13 de outubro – o milagre de Fátima

Quando em 13 de maio de 1917 a Lúcia, o Francisco e a Jacinta viram “…uma senhora mais branca do que o Sol” a saltitar numa azinheira de 1 metro e pouco de altura, já os três eram reincidentes em visões.

No ano anterior tinham visto 3 vezes um anjo, certamente o mesmo, repetido, algo que se aceita na população celeste, mas é de todo inverosímil na fauna do planeta Terra.

Quanto à senhora das ‘visões’, posteriormente convertidas em ‘aparições’, por vontade da hierarquia religiosa e necessidades do negócio, deslocou-se à Cova da Iria nos cinco meses seguintes, sempre no dia 13, o que faz supor que a agenda tinha apenas aquele dia destinado às crianças, a quem afirmou ser a “Nossa Senhora do Rosário”, o heterónimo adequado à tarefa de que as incumbiu.

Lúcia via, ouvia e falava com a ‘aparição’, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, e não a ouvia. Este é o milagre então obrado, a mentira pia das sotainas que não tiveram pejo de instruir crianças alucinadas pelo catecismo e aterrorizadas com o Inferno.

Só 18 anos depois, em 1935, a Lúcia começou a redigir as memórias que os padres lhe ditaram depois de a diocese ter comprado os terrenos rústicos para os transformar num lucrativo santuário e respetivo complexo hoteleiro.

Onde as cabras pastavam, depois de ter sido anjódromo, e de uma azinheira se tornar o local de aterragem da “Nossa Senhora do Rosário”, foi o local privilegiado da bailação do Sol e é hoje o mais lucrativo destino do turismo pio.

Não me surpreende quem promove o negócio, mas compadeço-me de quem o alimenta, do sofrimento de quem castiga o corpo e acalenta a esperança de improváveis milagres.

O negócio da fé começou por ser ali uma trincheira contra a República, depois contra o comunismo, para se tornar uma lucrativa exploração da superstição e um embuste que o Papa, os bispos e os padres perpetuam, agora contra o ateísmo, depois da implosão da URSS.

Num país atrasado, o fenómeno de Fátima ameaça recrudescer com o medo, esse real, dos desvarios que o mundo vive.

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