Humberto Delgado (HD) – 61.º aniversário do seu assassinato (13-fevereiro-1965)
Humberto Delgado (HD) – 61.º aniversário do seu assassinato (13-fevereiro-1965)
Há 61
anos, a Pide, que não lograra prendê-lo, enviou uma brigada a Espanha, onde o
atraíram informadores da Pide, infiltrados no seu núcleo de apoiantes no
exílio, para ser assassinado. Foi o impiedoso torcionário, Casimiro Monteiro,
integrado na brigada que Rosa Casaco chefiou, que torturou e assassinou o
general, e estrangulou a sua secretária, Arajaryr Campos.
Os corpos
das vítimas foram ocultados perto de Villanueva del Fresno, a cerca de 30 km do
local do crime, para onde os homicidas os levaram, até serem descobertos dois
meses depois.
Humberto
Delgado, cadete do 28 de maio e cúmplice da ditadura fascista, iniciou a sua
conversão à democracia na estadia nos EUA, onde foi adido militar na Embaixada
de Portugal (1952/57).
Chegou
tarde à democracia, mas trazia a coragem e determinação que eletrizaram o país
na candidatura à presidência da República, 1958, quando enfrentou o grotesco
almirante Tomás em eleições que levou até ao fim.
As
fraudes, ameaças e perseguições denunciaram o regime fascista, até então
ignorado da imprensa internacional, salvo nos elogios a Salazar, pagos pelo
SNI, para citações na televisão única e nos jornais visados pela censura. As
últimas eleições diretas para PR desacreditaram o ditador perante o mundo.
Portugal, com quase 40% de analfabetos, continuou miserável e reprimido, à
espera do derradeiro crime, a guerra colonial, e da libertação, numa madrugada
de Abril.
Depois de
ter desafiado o ditador vitalício, Humberto Delgado não mais parou, parou-o a
tiro a Pide. O regime tremeu e temeu-o. Salazar não era um déspota com coragem,
era um cobarde que as polícias e as forças armadas defendiam.
Quando a
notícia do monstruoso crime foi divulgada, Salazar foi à televisão a atribuir
aos comunistas a autoria do assassinato. Eu vi e ouvi-o. O ministro do
Interior, Alfredo Santos Júnior, ficou em silêncio, mas o crime não mais foi
esquecido. A Pide só matava dentro das fronteiras, alargou a área para proteger
a ditadura.
Foi há 61
anos. O exemplo do ‘general sem medo’, que uniu a oposição, devia, ainda hoje,
ser modelo inspirador para os herdeiros dos que lutaram contra a ditadura. Dos
que foram mortos. Dos torturados. Dos desterrados. Dos exilados. Dos
proscritos. Dos presos. Dos ostracizados. De todos os que sofreram a violência
da ditadura.
HD não foi
a única vítima dos esbirros do fascismo, a exceção na história de repressão,
mas foi um destacado opositor a quem o exílio e o assassinato, após a fraude
eleitoral, conferiram a auréola do martírio.
A memória
dos portugueses vai-se esvaindo e já andam aí cópias dos quem levaram o
seminarista de Santa Comba, de Coimbra para S. Bento.
Hoje é dia de recordar o general Humberto Delgado que, a partir de 1958 consagrou a vida à luta pela liberdade. É património do País que amou e dos democratas que não toleram tiranias, seja qual for o pretexto, quaisquer que sejam.

Comentários