O estado a que o Estado chegou

O estado a que o Estado chegou

(Dedicado às famílias de «(…) todos aqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida», merecedores de sentidos pêsames).

O mínimo que pode dizer-se a respeito da tragédia que atingiu Portugal é que foi gerida com amadorismo e que a reunião tardia do Conselho de Ministros, “em contexto de visibilidade”, empalideceu as medidas anunciadas pelo PM, de forma lamentável, na sua atabalhoada comunicação ao País.

Incapaz de disfarçar a incúria e descoordenação que precedeu o Conselho de Ministros, a calamitosa aparição da MAI no 3.º dia, a encenação grotesca de Nuno Melo para as televisões e a tentativa infeliz de Leitão Amaro para autopromoção à custa da tragédia, com o vídeo para o TikTok, o PM foi desastrado na linguagem e leviano a julgar a sua governação. Repetiu a postura na Festa do Pontal, enquanto o País ardia, agora sem música, sem ruído e com o governo ausente.

Dizer que os ministros fizeram tudo bem foi um insulto a quem podia ter sido ajudado, se Nuno Melo conhecesse as potencialidades e meios disponíveis das Forças Armadas e a permanente prontidão para deslocar milhares de militares para zonas afetadas.

A manutenção dos aviões na Base de Monte Real, quando já se previam os riscos, foi um caso de incúria e amadorismo, em linha com a desorientação da MAI, que transmitiu medo e fugiu a dar explicações. Na manifesta desadequação ao cargo, em contraste com os autarcas das zonas afetadas, Maria Lúcia Amaral sublinhou a inépcia do Governo na resposta a catástrofes. É terrível imaginar o que teria sucedido se este fosse o governo durante a pandemia da Covid-19.

Pior do que o Governo, só a conduta do 4.º Pastorinho em campanha para legislativas, a pretexto de eleições presidenciais, com encenações de solidariedade como só a falsidade de um tartufo consegue, um vampiro a aproveitar-se da ansiedade e medo das pessoas, através da demagogia, promessas impossíveis de cumprir, a ocupar o espaço mediático com números de circo e mentiras que extasiam os seus fiéis e intimidam quem conserva um módico de sanidade e discernimento.

Finalmente, a repetição de fenómenos extremos causados pelo aquecimento global, cada vez mais frequentes, intensos e destruidores, obriga-nos a desmascarar a demência neoliberal, a mostrar os riscos que os negacionistas enjeitam e os perigos que encerram as propostas da Iniciativa Liberal, retirar as competências do Estado e acabar com metas sectoriais de redução de emissões.

A IL, à semelhança de Trump, face ao aquecimento global, ao avanço dos desertos e ao desaparecimento dos glaciares, só vê nas tragédias oportunidades e nos riscos do degelo do Ártico a facilidade da navegação. Para a IL, a imergência climática não é perigosa, é uma oportunidade de negócios.

É preciso sermos vigilantes. É urgente resistir.


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