segunda-feira, novembro 30, 2015

O inacreditável existe...

“Sim, sempre gostei muito de ler jornais e revistas. Em miúdo lia tudo. Nunca li romances, gosto mais de história das instituições, dos países e da economia. Aliás, a vida real dos países é um romance do caraças e muito ilustrativo!” [Nota: O sublinhado é nosso].
Entrevista de Ferraz da Costa ao jornal Económico em 27.11.2015 link.

Tornou-se, no entanto, um personagem de um ‘romance do caraças’ quando, recentemente, foi chamado por Cavaco Silva a Belém para ser ouvido e para perorar à saída.
Estas são as ‘forças vivas’ que temos…

Cavaco e o novo arco do poder

Criado na vigência da Assembleia Nacional, sem espanto pela carácter monocromático do hemiciclo, confundiu o ‘arco do poder’ com o poder que a Assembleia da República, democraticamente eleita, tem para o definir.

Impediu-o a dislexia de ver o hemiciclo com 180º, apesar das noções de aritmética que academicamente teve de assimilar. Amargurado e ressentido viu-se expulso do ‘arco do poder’, cujo sentido julgava conhecer, depois de habilitado com o título de Catedrático de Literatura, outorgado pela Universidade de Goa.

Não foi o défice democrático que o impediu de compreender que faltava ‘um’ em ‘todos os cenários’ que disse ter previsto. O maior problema de Cavaco não é constitucional, é uma dúvida aritmética e a perturbação de leitura de expressões vazias de conteúdo como essa do «arco do poder».

A partir de março vai ter tempo para se dedicar à semiologia e entender que a expressão que usava de modo limitativo ganhou subitamente a extensão que o seu entendimento ignorava.

É fácil decorar uma expressão, difícil é a assimilação do seu conteúdo por quem não foi educado nos valores republicanos nem teve a cidadania como cadeira curricular.

Em última análise, as alterações da geometria do poder prefiguram a melhoria ecológica da política portuguesa, que a sua saída de Belém vai acentuar.  Boa viagem!

‘Despassilvou-se’ o poder.

domingo, novembro 29, 2015

Novo ciclo político: Os primeiros dias …

Quando o XXI Governo tem meia dúzia de dias em funções não é honesto nem oportuno começar a criticar ou a emitir remoques sobre funcionamento e relações entre os diferentes poderes. A situação actual tendo-se tornado muito particular e específica dado o abrupto ‘suicídio político’ do PR, veio colocar os holofotes sobre a AR e o XIX GC.

O problema inicial que começa a detectar-se é a tentação pela 'navegação à vista' que se verifica na actividade parlamentar da actual legislatura suscitada pela nova maioria de Esquerda. 
Ninguém descortina qualquer fio condutor político nas questões que têm ocupado o Parlamento exceptuando, claro está, a rejeição do Governo PSD/CDS (o que já não foi pouco).
O que se tem verificado são tomadas de posição avulsas sobre assuntos esparsos que vão desde a adopção por casais homossexuais, o fim os exames no ensino básico, a eliminação das provas de avaliação dos professores, o fim das taxas moderadoras para a IVG, etc. que, sendo consensuais no espectro político da Esquerda e importantes para os cidadãos, necessitam de integrar uma agenda prévia definida e a respectiva calendarização para se despojarem de um eventual e propagandeado ‘carácter fracturante’ que a Direita começa a querer explorar. Quando fala em ‘fracturante’ poderá querer realçar, paralelamente, um certo ‘modo errático’.

Os portugueses são legítimos credores, têm direito e alguma urgência na reversão de medidas sacrificiais, discricionárias e revanchistas impostas pelo Governo de Passos Coelho /Portas, já que esse amplo substrato infernizou-lhe as suas vidas e destruiu-lhe a esperança.
O que já foi derrubado, nestes poucos dias de actividade parlamentar, constitui uma necessidade óbvia e tinha de ser feito. Nisto, não pode existir qualquer tipo de hesitação.

Mas a urgência não pode atropelar a necessidade de ter (manter) uma agenda política que seja subsidiária e concordante das ‘posições conjuntas’ (políticas, recorde-se) acordadas para o derrube do Governo PSD/CDS e o apoio à formação de um novo Governo, liderado pelo PS e sustentado por uma maioria de Esquerda. 
Os atropelos a que temos assistido são completamente extemporâneos. Na realidade, só na próxima semana será discutido o novo programa de Governo e dá a sensação que as reversões (justas e necessárias) deveriam respeitar este enquadramento processual. 

Até porque neste ‘turbilhão parlamentar’ tudo correu bem até se chegar às medidas orçamentais e fiscais (p. ex: sobretaxa do IRS, o seu escalonamento, etc.) situação que ‘travou’  a impetuosa caminhada. Esta travagem sem que o próximo Orçamento de Estado tenha sido submetido a discussão e a análise – pelo menos no domínio público - não é um bom indício para (toda) a Esquerda. 

A ‘disciplina democrática’ usada (e abusada) no exercício do poder pela Direita – que anda nisto há muitos séculos - deveria também sensibilizar a Esquerda a utilizá-la como um instrumento para obter uma efectividade governativa e uma eficaz consolidação da frente parlamentar, entretanto criada. Ninguém ignora que os esforços políticos do momento devem dirigidos para difíceis, sérias e abertas conversações, entre toda a Esquerda, que conduzam à elaboração próxima de um bom, progressista e ajustado Orçamento de Estado capaz de reverter o ciclo de austeridade, mola geradora de empobrecimento, desemprego, atraso sócio-cultural, enfim, de subdesenvolvimento.
Até porque, muitas das medidas que estão na forja e aguardando uma apreciação a retalho no domínio parlamentar têm perfeito (natural) cabimento nesse fulcral instrumento de governação (OE 2016). 

Não podemos entreter-nos com os ‘hors d’oeuvre’ deixando de lado o prato principal. A Esquerda não pode contentar-se com migalhas. 
Deve sentar-se à mesa do orçamento sem complexos ou constrangimentos e usar a faca e o garfo para partir o bolo e distribui-lo com justiça, equidade e sensibilidade social. 
De momento, não é necessário muito mais.

Azia em Belém

Depois do bolo-rei, que não conseguiu mastigar, a deglutição do sapo, que não digere, vai transformar a gastrite em úlcera. Benigna. Maligno é ele.

sábado, novembro 28, 2015

Nepotismo PÀF



sexta-feira, novembro 27, 2015

A posse do XXI Governo Constitucional

O País viu o oficiante, no ocaso da função, ao serviço da pior direita, a ferver de raiva e a bolçar citações. Foi o delírio num funeral oficiado pelo defunto. Faltou o cantochão ao tedéu e o medo dos infiéis ao celebrante, mas assistiu-se à genuflexão e ao encómio do pregador aos fiéis de ar fúnebre.

O discurso de Estado coube ao empossado, depois de o notário referir que bons eram os que saíam e maus os que entravam. Na liturgia da missa obrigatória saíram as ameaças e imprecações de quem sabe que esgota o tempo para outras homilias.

Os falsários despedidos receberam a última bênção e aguardam a rápida venera de quem os ungiu, A Bem da Nação, sem se perceber se as indulgências plenas eram uma dádiva ou uma dívida. Os que ficaram levavam consigo a força da razão e o respeito pelo único livro sagrado – a Constituição da República –, um caderno de encargos que o celebrante e os despedidos desprezavam.

Na taciturna tarde do Palácio da Ajuda não houve bálsamo que aliviasse os ressentidos, analgésico que lhes amenizasse as dores, catártico que os purgasse do ressentimento e desejo de vingança.

Ficaram no ar as ameaças do presbítero provinciano, convencido de ser um príncipe da direita salazarista, à espera de amanhãs de vingança por um sucessor capaz da desforra. O pior que vier será menos mau e o País pode ainda escolher o melhor.

O pesadelo de um presidente, uma maioria e um governo não residiu na coincidência da área política da proveniência mas no radicalismo das madraças que os formataram.

Deixaram um país pior, apesar das mentiras obstinadas em que o presidente, a maioria e o governo insistiram em uníssono.

Todos os democratas devem ajudar o governo que ontem tomou posse, perante o ódio do ‘indicador de primeiros-ministros’, presbítero raivoso numa última excomunhão.

Urge enterrar os estigmas salazaristas e fazer a pedagogia cívica para que a República respeite todos os eleitores e nunca mais os divida entre partidos bons e partidos maus.


O discurso da Ajuda e a dignidade da política...



Tudo farei para que o País não se afaste da atual trajectória de crescimento económico e criação de emprego e preserve a credibilidade externa”. 
Discurso do Presidente da República em 26.11.2015

Segundo o protocolo, na cerimónia de posse do XXI Governo Constitucional, usariam da palavra o Presidente da República e o primeiro-ministro empossado. Na realidade, o PR quebrou as regras protocolares e deu voz no seu discurso ao governo cessante.
Aliás, anteriormente, o PR já tinha explanado a sua sinuosa e contorcionista posição: “ A entrada em funções do XXI Governo Constitucional inicia um novo ciclo político. No entanto, os objectivos estratégicos do País permanecem…
Discurso do Presidente da República em 26.11.2015

Quando o político com mais longa carreira de exercício de poder no pós-25 de Abril vem a público confessar que a sua visão política se orienta pelo princípio de que “mudam as moscas, mas a merda continua a mesma”, os portugueses deixam de preocupar-se sobre a mudança de ciclo político que, de facto, acontecia no Palácio da Ajuda em 26 de Novembro de 2015, e questionam-se sobre o que efectivamente decidiram em 23 de Janeiro de 2011.

