PSD e CDS: a direita-que-temos
O PSD tem a obsessão de cuidar da Pátria. É tal o empenho que impôs dois primeiros-ministros que os portugueses não esquecerão tão cedo. Quando julgávamos que Durão Barroso era um pesadelo que partira, o PSD foi mais longe na insensatez e não hesitou em largar S. Bento nas mãos de Santana Lopes.
É verdade que em 2000, dos lados de Boliqueime, desolados com a oposição de Durão Barroso ao PS, quiseram substituí-lo por António Borges, a quem atribuíram todas as virtudes. Até inventaram ao bem-aventurado um milagre que o salvou de uma viagem aérea sem sobreviventes. Os portugueses ignoraram a graça e o miraculado que regressa agora, igualmente desconhecido e sem experiência política.
O PSD é assim, sempre à espera de um D. Sebastião, rei-menino, doente, incapaz e piedoso, violado pelo confessor jesuíta. Aliás, o drama da direita portuguesa é ter uma tradição salazarista e miguelista. Falta-lhe passado de luta pela liberdade. Não ostenta medalhas na defesa da democracia.
Na Europa, parte da direita lutou contra o nazismo e o fascismo e tornou-se respeitada. A que colaborou foi julgada e condenada. É por isso que Hitler, Mussolini e Pétain acabaram mal. E, assim, a Europa produziu conservadores democratas. Entre outros, De Gaulle, Churchill, Adenauer e Helmut Koll foram estrelas que brilharam no firmamento político europeu. Os ditadores ibéricos eternizaram-se no poder, sem julgamento nem contestação, com a cumplicidade e devoção que a direita lhes prodigalizou.
Portugal não tem democratas de direita convictos e respeitados. O melhor que produziu foi Cavaco. Sá Carneiro não era de direita, queria integrar a Internacional Socialista. Freitas do Amaral, que podia ter sido a glória dos conservadores, mudou-se por questão de assepsia. A direita portuguesa não tem genuína vergonha do passado e hesita entre a nostalgia e a coragem de romper. Enquanto não exorcizar os fantasmas terá tendência a assimilar o autoritarismo caceteiro e troglodita que brota das bandas do CDS.
É verdade que em 2000, dos lados de Boliqueime, desolados com a oposição de Durão Barroso ao PS, quiseram substituí-lo por António Borges, a quem atribuíram todas as virtudes. Até inventaram ao bem-aventurado um milagre que o salvou de uma viagem aérea sem sobreviventes. Os portugueses ignoraram a graça e o miraculado que regressa agora, igualmente desconhecido e sem experiência política.
O PSD é assim, sempre à espera de um D. Sebastião, rei-menino, doente, incapaz e piedoso, violado pelo confessor jesuíta. Aliás, o drama da direita portuguesa é ter uma tradição salazarista e miguelista. Falta-lhe passado de luta pela liberdade. Não ostenta medalhas na defesa da democracia.
Na Europa, parte da direita lutou contra o nazismo e o fascismo e tornou-se respeitada. A que colaborou foi julgada e condenada. É por isso que Hitler, Mussolini e Pétain acabaram mal. E, assim, a Europa produziu conservadores democratas. Entre outros, De Gaulle, Churchill, Adenauer e Helmut Koll foram estrelas que brilharam no firmamento político europeu. Os ditadores ibéricos eternizaram-se no poder, sem julgamento nem contestação, com a cumplicidade e devoção que a direita lhes prodigalizou.
Portugal não tem democratas de direita convictos e respeitados. O melhor que produziu foi Cavaco. Sá Carneiro não era de direita, queria integrar a Internacional Socialista. Freitas do Amaral, que podia ter sido a glória dos conservadores, mudou-se por questão de assepsia. A direita portuguesa não tem genuína vergonha do passado e hesita entre a nostalgia e a coragem de romper. Enquanto não exorcizar os fantasmas terá tendência a assimilar o autoritarismo caceteiro e troglodita que brota das bandas do CDS.
Comentários
Da maneira que bate no ceguinho lá se vai a esperança.
A «refundação» da Direita é mesmo um bico de obra...