O regresso de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD e do Governo
O regresso de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD e do Governo
Passos
Coelho, o homem que Miguel Relvas e Marco António obrigaram a dar o dito por não
dito, em relação ao PEC-4, e fizeram PM, nunca escondeu o rancor por não ter continuado
PM, depois da infindável prorrogação do mandato por Cavaco Silva.
Ficaram ainda
empresas por privatizar, a legislação laboral por descaracterizar e a CRP por violar
grosseiramente, apesar de o PSD ser já pouco exigente nos princípios, na ética
e na cultura. Falhada a tentativa de Rui Rio para reconduzir o partido à sua
matriz, Montenegro foi o Passos Coelho de marca branca que lhe saiu na rifa, após
sucessivas dissoluções do Parlamento com que Marcelo cansou o eleitorado, para
substituir o PS.
O regresso
de Passos Coelho à liderança do PSD e, depois de eleições, ao Governo, é o
desejo próprio e de todos os que pretendem federar na AD, com este ou outro
nome, a IL e o Chega, que se tresmalharam do redil de que ele foi pastor.
Passos
Coelho é quem melhor faz a síntese das direitas, da democrática à extremista, de
toda uma direita que o Observador e as redes sociais ajudaram a radicalizar,
deslocando todo o espetro político no mesmo sentido.
O seu
nível de rejeição pode ser grande, e maior seria se a memória não fosse tão
curta, mas a sua vitória está assegurada pela atual correlação de forças
eleitorais, que garante uma sólida maioria para o seu regresso, agora com menos
cabelo e mais ressentimento.
Depois de
aparecimentos episódicos no lançamento de um ou outro livro de matriz mais
reacionária, não sendo os livros a sua predileção, foi dando sinais de que o
seu silêncio era apenas a tática para o regresso.
Com a
Spinumviva viva e em ferida, com promessas que não cabem no Orçamento, não é
Montenegro que pode aspirar a manter coeso o seu Governo.
Passos
Coelho começou agora por censurar a escolha do titular do MAI, apesar do seu prestígio
e da adequação ao cargo, e por se agarrar à reforma laboral com o extremismo neoliberal
que lhe ensinou a professora Maria Luís Albuquerque. Não falta muito para dar o
xeque-mate a Montenegro.
São
difíceis os caminhos de regresso, mas Passos Coelho ensina ao PS como se faz
oposição a Montenegro. E fá-lo por interesse próprio. Bastou uma década para
transformar um PM, que não deixou saudades, em candidato desejado da pior
direita.
Habituemo-nos e não desistamos de lutar!


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