Aliás, no aspecto formal, a falta de sentido de Estado tornou-se absolutamente gritante quando ao longo da sua arenga só foi capaz de evocar a Constituição para recordar competências que ainda detém (por uns escassos meses) e a partir daí ameaçar o Governo que inicia funções (em princípio por 4 anos). 

O Presidente podia, numa tentativa de explicitar o que lhe vai na mente, ter publicamente embarcado na rábula da coligação PSD/CDS que, desde 4 de Outubro, proclama nos 4 cantos do Países (e nos diversos órgãos de comunicação social que colonizou) a legitimidade constitucional do Governo PS, mas recusa-lhe qualquer legitimidade política. Como se a legitimidade política não decorresse da constitucional. 
Na verdade, a ‘crise pós-eleitoral’ que o PR tão arduamente alimentou ultrapassou largamente as questões tecidas à volta das legitimidades. 
Tornou-se, tão-somente, um problema de dignidade. Melhor, da falta desse atributo que é vital para o exercício de cargos públicos.

O sonho e a realidade



quinta-feira, novembro 26, 2015

Pensamento do dia

Depois da cumplicidade extrema com o governo da coligação de direita, da propaganda extrema à sua ruinosa gestão, da animosidade extrema à nomeação do governo legítimo de António Costa, Cavaco Silva terminou com um discurso de ameaça extrema ao governo que foi obrigado a empossar, numa humilhação extrema.

Só lhe falta a extrema-unção.

Cavaco Silva e a estabilidade democrática

Cavaco Silva demorou cinquenta e um dias de vingança, ressentimento e declarações incendiárias para indigitar António Costa como primeiro-ministro do XXI Governo Constitucional.

Foi o tempo perdido para a decisão inevitável onde introduziu o insólito verbo ‘indicar’, próprio de um cavador de enxada, inadequado ao léxico constitucional. Foi o lapso de tempo de quem preferiu os interesses do PSD aos do País, uma birra ao sentido de Estado e a retaliação gratuita contra 62% do eleitorado que não o suporta.

Cavaco, ao submeter-se aos interesses e prazos da coligação da pior direita que capturou o PSD e o CDS, não previu que as últimas eleições legislativas seriam também o castigo à sua conduta presidencial.

Como ninguém lhe disse que em quatro países europeus, Dinamarca, Bélgica, Letónia e Luxemburgo, o primeiro-ministro não é do partido que teve mais votos nas eleições, não percebeu que a fúria reacionária era um entrave ao bom funcionamento das instituições, adiando a inevitável indigitação de António Costa. Só não se adivinhava que julgasse incompatível o apoio ao PS por partidos que eventualmente gostasse de ver ilegalizados.

O PR que deu posse à ministra das Finanças de um governo de coligação, apenas com o PSD, em exótica cerimónia de que estiveram ausentes os membros do CDS, incluindo o líder irrevogavelmente demissionário, desejou furtar-se à indigitação do governo saído da sede própria, a A.R., afrontando o mais representativo órgão de soberania.

O homem que, do mundo, só reteve o estreito espaço que separa o Poço de Boliqueime da Travessa do Possolo, em Lisboa, é capaz de represálias contra um governo legítimo até ao despejo constitucional da família Silva do Palácio de Belém.

Para a normalidade democrática não basta o novo governo, é urgente mudar de PR.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 25, 2015

A Direita, o 25 de Novembro e a profecia …

As comemorações promovidas pelo PSD e CDS na AR relativas ao 25 de Novembro são absolutamente provocatórias. 
Não está em causa fazer ou refazer a história. Ela será feita um dia e com certeza não sairá da cabeça ou da pena do eminente historiador Rui Ramos (convidado ‘especial’ para a sessão de hoje promovida pela Direita).
Mas existe um facto indesmentível para quem tem mais de 60 anos. No 25 de Novembro de 1975 a Direita estava encolhida, actuava às escondidas e os que tinham um resquício de coragem para manifestar-se faziam-no ‘encostados’ ao PS, ou à sua sombra. Hoje, assumem o papel de donos da bola, pretendem até dispensar o PS, porque acham que conseguem jogar esse acontecimento contra a Esquerda, nomeadamente, contra os partidos à esquerda do PS. A Direita ‘brinca’ com a estabilidade governativa mas na praça pública faz-lhe vibrantes ‘juras de amor’. 

Nestas comemorações ficaria bem à Direita citar um dos grandes protagonistas do 25 de Abril e, também, dos acontecimentos que há 40 anos ‘aconteceram’. Trata-se do saudoso e emérito Melo Antunes que nessa altura (dia 26 de Novembro) apareceu publicamente a anunciar que: “a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável…".

Na realidade, a Direita ao anunciar apressadamente estas comemorações pretende, mais uma vez, ilegitimamente, capitalizar os louros de uma situação que lhe passou a lado e ‘sonhará’ talvez fazer, agora, o que não conseguiu em 1975: erradicar o PCP do mapa político nacional. Isto é, traduzindo por miúdos: negar-lhe o direito de participar – directa ou indirectamente - numa solução de governo. 
No dia 26 de Novembro de 2015, isto é, 40 anos depois da asserção de Melo Antunes, um Governo PS, apoiado por toda a Esquerda, será empossado no Palácio da Ajuda. E assim estamos perante um caso em que uma convicção, torna-se uma profecia.

A FRASE

«É preciso um governo que governe, é preciso um Orçamento que seja preparado e aprovado depois no Parlamento.»


(Marcelo Rebelo de Sousa, em modo La Palice)

É a Dilma

Parece a imprensa portuguesa contra António Costa

Foi um fartar, vilanagem


terça-feira, novembro 24, 2015

Pensamento do dia


Não querendo render-se o sitiado, rendeu-se o sitiante.

Bom dia, Portugal


As exigências de Cavaco Silva e o onanismo presidencial

Cavaco Silva, a desfrutar os últimos momentos de prazer mediático, interrompeu o ato de indigitar António Costa como primeiro-ministro do XXI Governo Constitucional.

Esquecido das ameaças de cegueira com que os padres da sua infância o atormentaram, antes da idade da primeira ejaculação, quis fruir o prazer solitário do poder e alardear a importância que a Constituição lhe retirou no último semestre de hóspede no Palácio de Belém, quando a idade e o estatuto o desaconselhavam.

O notário da pior direita que se governou em Portugal depois do 25 de Abril, protelou a assinatura formal à indigitação do novo governo, com os mais variados pretextos, quiçá por não ter caneta, faltar-lhe a tinta, ter esgotado o livro de atas ou, apenas, porque não. Acabou a exigir ao PS, sem qualquer legitimidade, o que não se atreveu a fazer ao PSD.

Numa leitura pouco rigorosa da Constituição, sem o menor sentido de Estado, deixou apodrecer a situação política, económica e social enquanto Passos Coelho ensaiou o seu número de vencedor eleitoral e se armou em vítima.

Quem o obrigará ao deprimente espetáculo, a este número circense, à agonia lúgubre do último mandato? Só quem o chantageie pode impor-lhe um comportamento degradante com danos irreversíveis para a estabilidade financeira e democrática do País.

Que pensasse dos partidos de esquerda o mesmo que qualquer cacique reacionário de uma obscura paróquia, era uma questão ideológica; que o verbalizasse com a mesma delicadeza com que mastiga bolo-rei era um problema de educação; mas, afrontar a AR, o único órgão perante o qual o governo responde, é o défice democrático salazarista que o formatou e que quarenta anos de democracia não sararam.

Não se esperava de Cavaco Silva que terminasse com dignidade este mandato mas, por respeito ao cargo, era legítimo acreditar num módico de discernimento e decência.

Não pôde, não soube ou não quis. Limitou-se a usar um patético pretexto para pôr o seu carimbo no novo governo: «Visado pela comissão de censura».

segunda-feira, novembro 23, 2015

Cavaco Silva e o próximo Governo Constitucional (XXI)

Quando da posse ao seu amado governo, depois da raiva do discurso contra a esquerda, em geral, e o PS, em particular, acabou por afirmar que, a partir daí, o futuro do governo cabia à AR. Aliás, tinha sido legítima a indigitação de Passos Coelho.

Dizendo o óbvio, parecia um estadista. Os deputados, apesar da chantagem usada e do aliciamento tentado, honraram a ética e a Constituição, este toucinho que os talibãs da direita não deglutem.

Quando se esperava que a lógica constitucional, o interesse nacional e a decência cívica, o apressassem a indigitar António Costa, decidiu adiar, chamando a Belém 28 figuras da direita, 2 do centro e 1 da esquerda para arranjar ‘um 31’ ao País, sabendo que agravava a situação que criou ao adiar para tão tarde as eleições.

Belém pareceu uma casa de alterne, com cavalheiros, a entrar e a sair, a ‘cagarrarem’ à comunicação social os mesmos pensamentos profundos que a meditação das Selvagens sedimentou no venerando chefe do Estado.

Cavaco, na obstinada campanha de propaganda contra a esquerda, invocou que já tinha empossado um governo minoritário do PS, sem dizer este que tinha mais deputados do que toda a direita junta nem da sua satisfação com a queda. Invocou a falta de urgência alegando os meses em que ele próprio esteve, como PM, em gestão, sem dizer que tinha eleições antecipadas marcadas  e um programa e Orçamento aprovados.

Cavaco e a verdade percorrem linhas paralelas. Por mais que se prolonguem nunca se encontram.

