Salazarismo manso

Sendo o PS o partido charneira compreende-se que seja o seu secretário-geral o líder do Governo que vier a formar-se. A legitimidade de fazer alianças, à esquerda ou à direita, não pode ser limitada por grupos de pressão e só à AR cabe aceitá-las ou recusá-las. Fora da AR não há democracia política, há revoluções e contrarrevoluções. Não parece que umas ou outras se justifiquem ou possam ter êxito no atual contexto.

O terrorismo oratório de Cavaco Silva, quando da indigitação de Passos Coelho, serviu de diapasão para pessoas que supúnhamos democratas desatarem a gritar que ganharam as eleições. Se ganharam, formem governo. Se não ganharam, não chantageiem.

Independentemente do governo que vier a formar-se o País fica a dever a António Costa a demarcação da fronteira entre os que aceitam e os que recusam a democracia política.

Quando julgávamos superados os tiques salazaristas, caiu a máscara a quem se enfeitava com as penas coloridas da democracia.

O CDS, não tendo com quem se aliar à direita, aceitando que este PSD está à esquerda da associação do Largo do Caldas, pode aliar-se à esquerda, tal como o PSD. Por que motivo não o pode fazer o PS?

Salazarismo é aceitar que há partidos do arco do poder e que as eleições só legitimam alguns. Cavaco Silva quis acabar sem dignidade o mandato e voltou a ser um «mísero professor» como a si próprio se definiu quando só dava aulas, sem ter ainda chegado aos negócios mobiliários e imobiliários. De facto, quem diria, está a fazer escola mas o integralismo lusitano precedeu-o.

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