Causa Real – sem rei nem roque. Viva a República

A História da I República é uma ficção – dizem os monárquicos – desconhecedores de que o pesadelo da agonizante monarquia tornou a República uma exigência ética e política.

Os súbditos da coroa não vêem o que Portugal deve à I República. Quase um século depois, ainda andam despeitados os órfãos de um rei sem descendência, ressentidos com a República que legislou – e bem – sobre o divórcio, a separação Igreja/Estado, o registo civil obrigatório e 5 anos de ensino obrigatório que a ditadura (apoiada por monárquicos) reduziu a quatro para o sexo masculino e a três para o feminino.

Os monárquicos merecem a simpatia que as espécies em vias de extinção despertam nas pessoas com sentido ecológico, mas o trono de Portugal extinguiu-se naturalmente por falta de monárquicos, primeiro, e de rei, depois, com a morte de D. Manuel II, sem descendentes.

A manobra do sinistro ditador de Santa Comba, ao importar um austríaco a quem deu a nacionalidade portuguesa não surtiu efeito. O Sr. Duarte Nuno seria descendente de um trauliteiro de nome Miguel cuja Capitulação de Évora Monte, benevolamente referida como «Convenção», o incapacitou a ele e aos seus descendentes de cometer mais crimes de lesa-pátria. O seu nome cunhou um humilhante e tenebroso substantivo – miguelismo.

Mas o mais interessante seria provar a linhagem através do ADN, assunto que não tem interesse para a História mas é picante como historia. Mexer no passado de Carlota Joaquina, de quem D. Miguel era filho, era uma viagem através dos moços de estrebaria e numerosos vassalos obrigados a ceder à ninfomania de uma das mulheres mais feias do seu tempo e de quem o augusto marido desistira anos antes do nascimento.

D. Miguel I* foi seguramente da família Bourbon mas, jamais, da família Bragança. Os que se reclamam de tal ascendência, podem aspirar ao trono de Espanha mas nunca ao de Portugal, ainda que o houvesse.

* Nome completo: Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon. (Parecia um catálogo de nomes para inspirar os padrinhos).

Comentários

e-pá! disse…
Portanto, como já pressentíamos acabamos em Alcácer-el-Quibir.
O sangue lá derramado, lá estará, ressequido pelo sol abrasador que tudo ataca (ADN inclusivé).
Logo, pedir exames de ADN só tem a vez com verificação de paternidades, não de linhagens ou episódios de cortesão.

Daí para cá, temos vivdo o mito do sebastianismo e outras desgraças ... mesmo depois de muitas manhãs de nevoeiro...

Mas os dias felizes, gloriosos, mesmo depois de enterrada a Monarquia, a I República, o Estado Novo e os tempos actuais, tardam... e desesperam.

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