É cedo para inventariar os prejuízos mas não para julgar o comportamento insólito do PR, em estado terminal, convencido de estar dentro de prazo de validade, sem avaliar os danos por que responderá no pelourinho da opinião pública, preferindo dificultar a vida do futuro governo a demarcar-se da pior direita do regime democrático.

A FRASE

«A minha candidatura é independente, está aberta a todos os apoios que venham a surgir ou não, não pede apoios e, portanto, não me cabe a mim decidir aquilo que partidos, movimentos, grupos, pessoas pensem acerca das presidenciais e dos apoios que devem dar ou não.»

(Marcelo Rebelo de Sousa, ex-comentador televisivo e candidato a PR)


domingo, novembro 22, 2015

NATO: as primeiras e veladas ‘ameaças’…


Enquanto se verifica uma relativa discrição sobre a possibilidade de um Governo liderado pelo PS e apoiado pelos partidos à sua Esquerda, por parte de Bruxelas, Berlim e Frankfurt eis que é mandado avançar para a liça o Senhor Embaixador dos EUA em Lisboa link.
Existe a sensação de que a UE espera para ver, enquanto outros se armam em ‘franco-atiradores’ e disparam sobre tudo o que possa mexer. São os conhecidos ‘snippers’ e deles temos uma trágica experiência.

Os perenes guardiões da NATO e os esforçados zeladores da sua presente capacidade operacional, neste ínterim, cavalgam a onda de uma volúvel assepsia política, disfarçada de uma pureza e grandiosidade democrática, na verdade dissimuladora de opções ideológicas que nunca explicitam.
A organização nascida no calor da ‘guerra fria’, com o mundo dividido em 2 blocos militares, nunca questionou como foi possível que um País como o nosso, vivendo num regime ditatorial, fosse um dos membros fundadores dessa associação. A ‘permissividade’ patente no ato fundador deu credibilidade ao regime salazarista, isolado internacionalmente e acossado no interior pelas forças oposicionistas, após o fim da II Grande Guerra, permitindo-lhe sobreviver durante cerca de três décadas ('para mal dos nossos pecados').

Na verdade, para construir uma grande coligação do Ocidente contra os regimes comunistas de Leste a regra foi arregimentar tudo e todos. Para que esta ‘santa aliança’ fosse possível evitou-se fazer perguntas ou manifestar qualquer “preocupação” - como agora aparece o Senhor Embaixador a fazer.
 
A Esquerda, nomeadamente a europeia, não precisa de gastar tempo e energias a denunciar ou lamentar a sobrevivência da NATO no atual contexto.
As contradições internas que lhe estão inerentes e se acentuaram depois da derrocada dos regimes comunistas e do fim do Pacto de Varsóvia, num mundo economicamente globalizado e subsidiário da ‘financeirização’ da política, encarregar-se-ão de revelar as razões porque, após o término da bipolarização mundial, a NATO continua a querer expandir-se e reforçar-se.

E a razão para a sua subsistência tem um fundamento de 'natureza policial', isto é, permite ao líder natural da NATO, os EUA, continuar a exercer funções de ‘polícia do Mundo’. Na verdade, nos tempos que correm a ideia de ‘defesa colectiva’ que vigorou entre os seus membros, ou de rechaço de ‘ameaças globais’, é desmentida pela realidade, isto é, o que na prática se verifica é a proliferação de conflitos regionais, sem perspetivas de (re)solução militar, incontroláveis politicamente e desestruturantes das instituições civis e militares.

Mas ao fazer uma breve resenha verificamos que o papel da NATO, que tanto orgulha e parece condicionar o Ocidente, tem poucos créditos para se afirmar.
Desde a desastrosa intervenção na ex-Jugoslávia, à confusa actuação no Afeganistão (ISAF), à dissimulada coligação para a invasão do Iraque e, ainda, à manhosa intervenção na Líbia (sob o disfarce da criação de uma ‘zona de exclusão aérea’), que não existe qualquer ténue perfume de sucesso que esta organização possa reivindicar.

Recentemente, não é difícil reconhecer a NATO, directa ou indiretamente, envolvida nos dois mais recentes conflitos regionais: Síria e Ucrânia.
Na Síria, intrometeu-se através de apoios em dinheiro, armas e recursos humanos ao chamado ‘Exército Livre’ que progressivamente foi perdendo terreno (nomeadamente porque não conseguiu no CS da ONU obter o tal estatuto de ‘zona de exclusão aérea’ usado na Líbia para intervir) e transferindo os meios disponibilizados (pela NATO)  para organizações extremistas ligadas à Al Qaeda, donde acabará por 'nascer' o famigerado Daesh que - para além de uma bárbara violência local e regional - transformou-se na grande ameaça terrorista para o Ocidente. Ameaça tanto mais grave quanto se perspectiva a intervenção armada neste País por forças turcas o (poderosíssimo) braço armado da NATO na região, com o risco de transformar o Médio Oriente num ‘novo Vietname’.
Na Ucrânia, tratou-se de uma intempestiva expansão para Leste da aliança militar ocidental (até ao limite de encostar-se à fronteira russa), a meias com os eurocratas de Bruxelas (capitaneados por Durão Barroso), com a pretensão de alargar a zona de influência política e económica europeia e apertar o ‘cerco’ à Rússia. O Ocidente, através da UE, preparava-se para começar de imediato um programa de resgate (certamente pela imposição das habituais medidas de austeridade, de empobrecimento e de privatização ao desbarato de tudo que fosse património público) que, de concreto, acabou por não conseguir mais do que alimentar um conflito interno, determinar a fragmentação deste País e inviabilizá-lo no domínio económico.
 
A ‘Parceria Euro-atlântica’ - surgida após a queda do muro de Berlim - foi mais uma manobra para fomentar o alargamento a Leste com a exclusão da Rússia, como se ainda existissem a URSS e o Pacto de Varsóvia. Resta saber como se comportará esta organização no decorrente conflito ucraniano. Mas por ‘manu militari’ poderá chegar à Europa o maior dos problemas da actualidade colocando a par da dependência em matéria de defesa - que a UE nunca quis resolver - o fim da sua autonomia económica e o abandono de uma estratégia própria de desenvolvimento. Esta a ‘evolução da NATO’ que, a longo termo, se pretenderá, desde já, salvaguardar.
Trata-se do TTIP, um tratado de comércio entre os EUA e a Europa que continua na forja e, segundo supomos, deverá passar pelo (no) Parlamento Europeu (onde o PPE decide), nunca será sujeito a qualquer acto referendário e ao que parece será um tratado 'blindado' a eventuais escrutínios dos parlamentos nacionais.
Caso seja aprovado no PE – apesar de fortes objecções manifestadas pela sociedade civil alemã, francesa, britânica e espanhola - tornar-se-á um ‘inviolável’ compromisso europeu que qualquer governo nacional, integrado na UE, terá religiosamente de respeitar.
Este TTIP é a mais moderna extensão (pretensão) da NATO que, tendo sido esvaziada do contexto inicial, colecciona insucessos nas intervenções pelo Mundo e assume, agora, o papel de guarda pretoriana do neoliberalismo.

Na realidade, a questão da NATO, isto é, o ‘alinhamento atlantista’, diz mais respeito à política externa e aos indecisos caminhos de globalização económica e financeira com que estamos confrontados em termos de futuro, do que a um programa de Governo, neste momento, em discussão no nosso País. 
Porque no Mundo de hoje o centro de gravidade político e estratégico está velozmente a deslocar-se para o Pacífico (Oriente), deixando o Atlântico (nomeadamente o Norte) confinado a uma dimensão muito circunscrita (pouco global) o problema não é imediato. A questão da NATO é um problema que se arrasta penosamente desde o fim da ‘guerra fria’ e entrou num prolongado estertor decorrente dos novos equilíbrios geo-estratégicos que se estão a desenhar no Mundo, não sendo, por isso, um assunto para dirimir logo ou amanhã. A 'organização atlantista' entrou numa profunda letargia, com características hibernantes e decompositoras anunciando a queda de mais um 'império'.

Por isso, a 'questão NATO' não passa de um ‘espantalho’ que a Direita, neste momento, agita para amarrar as opções futuras a uma perspetiva imobilista. Por essa razão é que, historicamente, a Direita congrega as forças conservadoras ou, muitas vezes, ultra-conservadoras.

É urgente ilegalizar o PCP, o BE e o PEV e até o PAN

Quando os incautos votam em partidos que não têm legitimidade para ser governo, nem sequer para apoiar, é inaceitável que tais partidos subsistam e, ainda menos, que possam disputar eleições.

Deus, Pátria e Família não se discutem. As eleições serão boas para os ingleses mas não servem os portugueses, habituados a quem manda, incapazes de distinguir partidos bons dos maus e tão incautos que aceitam que o PS possa decidir a sua política de alianças ou entendimentos com quem lhe aprouver.

Há portugueses renegados que defendem os sindicatos, o direito à greve, a liberdade de associação e outras bizarrias e, pior, que os resultados eleitorais possam sobrepor-se ao que pensam os que votam bem e que a AR sirva para criar governos.

Felizmente, e nisso concordam os amigos do Professor Cavaco, o patriarca de Lisboa e os amigos do peito e da hóstia de Sua Excelência, a Pátria não pode ser entregue a quem não dá garantias de a estimar, de chorar o império perdido e de sentir nostalgia de quem nos poupou à entrada na guerra, com a ajuda da Senhora de Fátima, é certo, mas com a indómita vontade de defender o Imperio, infelizmente perdido, e a União Nacional.

