Fazer humor com um morto

A Audiência Nacional de Espanha (Tribunal Supremo) acaba de sacrificar a liberdade de expressão ao respeito por um ditador fascista.

Fazer humor com um morto é uma questão de gosto, mas condenar quem o faz é um ato de censura e, quiçá, uma homenagem à ditadura que assassinou centenas de milhares de espanhóis.

A Espanha democrática rejubilou no dia em que o sinistro PM fascista, Carrero Blanco, foi liquidado graças à persistência e coragem da ETA, quando esta era uma organização antifascista, antes de se converter num bando terrorista.

Foi nesse dia que nasceu o grito estrangulado pela ditadura na garganta dos democratas: «Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco!».

Hoje, mais de 40 anos após o dia em que a morte do substituto de Franco foi a metáfora da morte do fascismo, Cassandra Vera, estudante de História, de 21 anos, ficou a saber que a memória do ignóbil ditador que morreu confessado, comungado e fascista, ainda tem quem a zele.
 
Foi condenada a 1 ano de prisão por humilhação das vítimas do terrorismo, neste caso, de um cúmplice do terrorismo de Estado.

Não te cales, Cassandra. Um beijo.

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