A vitória moral de Lula da Silva

Quando um homem é mordido por uma víbora, não há quem apoie o réptil, mas se esse homem caiu num ninho de víboras e ninguém procura salvá-lo, é o género humano que se humilha pela cobardia e o torna indigno.

Lula da Silva até podia ser corrupto, e mereceria o desprezo que a indignidade provoca, mas estar preso por uma associação de malfeitores emboscados nas togas e becas, é um crime que produz o vómito de quem ainda preza a liberdade e a dignidade humanas.

Conspirar contra a democracia e derrubar o homem que os malfeitores escolheram para subverter a legalidade e exercer uma vingança partidária, é a baixeza ética da cáfila que nunca procurou combater a corrupção, apenas queria ter o monopólio dela.

Lula da Silva, cuja inocência é hoje irrelevante face aos estragos que o justiceiro Sérgio Moro causou à Justiça, à democracia e ao Brasil, tem hoje contra o ardiloso conspirador a superioridade ética de quem foi preso por vingança, cálculo eleitoral e ódio de classe.

A vergonha dos convites que juristas portugueses fizeram ao biltre que os envergonhou, com a defesa dos truques tropicais para prender adversários, teve o mérito de permitir à atual ministra da Justiça, a honrada procuradora que afirmou, sem o referir, que Portugal era uma democracia e se regia por normas de um Estado de Direito.

O julgador que negociou um lugar de ministro a troco da vitória eleitoral do mais burro e ignaro PR que o Brasil teve, talvez sonhe ainda com a indigitação para o Supremo Tribunal que o indigno capitão lhe terá prometido, mas a nódoa que lançou sobre o sistema de Justiça brasileiro não encontrará benzina que a remova.

A minha solidariedade com Dilma e Lula da Silva é um grito de revolta contra a ordália que foi urdida contra eles, tal como na Idade média, pelos que se julgaram deuses e não passavam de meros patifes infiltrados na Justiça.

Comentários

e-pá! disse…
O Brasil de hoje, isto é, aquele que foi tomado de assalto por Bolsonaro com a prestimosa colaboração de Moro, transformou um País numa autêntica 'coboiada' (o que não é absurdo para um programa presidencial assente nos 3 B's - Boi, Bala e Bíblia).
Para termos uma discreta noção do ponto a que se chegou bastará olhar para as recentes declarações de Bolsonaro sobre o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).
Quando o presidente afirma que o responsável pelo BNDES tem 'a cabeça a prémio' link estamos a ser literalmente transportados para os velhos tempos do Far-West onde se tropeçava pelas esquinas com os célebres cartazes 'Wanted - Dead or Alive'.
O ciclo dos anunciados 3 B's começa a fechar-se, sob a batuta de um presidente inepto, acolitado por um juiz ignóbil e perante a indiferença do Mundo civilizado.
Resta aguardar que os promotores das 'Conferências do Estoril' venham a terreiro penitenciar-se pelo convite que dirigiram ao um reles e ressabiado político populista travestido de Juiz.
O tema das conferências foi: "Empoderando a humanidade: do local à justiça global ...[!]" link.
Caso não estejamos sob uma trágica e macabra manipulação adepta de um mítico e enviesado 'diálogo global', a escolha do orador brasileiro, só dará para rir.
Aliás, a emparelhar com a prestação de Moro bastará recordar uma anterior protagonizada por José Maria Aznar. Está tudo dito.
Acredito que nenhum dos autores desta matéria tenha vivido no Brasil o tempo suficiente para conhecer todos os seus problemas, história, política e as pessoas citadas. Como a primeira parte foi transcrita na edição 957 do "Brados do Alentejo", no mesmo jornal tentarei obter espaço (já presumindo não ser atendido, apesar de assinante...) e, ">> com a devida vénia", apresentarei o contraditório aos leitores, meus conterrâneos estremocenses.
Vivo no Brasil desde 1972, depois que regressei de comissão militar no Ultramar. Vivi aqui a ditadura e todos os governos democráticos.

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