A irreversível defunção da Irmã Lúcia impede-a de dizer ao Sr. Cardeal que Cavaco é o enviado da Providência e não espantaria que a Senhora de Fátima fosse a Boliqueime anunciar que o filho da terra era o enviado do seu amado filho.

Não tem o pio Professor condições para prolongar o mandato, mas não lhe falta audácia para, à semelhança do Sr. D. Carlos, indigitar Passos Coelho para uma tarefa idêntica à que o rei incumbiu a João Franco, com igual legitimidade e sentido patriótico.

O Prof. Cavaco pretende apenas que o governo de Passos Coelho crie a sopa dos pobres e que a Divina Providência o ajude a erradicar comunistas, bloquistas e socialistas.

A História, que tão injusta foi para o Sr. D. Carlos e o Sidónio, há de fazer-lhe justiça.

sábado, novembro 21, 2015

Carta aberta ao Sr. Aníbal Silva

Excelência:

O cargo que ocupa e em que é reincidente obriga-me, por respeito à função, a dirigir-me com o tratamento adequado, mas a forma como o exerce provoca-me asco e cólera.

Não sei como pôde aparecer onde chegou sem saber o número de cantos d’Os Lusíadas, hesitando entre as divisões do poema épico e o número de vértices do paralelepípedo, e atingir a média aritmética por palpite. Mas dói a um republicano vê-lo terminar o cargo a julgar que ‘cidadões’ é o plural de cidadão, não pela ignorância em que é reincidente mas pelo rudimentar entendimento do significado do substantivo.

A forma como trata a Constituição da República, que jurou defender, não pode ser só desprezo, há de ser um problema de iliteracia, não se percebendo como pôde aceitar o título de catedrático de Literatura, outorgado pela Universidade indiana de Goa. Ainda se fosse de Teologia, fazia jus ao presidente da Comissão de Honra para a Canonização de Nun’Álvares Pereira que V. Ex.ª foi!

V. Ex.ª considera ‘mísero professor’ um catedrático, talvez pelo acesso que um decreto e a benevolência do Prof. Alfredo de Sousa lhe facultaram, isentando-o de concurso, mas a nata de um país inclui os professores universitários, para quem estima a sabedoria e, não em todos, a ética.

A forma como o Sr. Aníbal Silva geriu os negócios pessoais e as conivências partidárias levar-me-ia a recorrer a Gil Vicente para o qualificar, mas estou impedido pelo respeito ao cargo e receio das sanções penais. Aliás, nem o dicionário de Fidelino de Figueiredo, com 12 cantos porque tem dois volumes, e de que não terá ouvido falar, tem todos os adjetivos. Precisaria, para alívio da bílis e normalização das análises, de me socorrer dos almocreves que aumentaram a língua e a capacidade de desabafo com o seu vernáculo.

V. Ex.ª, Sr. Aníbal Silva, é o salazarista que a democracia guindou aos mais altos cargos e que, por ingratidão, tanto despreza. Se lhe resta um módico de decência, renuncie ao cargo e preste um serviço excecional ao País a que deixou banir os feriados identitários, o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro.

Não troque o respeito que deve ao Parlamento pela funesta subserviência às corporações que recebe em Belém desafiando os deputados da República, livremente eleitos, e ameaçando a democracia.

Demita-se.

sexta-feira, novembro 20, 2015

Belém, o novo governo e a insustentável leveza de Cavaco…

Ao que consta na comunicação social o líder do PSD terá comunicado hoje ao Presidente da República que “cabe ao PS construir uma solução de Governolink.

Não se percebe porque só agora o PSD decidiu dar tréguas à virulenta chicana política a que se dedicou, de corpo e alma, desde 4 de Outubro e subitamente resolveu ‘descer à Terra’.

Claro que a Direita vai afirmar aos quatro ventos que o faz pelo sentido da responsabilidade e considerando o ‘interesse nacional’. Todavia, decorrido este longo lapso de tempo o que a Direita verifica é que não existe o ‘esperado’ clamor dos parceiros europeus, nem se verificou uma apocalíptica balbúrdia nos ‘mercados’.
Mais a Direita finalmente acordou e compreendeu que a sua continuação como Governo de gestão dentro do actual contexto existente na Assembleia da República equivalia a ser ‘cozinhada em lume brando’. Esta seria a hipótese mais benigna.
Porque existem condições objectivas para, no caso de o PS não ser chamado a formar Governo, o clima social se tornar insuportável. Esta a hipótese realista.

Na realidade, hoje à saída do palácio de Belém notam-se as primeiras linhas de fractura na coligação de governo formada pelo PSD e CDS após as eleições. A posição de Paulo Portas é nitidamente divergente da de Passos Coelho. O significado desta décalage entre Portas e Passos Coelho adquirirá visibilidade e profundidade no futuro, nomeadamente, no exercício do papel de Oposição. Mas poderá ter epifenómenos mais próximos, isto é, na campanha presidencial já no terreno.

Corre à boca pequena que Cavaco Silva poderá vir a solicitar a António Costa para formar Governo. E ao fazê-lo deveria tentar impor condições draconianas para o seu exercício. Como, por exemplo, a demissão a prazo do executivo que se disponibilizaria para (temporariamente) empossar. De um antro onde se congeminou uma 'intentona informática' nada poderá ser descartado.

Mas, na realidade, as posições que a coligação PSD/CDS tem tomado enfermam de uma gritante contradição. É evidente que o caminho desejado por Paulo Portas e Passos Coelho é a repetição do acto eleitoral. Ora, nada mais favorece esta 'airosa saída' para os interesses da Direita do que uma real fragilidade que leve ao desmoronar da solução apresentada pela Esquerda. Daí que a ‘gritaria’ sobre a fragilidade e a inconsistência do entendimento entre PS, BE, PCP e PEV esteja impregnada de uma imensa hipocrisia. O grande receio da Direita é que a alternativa gizada entre o PS e os partidos à Esquerda tenha pernas para andar. O problema não é o que falta no entendimento acordado pela Esquerda mas efectivamente o que lá está.
Aliás, um outro aspecto decorrente da lentidão da reacção à crise instalada pela rejeição do Governo Passos Coelho/Paulo Portas poderá ser esta notória contradição entre o ser e o parecer. Esta situação dialéctica poderá continuar funcionar como o factor determinante para o ‘engonhanço’ do Presidente da República que, como já demonstrou ao longo do mandato, não está a ‘brincar aos feijões’.

Não tendo em boa conta o discernimento de Belém será previsível que os seus assessores tenham conhecimento concreto da composição do leque partidário que oferece ao PS condições para Governar. E que, tendo em consideração a existência de um conjunto de partidos, diversificado e carregado de poderosos factores identitários e até doutrinais (como repetidamente afirmam), é difícil, para não dizer completamente abstruso, tentar chantageá-los, intrometendo-se nas entrelinhas do acordado.
Este tipo de pressões não é possível, nem viável, quando estão envolvidas no processo 4 distintas formações partidárias. O Presidente da República deve ter a noção que num caso desses, perderia por completo o controlo da situação (que já é excessivamente deficitário).
Ou, então, Belém poderia ficar no colo com o cenário de um possível regresso ao cenário de um ‘Governo de gestão’ em confronto quotidiano com uma maioria de Esquerda na Assembleia da República decorrente que um gesto insensato e imprudente da Presidência da República (como o que mencionamos e foi posto a circular nos ‘mentideros’ políticos) só viria a agravar a situação política do País.

Cavaco Silva tanto ‘engonhou’ que, neste momento, já não tem saídas. Este é o resultado decorrente da afirmativa capacidade de ‘previsão de todos os cenários’ que, de modo jactante, anunciou acerca das eleições legislativas. 
O Presidente ficou prisioneiro da teia de aranha que, tenazmente, construiu. E na teia urdida está também a diletante leveza da mediação presidencial que muito se aproxima da insustentabilidade.

Francisco Franco – F. 20 de novembro de 1975


Há quarenta anos, convenientemente sacramentado, faleceu o maior genocida ibérico da História. Deixou centenas de milhares de mortos, execuções macabras nas arenas e um país atrasado e violento, em trinta e nove anos de poder discricionário.

Derrubou o governo legal de Espanha e impôs uma ditadura fascista cuja crueldade foi a imagem de marca que a Igreja católica ungiu. Teve cúmplices e amigos, alguns que hoje estão nos altares da Igreja romana, como Santo Escrivà, e uma caterva de torturadores e assassinos ao seu serviço.

Foi o carrasco do povo espanhol, produto da Espanha feudal, beata e analfabeta, de uma sociedade formatada por sectores católicos que aderiram nazismo.

O carrasco cuja consciência nunca o atormentou deixou como herança uma monarquia tão ilegítima como a sua torpe ditadura.  O criminoso que Hitler ajudou a ganhar a guerra e que massacrou o povo espanhol com o poder destruidor da sua aviação, é hoje o símbolo sinistro de uma época hedionda, o déspota sem princípios nem piedade.

O ambiente concentracionário dos conventos


Não me permito com títulos de caixa alta dos jornais fazer julgamentos que cabem aos tribunais e, mesmo que venha a provar-se a prática de esclavagismo, no ambiente pio de conventos, não generalizarei.

O que sempre me incomodou foi a displicência com que o Estado permite à Igrejas uma impunidade e privilégios que nega a outras organizações. Se um padre e algumas freiras são capazes de exercer sevícias sobre noviças é um crime hediondo mas igual ao que em outros locais e com outras gentes pode ser cometido.


