FADO: Património Cultural Imaterial da Humanidade!

O fado já é património mundial… link




O Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou hoje o Fado Património Cultural imaterial da Humanidade.

É uma distinção que nos honra e, para além disso, o reconhecimento da criatividade lusa na esfera cultural que se mostrou capaz de transformar uma canção urbana numa obra universal.
É um género musical que chega até ao presente valorizado graças ao empenho, a criatividade e a génio de muitos dos seus intérpretes: músicos e compositores; dos seus poetas (populares ou eruditos), dos estudiosos e de uma incontestada adesão (paixão) popular.

Refira-se, entre parêntesis, que estas características suscitaram, ao longo da nossa história, algumas tentativas de aproveitamento político, nomeadamente, devido a uma intensa identificação popular com este género musical.

Foi polémica (e continua sendo) a relação do Fado com o Estado Novo.
Na verdade, o salazarismo usou o Fado como símbolo de um reportório oficial nacional, embora dificilmente se possa considerá-lo com a dimensão de uma típica ferramenta propagandística (no interior e exterior). A questão dos 3 F’s (Fado, Fátima e Futebol) não é, culturalmente, descabida. E esta trilogia terá sido, antes, mais um instrumento de alienação (política) que a profunda dimensão musical, a qualidade dos intérpretes (não vou salientar algum) e dos seus poetas, acabou por prevalecer perante "vontades" (desejos) de manipulação e aproveitamento.

Uma discutível associação entre o Fado (de origem lisboeta, com um esplendor oitocentista, romântico, boémio, "vadio", etc) e o “nacional-cançonetismo” (com a elegia ao “pobre, mas honrado” e da “casa portuguesa, com certeza” exacerbado e propagandeado na 2ª. metade do séc. XX pelo Estado Novo/SNI) poderá ter gerado alguns equívocos…

Bem. Hoje é dia de júbilo e o relevante é que, apesar de sermos um País periférico fustigado por uma intempestiva crise económica, financeira e social que, obviamente, terá profundos reflexos culturais, temos uma “marca” identitária musical a defender e que podemos, com orgulho e dignidade, exibir aos portugueses e ao Mundo.

Comentários

JACRA disse…
Seremos Nós, enquanto País, que moldamos o Fado, ou, será o Fado que nos molda, enquanto País?
JACRA disse…
Agradeço comentários a esta pura questão.
e-pá! disse…
Em meu entender, nós - enquanto País - moldámos o Fado.
Mas, apesar dessa convicção, os Países tem ao longo da sua trajectória histórica regimes políticos e governos...
Uma das características dos governos ditatoriais é o "dirigismo cultural" que sendo um instrumento de "moldagem" será, também, de propaganda...

Um só exemplo (parcelar):
Quem viveu nesses tempos com certeza que se lembra da FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) e dos inefáveis "serões para trabalhadores" onde pontificava a Maria Pereira...emprestando todo o populismo a vários tipos de "música popular urbana" (onde se deve incluir o fado).

Todavia, hoje, não será o dia azado para ajustar contas com a história centenária do Fado, um incontornável promotor e agregador da nossa identidade cultural (primeiro, alfacinha, depois, de todo o Portugal). E a partir de hoja a ser projectado para o Mundo.
O fado é património mundial. É um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo. Tal como no fado, também na economia e no turismo só quem tem unhas é que toca guitarra.“
SAUDADE

Saudade,uma palavra portuguesa,
que exprime emoção e nostalgia,
num misto de alegria e tristeza,
e que gerou o Fado,num certo dia.

Saudade dos montes e do Mar,
saudade de amigos e parentes,
saudade para nós ausentes,
e distanciados do pátrio lar.

Saudade carregada de emoção,
que nos faz chorar de alegria,
que nos dá esperança no dia-a-dia,
ainda que seja,da vida,uma ilusão.

Saudades quem as não tem?
Ainda que nos pesem na lembrança,
elas alimentam ainda a esperança,
de um dia regressar à Pátria-Mãe.

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