantidade. Se considerarmos que o ICVM , ao fim do período estava a deteriorar-se e os pay-out continuavam a baixar, a única solução seria o payabre to the bearer de eventuais inco...

Madeira:

Comprometida a transparência do processo eleitoral pelas trapalhadas surgidas, há um cheiro que fica no ar, uma espécie de regresso ao passado de onde a Região Autónoma nunca saiu. O domínio do aparelho político e administrativo da RA é a herança que fica do último sátrapa, a ensombrar o futuro, onde 6 mil milhões de euros de dívida e a contabilidade nebulosa permanecem como metáfora de um partido à solta e de um território português confiscado partidariamente.

O que Portugal deve a este Governo

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Barreto Xavier: gato escondido com rabo de fora…

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O Governo está prestes a completar 4 anos de exercício de funções.  Barreto Xavier , secretário de Estado da Cultura, andou a passear-se pelos corredores do poder e dá a sensação que se entreteve a despachar à toa (como no mediático caso da venda dos quadros de Miró). A poucas semanas de acabar o mandato, num Forum a decorre no CCB, lança um intrigante desafio: “ Durante três dias, artistas, governantes, pensadores e especialistas nas áreas da política, religião, economia, entre outras, vão debater o papel da cultura na sociedade portuguesa ” link . O comentário que esta afirmação suscita é o seguinte: os portugueses julgavam que o governante para a cultura saberia ab initio qual era esse papel. Em caso de dúvida, de dificuldade de compreensão ou incapacidade de apreensão sobre esse papel seria de esperar que não tivesse aceitado exercer esse cargo. Será difícil compreender que o desejo manifestado pelo secretário de Estado não seja uma peça da campanha eleitoral...

Notas Soltas - março de 2015

Segurança Social – A dívida de Passos Coelho, criada entre os anos de 1999 e 2004, já prescrita, era sua conhecida e só foi liquidada por ter sido noticiada. Pagou a dívida mas a nódoa permanece no PM que é um clamoroso erro de casting. Rússia – O assassinato do opositor russo Boris Nemtsov foi a dádiva que os adversários de Putin esperavam. É preciso ser muito imaginativo para pensar que Putin tivesse nesse assassinato tanto interesse quanto os igualmente pouco recomendáveis inimigos. P. R. – A delinquência fiscal do primeiro-ministro, agravada pelas declarações públicas, tornou intolerável a sua permanência no cargo. A gravidade da situação exigia que o PR dissolvesse a A.R. mas, na sua colagem ao Governo, só viu, na nódoa, «odor eleitoral». Estado Islâmico – A demência sectária alastra como mancha de óleo, do Iraque à Líbia, da Nigéria ao Iémen, com raízes no petróleo, numa mistura de fé e tribalismo, excitados por invasões de modernos cruzados e pela crueldade atávi...