Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
A rede de Cuidados Continuados Integrados não é propriamente uma "reforma".
Muito menos estrutural.
Esta rede tornou-se imprescindível, i. e., deu os primeiros passos na área oncológica, sob os auspícios da Liga Portuguesa Contra o Cancro, para acompanhamento dos doentes que necessitavam de fazer tratamentos complementares à cirurgia (radioterapia, quimioterapia, etc.).
Mais tarde, estas necessidades estenderam-se a outros utentes do SNS, devido ao aumento da esperança de vida, aos idosos que tendo sofrido intervenções no âmbito médico ou cirúrgico, necessitavam de um período de convalescencia mais ou menos demoderado.
Antes de ser uma reforma, é uma das resposta organizada aos problemas que a longevidade acarreta e, também, às exigencias de eficiência dos Hospitais (entretanto empresializados) que estão estruturados para tratarem doentes em fase aguda.
Por outro lado, as famílias lutavam com imensas dificuldades para lidar com essas convalescenças, muito vezes longas, outras irreversíveis.
Enfim, uma longa história que acaba por integrar Hospitais, Cuidados de Saúde Primários e os diferentes prestadores destes cuidados.
O Estado de certo modo demitiu-se desta prestação.
Maioritariamente, entregou-a ao Sector Social da Saúde (IPSS e Misericórdias).
Tem sido, na execução do Plano Nacional de Saúde, uma das intervenções com êxito e de inegável valor no aspecto sanitário.
Em termos de política de saúde e na área social podemos considerar a construção desta rede a jóia da coroa deste Governo.
Sócrates louvou - quase a título póstumo - Correia de Campos pelo lançamento desta rede , mas na verdade, a grande obreira deste trabalho - verdade seja dita - tem sido a Drª. Inês Guerreiro.