Vaticano

A Igreja católica continua a preferir a inumação dos mortos à cremação, mas consente a última (vai longe o tempo em que a Santa Inquisição só a usava para os vivos).  No entanto, aceitando a cremação, proíbe que as cinzas sejam espalhadas, divididas por familiares ou conservadas em casa.

O documento, que consagra a doutrina da ICAR, foi redigido pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício) e assinado pelo Papa Francisco que, com esta proibição pretende evitar qualquer “mal-entendido panteísta, naturalista ou niilista).

Fica agora determinado que «não se permite a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou em qualquer outra forma, ou a conversão das cinzas em recordações» – lê-se no El País, de hoje.

Comentários

Agostinho disse…
De quem são as cinzas, reduzido o defunto às ditas? Há aqui um problema da propriedade para disputa em tribunal?!...Terão os familiares que pagar alguma bula? E os desalmados ficarão interditos pura e simplesmente ...
Temos à porta o dia de todos os santos e, a seguir, o dia dos fiéis defuntos. Terá sido essa a razão da saída desta determinação do Vaticano?
e-pá! disse…
Todo este arrazoado da Igreja acerca das pompas fúnebres, 'produzido' pelo perfeito do ex-Tribunal do Santo Ofício, fazem recordar o episódio da morte de Sócrates (...o cidadão grego).
Antes de tomar a dose de cicuta o filósofo teve oportunidade de 'esclarecer' um dos desolados discípulos encarregue de o sepultar. Fez-lhe notar não iria sepultar o seu 'mestre', mas apenas 'um' corpo.
Brilhante desmistificação da morte.

De resto, seria oportuno perguntar onde jazem as cinzas de tantos homens e mulheres carbonizados nas fogueiras do Santo Ofício?
Segundo reza a História, em Coimbra, as cinzas de muitos desses 'infiéis' (a exterminar pela vontade de deus) devem jazer no leito do rio Mondego (ao que se depreende do texto do Vaticano um local que agora está interdito como 'sepultável'). Era aí que se erguiam algumas das fogueiras na calmaria estival do burgo com o intuito de aproveitar a 'aragem' que corria rio acima proveniente do mar (Figueira da Foz). Com o auxílio da brisa marítima os autos de fé estavam garantidos e o crime consumado.
Hoje, no texto canónico emitido, o mar tornou-se um sítio a evitar...
Bem vamos continuar a cantar 'mares nunca dantes navegados'.
Enquanto a ICAR continuar a ladear, a fugir com o rabo à seringa da realidade e da vida, não encontra a saída do labirinto.
Nem para esse, nem para outros problemas.
Mas desde que disponham do mealheiro de Fátima, os purpurados do sapatinho vermelho já ficam sossegados.
Julio disse…
São uns cínicos de merda, com tantas relíquias a render juros dentro da seita há centenas de anos, incluindo fósseis de ossos de santos e outras peças dos mortos!!

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