O que não pode deixar de merecer séria reflexão é a sanidade mental de quem se isola da vida e do mundo, os motivos e, sobretudo, a liberdade de opção. Aliás, a liberdade individual é um direito irrenunciável e a clausura, ainda que voluntária, um atentado.

Os antecedentes dos conventos da Irlanda que os tribunais encerraram deviam fazer-nos pensar em Portugal, onde a Concordata transformou em protetorado o País, concedendo privilégios intoleráveis e isenções fiscais intoleráveis.

As heranças deixadas a instituições pias jamais são objeto de investigação judicial e não saberemos quando foram transmitidas de livre vontade ou extorquidas.

Não pode haver um Estado dentro de outro.

Cavaco nunca tem dúvidas e raramente se engana

Não se enganou quando preencheu a ficha da pide, salvo na ortografia, o verbo ‘haver’ é traiçoeiro, para poder fazer uma qualquer investigação académica, como alegou; quando permutou a vivenda Mariani com um terreno que já tinha construídas a vivenda Gaivota Azul e a piscina, à espera de licença de construção; quando foi jantar a casa de Ricardo Salgado com a amantíssima esposa, para ser ungido por ele, tendo como testemunhas os casais Marcelo e Durão Barroso, para a candidatura ao primeiro mandato presidencial; quando comprou e vendeu ações da SLN onde, numa manifestação de ternura paternal, deu uns milhares de euros a ganhar à filha Patrícia.

Não tinha dúvidas, mas aconteceu, que um governo do PS o privou da acumulação das reformas e do vencimento de PR, numa lei geral, como deve ser, obrigando-o a optar. Às reformas juntou o subsídio de representação de PR que, em conjunto, mal dá para as despesas do casal, e o ressentimento que persiste contra o PS.

Não tinha dúvidas de que o BES tinha ativos para cobrir o pior dos cenários, tendo-se enganado ou, melhor, tendo enganado pequenos investidores que confiaram nele.

Não tinha dúvidas sobre o que faria após as últimas eleições legislativas, tinha previsto todos os cenários, mas depois de ter falhado a tentativa de dividir o grupo parlamentar do PS, desatou a ouvir amigos, conhecidos e figurantes num coro de unanimidades que apenas contrariavam a CRP. Não podendo mudar a Constituição que jurou defender, resolveu adiar a aplicação. Enquanto puder. Alheio à democracia e ao interesse do País.

Escusava de prestar-se ao espetáculo deprimente de insultar a Assembleia da República com negociatas de bastidores e declarações de propaganda ao defunto governo. Não tem em conta que o respeito pela democracia pode e deve ser exigido nas ruas.

Trinta segundos de humor


quinta-feira, novembro 19, 2015

Belém e o 'espectáculo' de hoje….

O presidente da República dedica-se, no meio de uma crise política, a fazer aquilo que todos verberamos: ‘encanar a perna à rã’.

Já não basta a evocação por parte da coligação de Direita de um oportunista ‘Consenso Constitucional’ para sustentar o Direito ‘natural’ do Centro Direita em eternizar-se no poder, para estarmos agora confrontados com um espúrio ‘engonhanço’ presidencial.

O passatempo a que o inquilino de Belém dedicou ontem será muito semelhante a uma prática que tem uma marca política indelével e vergonhosa mas também longa (foram quase 48 anos!). Trata-se do jargão corporativista que definia o auscultar das ‘forças vivas da Nação', num período de perseguição ou proibição de partidos políticos. 

Hoje, quando se observa o corrupio em Belém de banqueiros (ou de administradores de bancos) assalta-nos a dúvida sobre o verdadeiro estado da Nação. A última vez que os vimos nestas romagens foi em 2011 quando o País foi cercado e posteriormente capturado pelos ‘credores’. A substancial diferença na romaria a Belém de ontem e a de há 4 anos é a ausência de Ricardo Salgado, reconhecido promotor político do actual Presidente. Esta ausência é reveladora da promiscuidade política que poderá estar a 'infectar' o regime.

Será que a anunciada recuperação económica, o equilíbrio orçamental, a diminuição do desemprego, a dívida sustentável, os 'cofres cheios', etc. são números confeccionados que não passam de um mito construído a martelo? 
Se a resposta for sim está plenamente explicada a histeria da Direita à volta da constituição de um Governo saído das eleições de 4 de Outubro. Nesse entendimento de ocultação a crise deverá prolongar-se porque objectivamente serve interesses muito específicos, mas pouco transparentes. Evita o desmascarar das múltiplas fragilidades que lateralmente têm sido anunciadas.
Se a resposta for não, se o País efectivamente se reencontrou com a normalidade (democrática), se recuperamos a soberania, se ganhamos credibilidade, urge perguntar do que estamos à espera?

Voltando ao 'espectáculo' que o País, através dos meios de comunicação social, teve oportunidade de assistir durante esta quarta-feira, será difícil compreender a 'calma' que tomou de assalto o palácio de Belém.
Quando se convocam os representantes dos principais bancos com praça em Portugal para definirem o ‘interesse nacional’ está tudo dito sobre a ‘financeirização’ da política e ficamos plenamente esclarecidos dos métodos que o Presidente da República utiliza para a tomada de decisões.

O Islão e a civilização

É fácil islamizar uma civilização, difícil é civilizar o Islão. O mais feroz monoteísmo é a cópia grosseira dos monoteísmos anteriores, servida pela lógica implacável da guerra aos infiéis.

O proselitismo é comum mas a Reforma, o Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa foram os passos que permitiram substituir a alegada vontade de Deus pela dos homens e submeter o clero ao poder secular.

O erro maior é o tratamento das religiões de forma diferente do das outras associações, incluindo os partidos políticos. A pregação da violência, os apelos à morte dos infiéis e a fanatização que se permite, em nome do multiculturalismo, nas madraças e mesquitas, é objeto de uma benevolência de que nenhuma outra associação goza.

O Corão é mais perigoso do que o «Mein Kampf», de Hitler, mas o manual terrorista de Maomé goza de complacência com o risco de incentivar ações criminosas e respostas racistas contra os crentes em vez do combate eficaz à crença.

Pode dizer-se – e é verdade –, que o Antigo Testamento, um livro da Idade do Bronze, é o livro terrorista que reflete a sociedade misógina, violenta, tribal, vingativa e patriarcal dessa época e que é comum às três religiões mas é preciso discernir entre quem abdicou de o levar à prática e quem não desiste.

Se a Europa se deixa tolher pelo medo ou se precipita na vingança aos imigrantes abdica da civilização que a engrandece, regressa à barbárie e dá a vitória aos terroristas que a ameaçam. Nem o perdão nem a vingança são compatíveis com o modelo de sociedade que custou milhões de vidas.

É preciso defender os crentes e combater as crenças que ameaçam a paz e a civilização, retirar-lhes os meios de financiamento e erradicar as cumplicidades.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 18, 2015

A frase


(Cavaco Silva, na viagem à Madeira)

Cavaco nunca tem dúvidas e raramente se engana – diz ele

Não se enganou quando preencheu a ficha da pide, salvo na ortografia, o verbo ‘haver’ é traiçoeiro, para poder fazer uma qualquer investigação académica, como alegou; quando permutou a vivenda Mariani com um terreno que já tinha construídas a vivenda Gaivota Azul e a piscina, à espera de licença de construção; quando foi jantar a casa de Ricardo Salgado com a amantíssima esposa, para ser ungido por ele, tendo como testemunhas os casais Marcelo e Durão Barroso, para a candidatura ao primeiro mandato presidencial; quando comprou e vendeu ações da SLN onde, numa manifestação de ternura paternal, deu uns milhares de euros a ganhar à filha Patrícia.

Não tinha dúvidas, mas aconteceu, que um governo do PS o privou da acumulação das reformas e do vencimento de PR, numa lei geral, como deve ser, obrigando-o a optar. Às reformas juntou o subsídio de representação de PR que, em conjunto, mal dá para as despesas do casal, e o ressentimento que persiste contra o PS.

Não tinha dúvidas de que o BES tinha ativos para cobrir o pior dos cenários, tendo-se enganado ou, melhor, tendo enganado pequenos investidores que confiaram nele.

Não tinha dúvidas sobre o que faria após as últimas eleições legislativas, tinha previsto todos os cenários, mas depois de ter falhado a tentativa de dividir o grupo parlamentar do PS, desatou a ouvir amigos, conhecidos e figurantes num coro de unanimidades que apenas contrariavam a CRP. Não podendo mudar a Constituição que jurou defender, resolveu adiar a aplicação. Enquanto puder. Alheio à democracia e ao interesse do País.

Escusava de prestar-se ao espetáculo deprimente de insultar a Assembleia da República com negociatas de bastidores e declarações de propaganda ao defunto governo. Não tem em conta que o respeito pela democracia pode e deve ser exigido nas ruas.

É preciso topete

DN, hoje, pág. 15


- Ó filha, chama-lhe tu primeiro, antes de te chamarem a ti.

Agora são os filhos delas que atribuem aos outros o que eles pensam.

Voltar a recordar


terça-feira, novembro 17, 2015

Noticiário

Ontem, numa conversa com o ex-presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, Passos Coelho afirmou: «…julgo que daqui a mais duas semanas a nossa situação será definitivamente clarificada. E haverá um novo governo para negociar com Bruxelas».

O que terá tramado com Cavaco Silva que o País não deva saber?

Se é um golpe constitucional que está em preparação, os democratas têm de estar alerta para declarar o «estado de emergência cívica».

Nicolas Sarkozy e a pena de morte

Sarkozy propõe-se, no caso de ser eleito presidente da República Francesa, restabelecer a pena de morte para os suicidas terroristas.

