Eleições presidenciais 2026 – Notas sobre dois candidatos perigosos

Eleições presidenciais 2026 – Notas sobre dois candidatos perigosos

Houve um momento em que parecia vir aí o pior, uma espécie de tempestade política a antecipar a meteorológica. Foi um momento de pânico, não porque fosse previsível que Ventura chegasse à presidência da República, mas porque já se admitia que o Palácio de Belém pudesse ser disputado entre ele e Cotrim de Figueiredo.

Contrariamente ao que muitos se recusam a admitir, são dois extremistas, um para quem a democracia é conciliável com três Salazares e outro que considera os apoios sociais incompatíveis com as obrigações do Estado.

Ventura, admirador confesso de Trump, quer que a polícia exerça a violência de forma impune e discricionária. Ricardo Reis, assessor parlamentar do Chega, celebrou a morte de Odair Moniz por um agente da PSP. Passou a deputado, eleito em 2025, talvez por ser esse o perfil adequado ao modelo e às exigências do Chega. O racismo, a misoginia e a promoção do ódio são a sua ideologia e instrumento de sedução e propaganda.

Cotrim, admirador de Milei, de quem se confessa próximo, e por quem manifesta muito apreço, defendeu a taxa plana de IRS, a taxa única de 15% para todos os rendimentos, depois tolerada para três escalões, em que o rendimento de 1.000 ou 100.000 € teria a mesma taxa. Os Liberais, na Europa, suavizaram a insânia, sendo inflexíveis na defesa de direitos individuais; Cotrim continua radical na economia e na política fiscal e aceita que a IVG precise autorização do pai, negando à mulher a decisão! Liberal, às vezes. Na Europa os Liberais disputam o eleitorado conservador e democrata-cristão, em Portugal rivalizam com o Chega.

Ventura e Cotrim têm ainda em comum a aversão aos direitos laborais, as objeções às alterações climáticas e a oposição às medidas que as combatam.

António José Seguro livrou-nos de ter em Belém o desalmado que já tinha dado provas de insânia. Os militantes da IL, sob a sua liderança, atiraram setas a bonecos com caras do então PM, António Costa, de Marta Temido, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Rui Rio, Eduardo Cabrita, Santos Silva, e Fernando Medina. A IL fez (literalmente) tiro ao alvo ao Governo, em arraial de St. º António, violando as recomendações da D. G. de Saúde em tempo de pandemia. Ele próprio, atirou setas a um boneco com T-shirt de Che Guevara a que colocou a cara de Pedro Nuno Santos, na barraca da IL, em Loures, na prática do desporto partidário, o tiro ao comunismo.  

Esperemos que, pelo menos, tenha aprendido algo no curso de prevenção de assédio a que os Eurodeputados são obrigados e que Cotrim frequentou em setembro de 2024.

Ventura e Cotrim são rivais que disputam os mesmos eleitores. É a luta entre o Trump de Algueirão e o Milei do bairro dos Anjos, Lisboa, entre dois extremistas, um, beato e hipócrita, e outro, cosmopolita mundano.


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