Os ficheiros Epstein e os poderosos do mundo – Reflexões de um republicano.

Os ficheiros Epstein e os poderosos do mundo – Reflexões de um republicano.

Jeffrey Epstein não foi apenas um influente e bem-sucedido homem de negócios, foi o mais poderoso detonador para explodir reputações, carreiras políticas e vidas sociais e familiares.

Não admira que se tenha suicidado ou mais provavelmente que o tenham suicidado, mas deixou vivo um arquivo que, à semelhança dos resíduos nucleares, continua a vitimar os parceiros dos negócios e das orgias, em alguns casos, de ambas as modalidades.

Epstein revelou os vícios privados da alta sociedade, as taras sexuais e a ausência de princípios éticos de pedófilos militantes e predadores sexuais, com a sua ilha tornada bordel e a companheira, exímia proxeneta, a fazer o tráfico de mulheres, compradas, agredidas, violadas e humilhadas, para gáudio dos seus hóspedes.

Que uma ou outra jovem da melhor linhagem da realeza pudesse ter partilhado a cama do anfitrião, por vontade própria, só provaria que a real depravação é uma tara que se perpetua com os títulos nobiliárquicos.

Das misérias humanas só surpreende a extensão da rede, a impunidade e misoginia dos participantes, indiferentes ao sofrimento que infligiam, aos traumas que deixavam e à repugnância das jovens feitas presas depois de atraídas ao bordel onde ficavam reféns.

Que nessa legião de narcisistas, psicopatas amorais e impunes se encontrem pessoas tão diferentes como Steve Bannon e André Mountbatten-Windsor é motivo de reflexão. O primeiro é um ideólogo da extrema-direita, com um discurso contra as elites, apoiante dos populistas de extrema-direita, apóstolo do fascismo; André Windsor, conhecido por Príncipe André, é o membro da monarquia inglesa que traficava influências e segredos de Estado para aumentar a fortuna e saciar instintos. Em comum tinham o apetite sexual, a falta de escrúpulos e o desprezo por jovens, muito jovens, que usavam e desprezavam com a mesma ausência de princípios éticos e de empatia com as vítimas.

Estas duas personagens são o paradigma da iniquidade de que são capazes membros das elites, onde a cupidez, o poder, a falta de escrúpulos se reúnem:

Bannon, estratego da campanha de Trump em 2016 e seu principal conselheiro político no primeiro mandato, quis derrubar o Papa Francisco, demasiado progressista para os fascistas e acabou a discutir o plano com o parceiro das orgias e dos negócios. Chegou a ser preso por desvio de dinheiro e outras traficâncias. Acabou indultado por Trump.

O Príncipe André, filho predileto da rainha Isabel II, é o fruto do apuramento da raça da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, família alemã que, em 1917, trocou o nome para Windsor. Eduardo VIII, germanófilo convicto, já violava os segredos de Estado. Dos negócios à permissividade das alcovas do Palácio de Buckingham, André não precisou de lições fora da mais sólida e obsoleta instituição europeia, legitimidade pela via uterina e por vassalos embevecidos.

Os ficheiros Epstein são o relato de uma rede criminosa onde o colapso moral das elites sepultou o valor simbólico e expôs à execração pública alguns dos seus mais proeminentes membros.

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