As religiões e o terrorismo

“Ó Profeta! Combate os descrentes e os hipócritas! Sê implacável com eles. E a sua morada é o Inferno – e que péssimo destino!” (Alcorão 9:73)

Há entre as crenças, religiosas, políticas e outras, uma ligação direta com a ação, e não se percebe a complacência de que gozam as crenças religiosas relativamente às outras. Não vejo que o nazismo, por exemplo, goze de igual benevolência.

Não é perigoso que se acredite que “Maomé ascendeu ao Céu num cavalo alado” ou que Cristo se tivesse adiantado, de forma incógnita, para o local geograficamente indefinido, mas foi catastrófico para os índios da América que os cristãos se sentissem obrigados a evangelizá-los, como é hoje, para europeus, a exigência islâmica da conversão universal ao profeta amoral e analfabeto com que os intoxicaram.

Ontem, no primeiro aniversário dos atentados que levaram o terror a Bruxelas, mais um atentado em Londres se juntou aos de 7 de julho de 2004, nos transportes, 30 de junho de 2007, com um jipe carregado de bilhas de gás em Glasgow (Escócia) e ao assassinato de um soldado por dois terroristas islâmicos, em 22 de maio de 2013.

Hoje, um homem foi detido na Bélgica ao tentar atropelar a multidão que percorria uma rua de lojas e empresas frequentada por milhares de pessoas em Antuérpia.

Paris parece hoje uma cidade em estado de sítio como, aliás, outras cidades europeias, e nos aeroportos sentimo-nos suspeitos ao sermos devassados, por precaução, depondo a liberdade no altar do medo.

Não podemos ser metódica e regularmente submetidos ao terror, vítimas da insegurança continuada e progressiva.

Os camicases japoneses acabaram depois de secarem as fontes de financiamento e de o deus por quem morriam (imperador) ter sido obrigado a negar a divindade própria, pelo general MacArthur. Mas era, e é, um deus real, talvez algo surreal.

É difícil obrigar um deus, de paradeiro ignorado, a negar-se, mas é urgente combater os seus desejos perversos e, sobretudo, secar as fontes de financiamento dos seus sequazes e reprimir os seus pregadores.

Bastava a crença no versículo supracitado para levar os crentes aos maiores desatinos. E permite-se aos pregadores continuarem a recitar centenas de versículos de igual jaez!

Até quando?

Comentários

e-pá! disse…
"Secar o terrorismo" não será só anular as suas fontes de financiamento e reprimir os seus 'sacerdotes'.

Quando olhamos para a Arábia Saudita percebemos isso e compreendemos que as enormes riquezas, detidas pelos redutos religiosos, colonizados por políticos venais, corruptos e medievos (sejam a corte de califas, reis ou presidentes), não pode ser impunemente transferidas para as citys, offshores, 'paraísos', etc., permitindo-lhes comprar tudo e todos e impor diktats.

O problema é igual para crentes, agnósticos e ateus.

E a resposta passa por criar sistemas que sejam implacáveis na redistribuição da riqueza. E o 'implacável' mostra a dimensão da mudança (necessária). E a História mostra-nos que a violência (de que o terror é uma das expressões) não se (auto)dissolve espontaneamente, tendendo a ser substituída por outra(s).

Isto é, não crer na (divina) providência e lutar para substituir o secular domínio financeiro (do 'deus mercado'), nada livre mas tão aconchegado, subsidiário e manipulador dos limbos das diferentes crenças, por verdadeiras equidades onde impere a 'revolucionária revelação' (dos finais do século XVIII) consagrando - o sagrado é um conceito muito eclético - que todos nascemos iguais e com os mesmos direitos e deveres (económicos, sociais e culturalmente).
Manuel Galvão disse…
O proselitismo ateu também tende a enganar as pessoas.
Os cruzados arrasavam as aldeias de infiéis para roubar, os motivos religiosos eram só a desculpa mais à mão. O aumento demográfico associado a maus anos agrícolas a isso obrigava.

Idem com o massacre dos índios americanos ou dos pretos africanos.
Idem com a expulsão dos judeus da Península Ibérica (as riquezas que detinham reverteram a favor da coroa).

Mais recentemente,como já não há a desculpa da religião, justifica-se a barbárie dizendo que Kadafi estava a dizimar o seu povo, por isso tinha que ser derrubado... em nome da democracia!!!

Tudo desculpas esfarrapadas para ROUBAR, para justificar o roubo...

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