É esta cobardia que os terroristas exigem, o retrocesso civilizacional por que a demência islâmica luta, a capitulação de políticos populistas, perante as exigências mais primárias, por um punhado de votos.

É tão grave a ameaça do recuo civilizacional face à chantagem do terror, que arriscamos perder o que levou séculos a conseguir. Há quem renuncie à razão para responder à demência da fé, quem recorra à pena de Talião, quem julgue que o problema se resolve criando outro.

Sendo duvidoso julgar um suicida que não falha é incompreensível que o Estado ajude a consumar o desejo de quem falhou. Perante um ato que aturdiu o mundo civilizado, só a demagogia justifica políticos capazes dos maiores desvarios em troca de votos.

Que os partidos de extrema-direita, ávidos de destruir a democracia e de substituir uma religião por outra, usem a emoção coletiva e os instintos primários dos mais néscios, é o que deles se espera, mas de quem já ocupou as mais altas funções numa República laica e democrática, não passa de abjeta capitulação, nociva, demagógica e populista.

segunda-feira, novembro 16, 2015

Paris, 2015.

O gravíssimo atentado terrorista em Paris, no passado fim-de-semana, atingindo o coração da Europa, levanta muitos problemas para além das questões imediatas de segurança.

Interessa, em primeiro lugar, entender quais os objectivos do Daesh ao levar tão longe esta bárbara e selvática agressão. Não basta prometer uma resposta dura e exemplar, entenda-se, de 'retaliação'. 

Deve o Mundo civilizado ir mais além e orquestrar um plano de emergência internacional que clarifique e responda a esta crítica situação introdutora de altos níveis de perturbação na vida dos cidadãos. 
Não devemos cometer os mesmos erros, despoletados pelo atentado contra as torres gémeas em Nova Iorque, e que levaram a uma abrupta intervenção bélica no Médio Oriente, com os resultados que hoje estão à vista. 

O ‘jihadismo’ não é fácil de combater porque a dita ‘civilização ocidental’ tem dificuldades em o entender. Existe a sensação que fomos colocados perante um violento recuo à Idade Média lançando sobre a Humanidade um período de profundas trevas. Saber que uns grupelhos de fanáticos suicidas são capazes de infundir um terror tão vasto é preocupante.

A França será – no meio desta tragédia – provavelmente o país que mais ‘experiência’ terá no lidar com períodos de terror. Será a sua remota herança de Robespierre. Mas os tempos são outros e sabemos que, agora, não haverá um ‘Comité de Salvação Pública’. O momento exige medidas para além das manifestações de solidariedade aos franceses, como sucedeu recentemente no atentado do Charlie Hebdo, e a extrema gravidade da situação deverá deslocar o centro de decisão de Paris para a Nova Iorque - ONU. 

A bárbara saga jihadista não pode ser combatida somente pelos agredidos, pelas vitimas directas quando, de facto, estamos todos sob a mira de uma guerra sem quartel e sem tréguas. 
As medidas a tomar com a maior urgência terão de abranger um vasto leque de iniciativas (políticas, sociais económicas e financeiras) e não podem ser confinadas a duras represálias. 
Uma anunciada escalada de violência poderá suster temporariamente o terror, enquistando-o, mas não resolverá o problema de fundo.
Será necessário, por exemplo, conhecer como os jihadistas armam e financiam este terror e aí surgem imensas dificuldades. 
E saber como e porquê a religião adstrita ao dinheiro a rodos tem, no actual momento, um terreno de fácil germinação e uma vasta capacidade de recrutamento.
A ignorância é a mãe de todos os fanatismos e o berço de todas as desgraças, não sendo fácil de reverter. 
E, por outro lado, as desigualdades sociais são factores potenciadores de toda esta escalada de terror.

A questão fulcral reside no acumular de erros no Médio Oriente desde o final de I Guerra Mundial quando os vencedores procederam ao desmembramento do Império Otomano. A ‘balcanização’ desta região deu origem a uma ‘espiral de subdesenvolvimento’ que ainda perdura. Mais tarde, na sequência da II Guerra Mundial, introduziu-se um outro factor de perturbação com a criação do Estado de Israel. As estas mudanças, nem sempre muito justa e ponderada, será necessário acrescentar um outro facto de relevante importância estratégica - o petróleo. 

O Médio Oriente tornou-se desde meados do século passado um ‘pivot energético’ altamente condicionador do desenvolvimento das sociedades ocidentais e da sua industrialização, mas praticamente indiferente para as economias locais seja pela corrupção, nepotismo dinástico e incompetência. Não é tranquilizante – nem oportuno – ter uma cada vez mais nítida percepção de que o Daesh é uma consequência diferida da invasão do Iraque.

Pensar que é possível resolver qualquer problema ignorando, ou passando ao lado de erros e intervenções ocorridas no passado será contornar e adiar questões emergentes (variadas) de que actos bárbaros e terroristas – como o verificado em Paris neste fim-de-semana - são uma trágica expressão visível e chocante, mas não a única. 
Ninguém está apostado na justificação do injustificável mas a percepção das causas poderá ser fundamental para dar boas e atempadas respostas. Hoje, temos a certeza de que dentro de uma multiplicidade de respostas possíveis (e isso ninguém ignora) a mudança de políticas por parte do Ocidente (do Mundo) em relação às questões do Médio Oriente é inadiável. Por isso a centralidade dessas respostas deve ‘deslocalizar-se’ de Paris para a ONU. Se Bush em 2003 tivesse adoptado esta elementar postura no âmbito internacional a situação no Médio Oriente poderia ser substancialmente diferente. 

E, finalmente, o bárbaro atentado terrorista de Paris deverá ser analisado e enfrentado com a serenidade que o momento exige, deixando pousar as (naturais) reacções emotivas, que permitam evitar a transformação do Mundo num espaço concentracionário. 
Se as medidas preventivas que entretanto deverão surgir, ficarem pela manu militari e uma drástica limitação dos direitos e garantias dos cidadãos é fácil de perceber que o terror acabou por colher frutos, na medida em pode vir a determinar um enorme recuo civilizacional. 

Mensagem ecuménica


A excursão presidencial à Madeira

Seria injusto pensar que a excursão voluntária de Cavaco Silva à Madeira se deve a uma homenagem à viagem a que Tomás foi obrigado na sequência do 25 de Abril. Então foi a mudança do regime que, por higiene e segurança, obrigou à deslocação do último PR da ditadura fascista, agora é o PR que gostaria de mudar o regime que voluntariamente se desloca.

O que causa perplexidade não é o passeio, é a inoportunidade. É provável que não se dê conta do prejuízo que causa ao País, da intranquilidade que grassa e da crispação social que causa.

Quem, depois de resolvido o problema do Governo na Assembleia da República, único local adequado e legítimo, ainda se recreou a ouvir várias corporações, alheio à CRP e à urgência, certamente que o País é a última das suas preocupações.

No ocaso das funções para cujo exercício lhe minguou sensibilidade, estofo e cultura, a viagem à Madeira é a ausência do cargo que, em boa verdade, nunca exerceu. Não foi mais do que um porta-voz da última coligação de direita, extremista e de má memória.

Não tendo percebido que a ingerência nas últimas eleições foi grave quebra da isenção que devia ao cargo, não compreendeu que foi o principal derrotado. O ressentimento em que reincide, torna-o ainda mais detestável.

Podia fingir que é democrata.

domingo, novembro 15, 2015

ATENTADOS ISLÂMICOS EM PARIS

Não há desculpa nem justificações possíveis para os atentados perpetrados em Paris por fundamentalistas islâmicos.

Não há CIAs, nem Bushs nem Blairs que justifiquem ou desculpem essa barbaridade. Esses têm graves responsabilidades no que se passa atualmente no Médio Oriente. Mas não justificam o assassinato de civis inocentes em Paris.

Os islâmicos são pessoas como nós. Não são máquinas que funcionam automaticamente, nem cães de Pavlov que reajam por reflexos condicionados. Não há armas em Paris que lancem mísseis para o Médio Oriente. Os atentados foram premeditados, pensados, planeados e combinados por homens dotados de inteligência e sentimentos (bons ou maus). São imputáveis e responsáveis. Os atentados foram deliberadamente perpetrados contra homens, mulheres e crianças inocentes.

Não há qualquer justificação nem desculpa.

Espera-se que os países civilizados reajam adequadamente contra as barbaridades cometidas pelo denominado Estado Islâmico.

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) 14-11-2015

À Embaixada de França

contact@ambafrance-pt.org

Senhor Embaixador Jean-François BLAREL

Excelência:

A Direção da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), profundamente consternada com o terrorismo que ontem ensanguentou a França e feriu o mundo civilizado, vem por intermédio de V. Excelência, apresentar condolências às famílias das vítimas e ao povo francês.

A AAP pede ainda que transmita ao Presidente da República e ao seu Governo a nossa solidariedade com a laicidade de que a França é pioneira e exemplo, e cujo reforço se exige para a defesa da civilização, da democracia e da convivência que são apanágio da Europa.

O proselitismo religioso não é apenas nocivo e prejudicial, é – como tragicamente se vê – letal e potencialmente destruidor da civilização.

Na defesa de uma sociedade plural não se pode contemporizar com o extremismo totalitário, religioso ou outro.
Contamos com a determinação francesa para que a razão se sobreponha aos dogmas e a cidadania à barbárie que alguns confundem com multiculturalismo.

