Espanha – O Golpe 23-F de 1981
Espanha – O Golpe 23-F de 1981
Há 45 anos
um tresloucado fascista invadiu o Parlamento para executar os planos dos
generais franquistas que educaram o rei Juan Carlos na Falange. O tosco militar
chegou de tricórnio, quando os deputados votavam Calvo-Sotelo para presidente
do Governo de Espanha, desejoso de substituir a monarquia constitucional pelo
absolutismo real.
Era o
regresso à ditadura sob os auspícios da monarquia não sufragada, posta à
sorrelfa na Constituição, quando as sondagens indicavam a preferência popular
pela República, ao arrepio da vontade expressa pelo sádico genocida Francisco
Franco.
Para a
História ficou a coragem do general Gutiérrez Mellado que se ergueu e dirigiu
ao ten. coronel Tejero. Repreendeu os assaltantes e ordenou a deposição das
armas, tendo o golpista, já reincidente, reafirmado a ordem com um disparo
seguido por rajadas das carabinas dos 200 assaltantes. Resistiu Gutiérrez, o
ainda presidente Adolfo Suárez e o deputado comunista Santiago Carrillo, que
permaneceu sentado. Obedeceram os outros.
O fracasso
da tentativa de regresso à ditadura promovida pelo ten. general Jaime Milans
del Bosch e pelo general Alfonso Armada, homem de confiança do rei, fracassou
ali, perante a coragem dos três políticos referidos.
Depois foi
montada a coreografia. O rei, fardado de capitão-general, surgiu a condenar o
golpe e a passar por democrata e o general Armada a pedir a Tejero que se
rendesse. O general franquista Alfonso Armada, percetor do rei, 9.º Marquês de
Santa Cruz de Rivadulla, envolvido na tentativa de golpe de Estado de 23 de
fevereiro de 1981 (23-F) foi demitido, condenado a 30 anos de prisão, e
perdoado pelo Governo em 1988, por alegadas razões de saúde. Viveu ainda mais
25 anos!
A memória da Guerra Civil, a conivência entre a Igreja católica e o franquismo, o medo e a urgência da transição pacífica fizeram democrata o rei. Já é tempo de julgar todos os crimes de Franco e de revelar a verdade sobre a atuação de Juan Carlos antes de se dedicar a vários tipos de caça, dos negócios aos elefantes e outras espécies cinegéticas em que a rainha não era a única na ementa.

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