Ninguém é insensível à dor e ao luto dos que perderam os entes queridos, no inferno dos fogos, e os haveres na voragem das chamas, mas há abutres que continuam atraídos pelo odor dos cadáveres e exploração dos sentimentos, sem respeito pelos defuntos.
Curiosamente, ninguém pergunta aos autarcas o que fizeram para prevenir incêndios e o que falhou nos planos de proteção civil, que lhes cabia elaborar e executar; ignora-se a EDP, cujos fios de alta tensão atearam fogos; esquecem-se incendiários que a PJ filmou em flagrante; isentam-se os donos das matas das obrigações de limpeza. Há quem ganhe com a desgraça e capitalize danos, enquanto a direita procura incinerar o Governo nos fogos que espevita.
Deixemos repousar os mortos e as famílias fazerem o luto, que as filmagens impedem e a oportunidade de aparecer na televisão, com o PR, dificulta.
É altura de saber por que motivo não há quem peça a um juiz que permita o acesso aos seguros dos que os tinham; se há forma de punir quem, tendo s…
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Há alguns meses chamou o seu núncio apostólico (embaixador) na Irlanda como inusitada reacção às fundadas e justas críticas que o Governo irlandês – responsável pela administração da Justiça - teceu sobre o comportamento obstrutivo da ICAR relativo às investigações sobre abusos sexuais envolvendo clérigos católicos. Certamente que não esperava que essa afronta diplomática fosse inconsequente.
O Vaticano não consegue separar as relações entre Estados, regidas por convénios internacionais e códigos de reciprocidade, e o desejo de pretensos tratamentos de favor ou de excepção concebidos à sombra de arcaicos conceitos "nações tradicionalmente católicas". Logo, no seu julgamento de Estado teocrático, submissas. Todavia, este novo ciclo de tensões entre a Igreja e os Estados parece, sob o papado de Bento XVI, regressar ao espírito “ultramontano” que vigorou nos séc. XVII e XVIII e foi irremediavelmente apeado pela Revolução Francesa.
Mas a decisão irlandesa de fechar a sua embaixada no Vaticano não causaria tanta mossa se não existisse o receio de despoletar “contágios”. E aí (na possibilidade de contágio) é que existe uma relação entre a extinta jurisdição universal e os Estados modernos, democráticos e laicos.
O espúrio renascimento de um “entendimento exaltado” à volta de uma "autoridade papal" no terreno secular (que deverá ensombrar o pensamento de Ratzinger) não só é uma aberração histórica e política como um incontornável estorvo às (boas) relações entre o Vaticano e os Estados.
E haverá uns talibãs que vão mandar as nossas garotas para a praia vestidas de burka.
Com fé ou sem fé, vamos ter criar "cruzadas" para uma baita de uma luta que não se sabe como vai ser o fim.