33.º aniversário da TVI
33.º aniversário da TVI
A TVI iniciou
emissões regulares no dia 20 de fevereiro de 1993. Há 33 anos.
Quando
deixamos que os uivos dos ressentidos se sobreponham aos anseios dos povos, que
o ruído dos reacionários abafe o som dos democratas e os donos da comunicação
social silenciem os que deles discordam, a democracia corre o risco de se
perder entre a propaganda insidiosa e a mentira descarada.
Faz hoje 33
anos que a TVI nasceu da prepotência de um PM e da chantagem da Igreja, onde um
projeto sem consistência venceu uma proposta estruturada, com a vontade do
Governo a sobrepor-se aos interesses do Estado e o catolicismo calculista de
Cavaco a enfrentar a ética republicana.
Na feliz
expressão de Mário Castrim, o maior crítico de televisão de então, e de sempre:
«A TVI nasceu na sacristia e acabou na sarjeta». Não podendo a Igreja manter o
canal, depois de esvaziar sucessivamente as caixas das esmolas e a generosidade
dos devotos, acabou vendido ao melhor preço.
Os canais
televisivos não são instrumentos de promoção democrática, são empresas de
negócios ao serviço dos acionistas, veículos de interesses privados sem
neutralidade partidária. Não foi por acaso que a direita visse as suas
convicções apoiadas por mais de 80% dos comentadores e os interesses privados
dominassem os órgãos de informação privados até conseguirem que 2/3 de
eleitores votassem na direita e extrema-direita.
O que é
estranho é o canal público ter sido uma extensão dos privados e instrumento da
oposição a governos do PS e aos partidos que apoiaram o primeiro Governo de
António Costa e que agora demonizem esse governo, talvez o melhor deles, e os
partidos que o apoiaram.
A
democracia necessitas de democratas. Quando desistimos de lutar, por desleixo
ou desânimo, promovem-se livrinhos de intrigas, entrevistas de encomenda,
ajustes de contas e ódios acumulados, numa orgia reacionária, em apoteótica
estridência.
Se
desistirmos de defender a democracia, voltaremos à ditadura.
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