O horror pode ser sempre ultrapassado…

O horror pode ser sempre ultrapassado…

É difícil imaginar regimes mais cruéis do que as teocracias, ditaduras que superem a violência de que são capazes os Estados que têm como Constituição, Código Penal e normas de conduta um manual com os conceitos dos líderes tribais da Idade do Bronze.

Mas torna-se intolerável aceitar a conduta das democracias para com as teocracias, em função dos interesses, protegendo as que lhes prestam vassalagem e invadindo as outras.

Ninguém pode legitimar a sharia em Gaza ou no Afeganistão, no Iémen ou Síria, onde quer que seja. Inspira horror um Estado que se designe com a inclusão de um adjetivo confessional, mas é o poder arbitrário, frequentemente cruel, dos Estados laicos e democráticos que mais me indigna, porque é destes que me sinto próximo.

É impossível não sentir horror pela repressão dos Aiatolas contra o povo, em
especial, contra as mulheres, através dos Guardas da Revolução, indiscutivelmente uma guarda pretoriana de natureza terrorista.

Mas é igualmente revoltante a ligeireza com que se transformam terroristas em pessoas decentes quando se convertem ao Eixo do Bem.

Uma coisa é o pragmatismo das democracias nas relações com todos os países, outra é a hipocrisia com que se catalogam as ditaduras. As boas e as más.

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