Odivelas, 14 de novembro de 2015

a) A Direção da AAP

sábado, novembro 14, 2015

O Islão, o terrorismo fascista e a política externa ‘ocidental’

Quando se lambem as feridas de mais um atentado terrorista que ensanguentou Paris e feriu a civilização, são inoportunas as referências a crimes que a Europa e os EUA têm cometido no Médio Oriente e noutros países do Planeta.

Lembrar a cimeira das Lajes, agora, é um ato masoquista e a forma de desviar atenções da natureza terrorista do Corão, do fascismo islâmico, dos gritos ululantes com que a rua islâmica assinala entusiasticamente o triunfo da fé sobre a razão.

Todos os democratas e humanistas lamentam que não sejam julgados os cruzados que invadiram o Iraque ou alimentam terroristas bons (os seus) contra os maus (os outros). Sabemos que a sinistra monarquia da Arábia Saudita pertencia aos bons e o Iraque aos maus, mas referir agora esses motivos minimiza a crueldade do Islão e apoia a demência da fé que um beduíno amoral espalhou.

Há hoje um combate que chama ateus, agnósticos e, sobretudo, crentes. É um combate na defesa da laicidade, na proteção dos crentes contra as suas crenças, na erradicação do proselitismo que ameaça a paz e a civilização.

Depois de mais um ato de horror que se repete com monótona regularidade é altura de gritarmos a indignação e de combatermos as pulsões racistas e xenófobas, os demónios que também podem nascer nos herdeiros do Iluminismo e da Revolução Francesa.

Ontem o fascismo islâmico e o cristão tiveram um dia de glória. O Estado Islâmico e a Frente Nacional saíram vitoriosos por entre corpos chacinados e o terror instalado.

O medo é o combustível que alimenta a fé e a extrema-direita. Um califa, algures no Médio Oriente, e Marine Le Pen tiveram ontem uma prenda.  

Acordos, posições e circunstâncias: ‘to be or not to be’…

Quando se olha para o “Acordo de Governo e de Colaboração Política entre o PSD e o CDSlink, celebrado na sequência das eleições de 4 de Outubro, percebe-se quais as motivações que estão por detrás das ferozes críticas aos recentes aos recentes entendimentos entre o PS e os partidos BE, PCP e PEV.
O acordo de governo PSD/CDS é um pacto de submissão às actuais direcções partidárias (até o nome do líder desta ‘concordata’ é aí explicitado) e um conjunto de generalidades operacionais e de índole disciplinar de incidência parlamentar recheadas pelo meio com expressões bizarras do tipo “inverno democrático”, etc.
Mas, para além disso, a precipitação da conclusão deste acordo para ‘marcar terreno’ foi em termos tácticos absolutamente extemporânea tendo colocado liminarmente o PS fora do contexto governativo da Direita (a não ser que optasse por um suicídio político). 
A Esquerda tem esta dívida pendente perante os voluntariosos e imprudentes estrategas da Direita.

Mas regressemos ao Outono sombrio onde estamos mergulhados. Na verdade, o que incomoda a Direita não são as ausências que - se quisermos ser rigorosos - estão presentes no entendimento (posição conjunta) alcançado entre o PS e os partidos à sua esquerda link.
Não se trata de um manifesto frentista nem de uma sonante proclamação doutrinária. As reservas de identidade partidária não foram esbatidas, nem ultrapassadas por quaisquer malabarismos oportunistas.
É um entendimento entre um leque partidário específico que historicamente tem alimentado quezílias mas partilha um alargado denominador comum de matriz ideológica (e se tornou particularmente acutilante na última legislatura) e nunca actuou em conjunto na esfera governativa, enquanto tal.
A deriva radical da Direita durante o Governo da última legislatura foi o procedimento e o factor ‘facilitador’ (vamos usar um termo ao gosto da Direita) do reencontro da Esquerda.
Mas as aparentes hesitações do Presidente da República, cujo enfeudamento ao governo de Direita cessante não oferece quaisquer dúvidas aos portugueses, atingiram, depois de 4 de Outubro, o seu ponto crítico e carregam, no seu seio, a enorme responsabilidade de poder lançar o País numa enorme convulsão política e social. Isto é, o PR poderá transformar-se no ‘veículo facilitador’ de uma dramática transposição da crispação política por ora residente em S. Bento (e arredores) para o cada vez mais intranquilo campo social sem que se possa antecipadamente avaliar todas as consequências. O ambiente nos arredores do Palácio de S. Bento no dia da rejeição do programa de Governo não pode, nem deve, ser desvalorizado. O ‘risco’ político mora, exactamente, aí: na eminência da transposição de uma crise política para uma incontrolada confrontação social.

Regressando ao impasse actual verifica-se que a indisfarçável perturbação da Direita são as medidas condicionadas pela situação política, económica, financeiras e social que foram acordadas pela Esquerda quanto, a salários, pensões, impostos, ordenado mínimo, direitos sociais e laborais, privatizações, etc.. Na verdade, a sua aplicação, com sucesso, desmascara irremediavelmente a tese de não existirem alternativas a uma austeridade cega e implacável que tentou escamotear avultadas transferências do bolso dos contribuintes para o sistema financeiro. 
Quando a Direita imbuída do mais radical espírito neoliberal focou a sua acção governativa nas políticas orçamentais, passou por cima das consequências previsíveis dessa opção e deu azo a um prolongado ciclo recessivo (que a manipulação estatística não consegue disfarçar) e a um desemprego galopante e duradouro que pretende relativizar e desvalorizar.
O caminho seguido nos últimos 4 anos demonstra o carácter perverso, leviano e inconsequente dos tão elogiados sacrifícios. Mas esconde-se aos cidadãos que não é previsível o fim desses sacrifícios porque a sofreguidão financeira, organizada à volta de pactos (entre eles o ‘Orçamental’) é insaciável. 
A redenção pelo martírio não é propriamente um caminho consensual entre os povos, nomeadamente, os portugueses.

Na realidade, o que agita a Direita, não são os naturais hiatos que é sempre possível encontrar em qualquer documento político mas, efectivamente, o que está lá escrito. O 'berreiro 'que estamos a ouvir e a ver, nomeadamente através o órgãos de comunicação social, têm exactamente essa origem.

Continuamos a aceitar e a acreditar que todos os partidos integram o regime constitucional em vigor - pertencem ao ‘arco constitucional’ - apesar das recentes tentativas de ‘subversão’ (um termo do léxico da Direita) da Lei Fundamental…
A mudança do esgotado 'arco da governação', cada vez mais circunscrito e restritivo, para um novo 'arco constitucional', mais largo, democrático e inclusivo (para todos os protagonistas políticos) será a pedra de toque para a resolução do actual impasse político.
 
A urgência de realização de novas eleições abundantemente solicitada nos últimos dias pela Direita contrasta de modo gritante com a boutade “que se lixem as eleiçõeslink proferida algum tempo atrás (2012), todos sabemos por quem.

Paris – Atentados

Em Paris vive-se o horror de uma orgia de sangue que, em sete pontos distintos, visaram espalhar o terror, manifestar o ódio e submeter a liberdade.

É cedo para atribuir a origem da bem delineada estratégia de terror. Foi organizada com rigor exemplar, notável eficácia e crueldade insuportável.

É cedo para identificar os autores mas já é tarde para prevenir os danos e não é arriscado dizer que a civilização de que nos reclamamos foi atingida no coração da Europa numa reincidência desmoralizadora.

Se quisermos preservar a democracia, único sistema em que vale a pena viver, seremos obrigados a submeter aos padrões civilizacionais que nos regem todos os que queiram integrar o espaço europeu. Não podemos ficar reféns do terrorismo, seja qual for a sua origem, seja qual for o pretexto, venha de onde vier.

sexta-feira, novembro 13, 2015

Notas de Circunstância 2: De uma democracia para a outra

Notas de Circunstância 2: De uma democracia para a outra: Política : Olhando em redor, a sensação é cada vez mais clara de que andam por aí muitos altos (ir)responsáveis pol...



Vale a pena refletir para que os que leem se sintam também obrigados a fazê-lo.

Pedro Arroja, medíocre político e execrável cidadão

Na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEUP) tornou-se notado o Prof. Pedro Cosme Vieira, ideólogo do deputado do PSD, Duarte Marques, e autor da solução para os refugiados: «Em vez de tentar salvar as pessoas que vêm nos barcos precários, ‘salva-los’ atropelando-os com navios portugueses e, depois, todos os que consigam nadar, meter um tiro em cada um», forma de parar a fuga da «pretalhada» [sic] para a Europa.

Agora tornou-se notícia outro primata de vestes talares da FEUP. Numa das numerosas entrevistas que os canais televisivos transmitem e onde se disputa o lixo tóxico da pior direita, apareceu Pedro Arroja, economista ultraliberal, marialva insolente e misógino.

No Porto Canal, Pedro Arroja referiu-se a três políticas portuguesas, Catarina Martins, Mariana Mortágua e Marisa Matias, como “aquelas esganiçadas do Bloco de Esquerda”. A docência universitária não é incompatível com a boçalidade nem o grau académico é vacina contra o dislate. Pedro Arroja, empolgado, acrescentou: “Eu não queria nenhuma daquelas mulheres, já tenho pensado, eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada!” Inepto para avaliar a inteligência e a cultura bolçou um sarcasmo.

Que seja petulante e boçal é um direito mas não engrandece a Universidade onde pode debitar tamanhas alarvidades. Não é o cérebro que aflige, é o hálito que fede.

