António de Almeida Santos – Centenário do seu nacimento (N. 15-02-1926)

António de Almeida Santos – Centenário do seu nascimento (N. 15-02-1926)

O centenário do seu nascimento submergiu-se ontem nas águas das tempestades que assolaram o País. Não bastou a tragédia para nos martirizar, houve uma seca informativa severa, de Portugal e do mundo, no absoluto desprezo dos portugueses. E não merecia António de Almeida Santos a amnésia da democracia, que tanto lhe deve.

O defensor de presos políticos e implacável opositor à ditadura salazarista/marcelista foi um proeminente político desta segunda República. Governante, parlamentar, legislador, foi na oratória um digno sucessor do padre António Vieira, na feitura das leis um émulo de Mouzinho da Silveira e Afonso Costa e na dedicação à República o exemplo de uma vida que valeu a pena.

Exímio no canto e na guitarra, também aí se tornou a referência que perdura na Coimbra que nunca saiu de si.

O notável homem de Estado, príncipe renascentista da política, escritor imaculado, na gramática e nas ideias, não teve da República a mais leve manifestação de respeito e gratidão. Não se exaltou a memória de um nome enorme da cultura, da política e da luta antifascista cuja dimensão cívica não tem paralelo nas atuais figuras cimeiras do Estado.

Quando um país esquece os seus melhores e despreza a História é o futuro que hipoteca.


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