O ambiente concentracionário dos conventos


Não me permito com títulos de caixa alta dos jornais fazer julgamentos que cabem aos tribunais e, mesmo que venha a provar-se a prática de esclavagismo, no ambiente pio de conventos, não generalizarei.

O que sempre me incomodou foi a displicência com que o Estado permite à Igrejas uma impunidade e privilégios que nega a outras organizações. Se um padre e algumas freiras são capazes de exercer sevícias sobre noviças é um crime hediondo mas igual ao que em outros locais e com outras gentes pode ser cometido.


O que não pode deixar de merecer séria reflexão é a sanidade mental de quem se isola da vida e do mundo, os motivos e, sobretudo, a liberdade de opção. Aliás, a liberdade individual é um direito irrenunciável e a clausura, ainda que voluntária, um atentado.

Os antecedentes dos conventos da Irlanda que os tribunais encerraram deviam fazer-nos pensar em Portugal, onde a Concordata transformou em protetorado o País, concedendo privilégios intoleráveis e isenções fiscais intoleráveis.

As heranças deixadas a instituições pias jamais são objeto de investigação judicial e não saberemos quando foram transmitidas de livre vontade ou extorquidas.

Não pode haver um Estado dentro de outro.

Comentários

Rosalvo disse…
O enciclopedista Diderot (1713-1784) descreveu isso muito bem em "A Religiosa" - a Igreja não aprendeu. É uma questão de féde mais.
e-pá! disse…
Bem, não é preciso ir tão longe.
Basta ficarmos pelo nosso Vergílio Ferreira e a sua 'Manhã Submersa'...

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