A opinião de Vital Moreira

 Subscrevo:

sábado, 10 de outubro de 2026

Náo dá para entender (44): O triunfo da irracionalidade política


1. Na região de Coimbra, continuam em exibição faixas de propaganda política do Chega, qualificando como "roubo" os impostos sobre combustíveis.

Ora, ressalvados os impostos sobre os prémios de jogo, os impostos "sobre o vício" (tabaco e bebidas alcoólicas) e o imposto sobre a riqueza recebida a título de herança (que, aliás, não existe entre nós, tendo sido extinto por um lamentável acordo entre o PS e o PSD), os impostos sobre combustíveis (gasolina e gasóleo) estão entre os mais justos de todos, por duas razões: (i) incidem sobre bens importados, que pesam na balança comercial negativa do país, e (ii) geram enormes quantidades de CO2, contribuindo para a poluição atmosférica e retardando a descarbonização da economia. 

Ao aumentar substancialmente o seu preço, os impostos sobre produtos petrolíferos reduzem o seu consumo e geram receita pública para minorar os seus efeitos nocivos. Dupla virtude!

2. Sendo mais um protesto político totalmente idiota do Chega, cabe perguntar se é com proclamações destas que o partido da direita radical aparece no topo das sondagens eleitorais. Não dá para entender como tantos eleitores se podem rever num discurso destes, o qual, se transformado em política governamental, levaria ao desastre do país.

Desde há muito se sabe das pulsões politicamente irracionais que abundam no discurso populista. Mas custa a compreender casos tão irracionalmente superlativos como este. 

Comentários

Abomino o pensamento e a forma populista, revanchista e perigosa do Chega!
Relativamente aos impostos nos combustíveis, não posso concordar com Vital Moreira, até porque a maioria dos portugueses não tem dinheiro para comprar um carro eléctrico. Para os portugueses mais pobres o automóvel, nomeadamente fora das grande áreas metropolitanas, é a única forma de transporte que dispõem para ir trabalhar.
A destruição dos transportes públicos e da ferrovia tornou o pobre um dependente do automóvel, onde aí é esbulhado até ao tutano em impostos, desde compra, da ida à oficina até ao abastecimento.
Os mais desfavorecidos não têm hipótese de criar uma SPINUNVIVA para deduzir toso os impostos e taxas que são aplicados.
Quanto à preocupação de Vital Moreira com o ambiente, defendendo que os impostos altos devem impedir a circulação do automóvel, advém de quem a maior parte da sua vida, eventualmente, teve aos seu dispor carro, motorista e todas as despesas com o automóvel pagas.
Da última parte posso garantir que não é verdade. Nunca dispôs de carro e motorista e viajou, sempre que pôde, de transportes coletivos, nomeadamente de comboio.

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo