Notas Soltas - outubro / 2015

Alemanha – A reunificação foi há 25 anos. O que a Europa e a URSS consentiram – e bem –, merecia que o muro caído fosse o último e que o País unificado não estimulasse a desintegração da Jugoslávia nem fosse cúmplice da destruição da Sérvia.

Síria – A eficácia de Putin no combate ao terrorismo, em geral, e ao Estado Islâmico em particular, reabilitou o autocrata russo para o primeiro plano da cena internacional com autoridade acrescida para se opor ao cerco que a Nato lhe faz através da Ucrânia.

Estado Islâmico – A crueldade é a sua arma mais eficaz na sedução do mundo islâmico e até de jovens europeus. A demolição do milenar Arco do Triunfo de Palmira mostra o horror que a arte, a cultura e a arqueologia lhe merecem.

Turquia – A repressão policial e as restrições à liberdade antecederam as eleições com que Erdogan pretende alterar a Constituição e continuar o processo de reislamização, de que nunca desistiu. Mais uma tragédia a cercar a Europa.

Democracia – Pires de Lima, proeminente militante do CDS, sugeriu em um programa televisivo a ilegalização constitucional do PCP. A democracia faz-se com democratas e não com os que teriam sido salazaristas na ditadura ou se conformariam.

Cavaco Silva – Ao assumir como sua a agenda do PSD, dilatando a legislatura até ao máximo legal, tornou-se o único responsável pelos graves prejuízos da ausência de um Orçamento de Estado, em tempo oportuno, para o País e para enviar a Bruxelas.

Angola – Em África, ainda é o país mais próximo de um Estado de Direito, mas não se podem esquecer os graves atropelos aos direitos humanos. Como disse Saramago sobre Cuba, “Até aqui cheguei”. Em crise económica, a liberdade foi a primeira sacrificada.

Ricardo Salgado – Pode ter sido o único português a reunir em casa, para o lançamento da primeira candidatura do ainda PR, este, o próximo e o preferido dos serviços secretos europeus e americanos, respetivamente Cavaco, Marcelo e Durão Barroso. Boa gente!

PS – Se o partido, sob obstinada chantagem, renunciasse ao direito de se aliar à direita ou à esquerda, tornar-se-ia um mero ornamento do PSD, tão irrisório quanto o CDS de Paulo Portas.

Nomeações políticas – Igualmente lamentáveis, os precedentes não legitimam a criação de lugares da função pública para colocar amigos, como fizeram Passos Coelho e Portas durante o período eleitoral. Revelaram nepotismo e total ausência de sentido de Estado. 

Passos Coelho – A designação de Marco António Costa, vice-presidente do PSD, para porta-voz do partido, tal como o elogio ao empreendedor Dias Loureiro, mostra o nível de exigência ética do líder da coligação de direita.

MRPP – O despejo do ‘traidor’ Garcia Pereira e o regresso do histórico Arnaldo Matos, “grande educador da classe operária”, transporta-nos ao tempo em que Durão Barroso era um provocador a causar problemas à Revolução de Abril.


Nuno Melo – O solitário eurodeputado do CDS usa os discursos para defender as ideias do falecido tio, cónego da Sé de Braga, sem recorrer a métodos mais ativos que partiam do cabido e nortearam o ELP e o MDLP. São preferíveis as palavras. 

Cavaco Silva – A indigitação de Passos Coelho para PM ocorreu no uso de um legítimo direito mas o violento monólogo de ódio e ressentimento contra os partidos de esquerda, traiu o dever de isenção assumindo-se como mero comissário político da sua coligação.

Ferro Rodrigues – Depois da campanha reles para o associar ao escândalo sexual Casa Pia, subterfúgio para o prejudicar como potencial PM, a eleição para Presidente da A. R. ressarciu-o, por voto secreto, da calúnia torpe.

Democracia – Os resultados eleitorais e o respeito por todos os partidos, sem exceções, como genuínos representantes do povo, não permitem exclusões de quem herdou tiques salazaristas que se julgavam extintos com o 25 de Abril.

ONU – Fez 70 anos e reúne quase todos os países soberanos. Os seus objetivos globais de paz, cooperação, segurança, desenvolvimento económico, progresso social e direitos humanos, só parcialmente têm sido alcançados, mas pior seria se não existisse.

Vaticano – O sínodo sobre a família expôs as fraturas da Igreja católica, entre um Papa aberto ao mundo e o mundo fechado do clero, mas as igrejas concorrentes mantêm-se obstinadas a perpetuar os valores (i)morais da Idade do Bronze. 

Tony Blair – O ex-primeiro-ministro britânico, numa entrevista à BBC, assumiu erros que levaram à invasão do Iraque. Quando pedirão desculpa os cúmplices do crime que desestabilizou o Médio Oriente, criou o Estado Islâmico e provoca fugas em massa para a Europa?

Polónia – A vitória eleitoral do partido de extrema-direita, Lei e Justiça (PiS), xenófobo e antieuropeísta, é uma tendência na União Europeia onde se castiga qualquer viragem à esquerda e o neofascismo é deixado à solta. 

CDS – Paulo Portas ao acusar o PS de falta de europeísmo, revela amnésia e desfaçatez. O CDS foi expulso, por esse motivo, da Internacional Conservadora e Democrata-cristã e o regresso só foi aceite a pedido do PSD, para integrar o governo de Durão Barroso.

CGTP-IN – A convocação de uma grande concentração, no dia 10 de novembro, junto à Assembleia da República, sendo um direito inquestionável, é uma decisão inoportuna, infeliz e prejudicial face às circunstâncias políticas do momento.

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