Com estes docentes, se a degradação política continuar, pode algum discípulo tornar-se presidente da República. O atual será esquecido tão depressa que não servirá de vacina.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Passos Coelho e a vertiginosa proposta…

Afinal demorou apenas 48 horas. Cá temos o governante demitido pelo Parlamento a pedir a dissolução do órgão de soberania e convocação de novas eleições link
Tudo isto acontece num País onde a Constituição foi repetidamente desrespeitada e passaria, de futuro, a ser um serviço 'à la carte'.

Para tentar reconduzir a coligação de Direita ao poder não haveria custos políticos, sociais ou económicos. O sistema financeiro – tudo indica – estaria disposto a contemporizar. Quantas vezes será preciso repetir as eleições é impossível prever mas de certeza as necessárias para esta coligação chegue a bom porto, provavelmente a bordo de um submarino.

Tudo seria, posteriormente, recompensado com juros e capital, sacrificando as vítimas do costume. Concomitantemente, será de prever que os ‘mercados’ vejam com bons olhos esta tentativa de ‘rectificação’ (seria um novo 'ajustamento') e, inclusive, seria de esperar que as agências de rating  se disponham a melhorar as notações. Ninguém acredita que os venerados 'organismos  internacionais' , com que temos compromissos, não tenham sido consultados.

Cada dia que passa a ignomínia avança desenfreadamente e a coligação de Direita deixa cair a máscara.

Supõe-se que a sinuosa proposta apresentada, hoje, por Passos Coelho, tem o beneplácito de Berlim e dos 2 partidos que integram a coligação. Um deles, por sinal, desde 1976, dentro de uma visão patrimonial, fora do ‘arco constitucional’. 
O que diz tudo sobre os pruridos tecidos à volta das presentes (in)compatibilidades, incentivadas pelos mesmos que ignoram as do passado.


Portas e Coligação: caminhos ‘de futuro’, mas não propriamente ‘com futuro’…

Nasceu um novo partido político: o celebrado ‘Portugal à Frente’. Trata-se de uma coligação eleitoral que, em princípio, deveria dissolver-se com o acto eleitoral. Na realidade, passou a fazer ‘jornadas’ link. Por duas razões: Primeiro, porque pouco mais de 1 mês após a ida às urnas está empenhada na sua repetição (chama-lhe ‘Caminhos do Futuro’); segundo, porque o CDS imerso nas suas contradições dissolveu-se na voragem neoliberal e deixou de ter vida própria.
Estas duas razões são importantes para compreender a actual estratégia da Direita. 
A primeira razão traduz a constatação de que a actual Europa – de dominância do PPE - tenta sempre que as eleições quando não correm bem (na perspectiva dominante) deverão ser repetidas, as vezes necessárias, até obter o resultado desejado por Berlim. Foi assim na Grécia e com o PASOK. 
A segunda razão tem a ver com a arrumação partidária que a situação europeia pretendeu operar, isto é, a completa desorganização da Esquerda, que passaria pela pura destruição da corrente social-democrata, debilitada em toda a Europa e vítima de contradições internas, nomeadamente, na esteira do ‘liberalsocialismo’.

Os programas europeus ‘de estabilidade e crescimento’ centrados em vergonhosos e impositivos ajustamentos mais não trouxeram do que um violento empobrecimento que radicalizou as opções políticas e reflectindo-se na arrumação da vida partidária.
De concreto, o CDS colocou-se sob a tutela do PSD, perdeu completamente a identidade e alijou borda fora quaisquer veleidades demo-cristãs afundando-se no vasto mar do neoliberalismo. 
Quando se ouve a Direita ‘protestar’, nomeadamente os arreganhos de Portas, temos a nítida sensação que estamos perante o anúncio de um naufrágio. De todas as ‘geringonças’ envolvidas são muito prenunciadoras da eminência de um afundamento. Hoje, existe a noção de que a crise que Portas provocou em 2013, e aparentemente conferiu força guindando-o a vice-primeiro-ministro, teve custos internos incomportáveis, levando ao estertor do CDS. É aí que está o verdadeiro ‘prato de lentilhas’.

Todavia, o que incomoda realmente a coligação de Direita são as mudanças políticas que ocorrem um pouco por toda a Europa. Principalmente as não previstas, nem controláveis e que anunciam um fim de ciclo. Na realidade, a Esquerda em Portugal soube conter o processo de radicalização em curso e adoptar uma posição objectivamente realista face ao descalabro europeu e tendo em conta a correlação de forças existente no terreno.

E a Esquerda aparece, aos olhos dos portugueses, capaz de manter autonomias partidárias e doutrinárias (coisa que o CDS não perdoa) e, paralelamente, sustentar, no Parlamento e perante a comunidade europeia e o Mundo, um programa de Governo genericamente classificável como moderado, objectivo e conforme às balizas constitucionais cujo eixo fundamental é o empenho, vontade e capacidade em recentrar as instituições democráticas na valorização e bem-estar das pessoas, do trabalho e dos direitos, à revelia dos interesses imediatos do globalizante sistema financeiro.
É esta uma resposta séria, inteligente e capaz, com ingredientes de sucesso o que realmente incomoda a Direita e a faz assumir o papel de virgem púdica a barafustar no interior do prostibulo que criou. A geringonça mais uma vez está aí.

A Direita sabe que a valorização do trabalho, a reposição de ordenados, pensões e prestações sociais vai reanimar de modo significativo a economia (sem resolver as contradições do sistema) mas, em contrapartida, aumentará os riscos do grande capital que se alegremente se tem dedicado à especulação financeira, aos jogos de casino. É essa perspectiva de sucesso que tanto a perturba.

A Direita está agitada, apressada, possessa e tudo fará, desde Fóruns, Congressos, Colóquios, Coligações, Manifs, etc., para fazer fracassar a (tímida e condicionada) resposta de Esquerda. E o ‘tudo’ significa que não hesitará em trair os ‘interesses nacionais’ que, na habitual e farisaica retórica nacionalista, tanto idolatra. Mas constata também que perdeu um suporte fundamental para fazer vingar o seu programa e a sua influência no País. 
No passado dia 11 de Novembro foi arredada do controlo do aparelho de Estado e com isso perdeu irremediavelmente força e protagonismo. 
E o despeito perturba a clarividência, a (com)postura e faz figuras como Paulo Portas exibir, como sucedeu no fórum do Porto, a face do desespero.

A fátua do aiatola de Boliqueime

O aiatola de Boliqueime solicitou ao xeique de Massamá que orientasse as orações na mesquita de S. Bento e pusesse o vice-mullah a acomodar os amigos. Apesar de serem poucos os devotos e de se acharem fatigados os incréus, o aiatola apelou à dissidência entre os hereges e lançou uma fátua contra os insubmissos.

Nenhum jihadista surgiu a executar a fátua, nenhum quis 72 virgens, rios de mel doce e, quiçá, uma vivenda à beira-céu. Nem um só devoto se voluntariou para transportar bombas da Rua de São Caetano ou do Largo do Caldas para o Largo do Rato, R. Soeiro Pereira Gomes ou R. da Palma. Os jihadistas do ELP e do MDLP já estão em lares ou em perpétua defunção. Só alguns dissidentes se reuniram à porta fechada na Bairrada, pouco Seguros, a marcar lugar para o dia de Juízo Final no Vale de Josafat do próximo congresso do PS. A zitaseabrização de Assis foi o haraquíri prematuro, pouco honroso e mal acompanhado.

Perante a ausência de voluntários para o martírio, o aiatola empossara os seus jihadistas e ajudantes, indiferente aos adversários que o desprezam e que, em inédito ecumenismo, decidiram pôr fim ao califado neossalazarista.

O terrorismo verbal continua nos jornais, madraças juvenis e televisões mas o jejum do poder no longo ramadão da incerteza deixou-os ressentidos e vingativos, mas exaustos.

Reina a incerteza na Europa e no Mundo mas o pior PR, o pior Governo e a pior maioria da segunda República portuguesa já marcaram viagem para Meca a fim de apedrejarem o Diabo. Precisam de longo jejum do poder para se civilizarem e cumprirem o primeiro pilar, acreditarem nos programas dos seus partidos.

Na última terça-feira foi celebrado o requiem por esta direita. Aguarda-se que a direita civilizada regresse aos partidos de que foi expulsa pelos extremistas que os confiscaram.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 11, 2015

Patrioteirismo balofo …

Se fosse necessário escolher um dado relevante sobre a pequenez do Governo, nomeado pelo Presidente da república e rejeitado no Parlamento, bastaria ver, ler e ouvir a nossa comunicação social. 
Ninguém diz absolutamente nada sobre o programa de Governo apresentado pelo PSD e CDS. Trata-se de um documento que não diz – nunca disse – absolutamente nada aos portugueses. 
É difícil e penoso compreender como um programa de Governo que é um instrumento  fundamental para entender como os alicerces de uma putativa governação pode transformar-se, na prática, num bafo tão vazio e irrelevante.
Toda a artilharia dos media está virada para o acordo da Esquerda, na tentativa de encontrar fragilidades, omissões e contradições ou, na sua ausência, perorar sobre cenários dantescos e apocalípticos.

A ‘missão’ da Direita é criar, alimentar, inventar e divulgar a descrença para reavivar os medos e intimidar as pessoas. 
Tem feito isso cá dentro e prepara-se para o exportar para a Europa e as suas instituições (como revela o comunicado do PPE link) o dislate que tão laboriosamente construiu durante 4 anos.

Finalmente, esta Direita despeitada, desorientada e enfeudada pretende apresentar-se aos portugueses como ‘patriótica’. Como se o dinheiro e os interesses tivessem ‘Pátria’.