A excursão presidencial à Madeira

Seria injusto pensar que a excursão voluntária de Cavaco Silva à Madeira se deve a uma homenagem à viagem a que Tomás foi obrigado na sequência do 25 de Abril. Então foi a mudança do regime que, por higiene e segurança, obrigou à deslocação do último PR da ditadura fascista, agora é o PR que gostaria de mudar o regime que voluntariamente se desloca.

O que causa perplexidade não é o passeio, é a inoportunidade. É provável que não se dê conta do prejuízo que causa ao País, da intranquilidade que grassa e da crispação social que causa.

Quem, depois de resolvido o problema do Governo na Assembleia da República, único local adequado e legítimo, ainda se recreou a ouvir várias corporações, alheio à CRP e à urgência, certamente que o País é a última das suas preocupações.

No ocaso das funções para cujo exercício lhe minguou sensibilidade, estofo e cultura, a viagem à Madeira é a ausência do cargo que, em boa verdade, nunca exerceu. Não foi mais do que um porta-voz da última coligação de direita, extremista e de má memória.

Não tendo percebido que a ingerência nas últimas eleições foi grave quebra da isenção que devia ao cargo, não compreendeu que foi o principal derrotado. O ressentimento em que reincide, torna-o ainda mais detestável.

Podia fingir que é democrata.

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