NOTAS SOBRE A DECLARAÇÃO DE PASSOS COELHO

Passos Coelho falou aos País. Dado o pouco tempo decorrido sobre as suas assassinas declarações, vou limitar-me a fazer, de improviso, umas breves notas avulsas sobre estas.

Como é habitual, veio dar más notícias. Mais do mesmo. Mais austeridade, sempre a caír sobre os mesmos. Omitiu, é claro, o facto de a "necessidade" dessas medidas de austeridade se dever única e exclusivamente à incompetência do seu governo e ao inevitável fracasso das suas políticas ultra-liberais . Justificou, com a sua habitual desfaçatez, a adoção dessas medidas com o alegado objetivo de criar emprego, quando é mais que evidente que elas só criarão mais desemprego e mais recessão.

Com inaudito descaramento, rouba aos pobres para dar aos ricos. Com efeito, aumentou em 7% a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social e ao mesmo tempo diminuíu a dos patrões. Isto é: na prática, tirou dinheiro do bolso dos empregados para o meter no bolso dos seus patrões.
Isto significa ao mesmo tempo uma mal encapotada redução dos salários em 7%. Redução essa que representa um novo imposto de 7% sobre os salários. Imposto esse ainda por cima injustíssimo, como sublinhou o Doutor José Reis, diretor da Fac. de Economia de Coimbra - hoje citado no Diário de Coimbra - por ser "um novo imposto com uma taxa única". Isto é : a taxa do imposto é igual tanto para os que ganham 500€ como para os que ganham 5.000€. A coisa viola mesmo grosseiramente a Constituição, segundo cujo art. 1o7 o imposto sobre o rendimento pessoal deve ser progressivo.

O Governo continua pois a assumir-se descaradamente como lacaio dos muito ricos; os Belmiros, os Alexandres Soares de Sousa e todos os banqueiros estão a esfregar as mãos de contentes!

Por outro lado, distorce a decisão do Tribunal Constitucional sobre o confisco dos subsídios de férias e de Natal, pois acaba por substituí-los por outros cortes e mantê-los, pelo menos em parte. Além disso, introduz uma insuportável e criminosa desigualdade: a supressão dos dois subsídios mantém-se como até aqui para os pensionistas e reformados!

Por ora fico-me por aqui. Outros virão certamente dizer mais e melhor.

Só me pergunto mais uma vez, mas infelizmente cada vez com menos esperança: até quando suportará o "paciente" povo português estes roubos e exações?


Comentários

Antonio disse…
E o PR? Que posição tomará?
Cair-lhe-á novamente a máscara?
e-pá! disse…
Para muitos portugueses as medidas ontem anunciadas são absolutamente iníquas e mostram (da parte do Governo) uma evidente má fé em relação ao cumprimento do acórdão do TC.

Agora, a bola está do lado do PR. Já passou pela humilhação de ter promulgado o OE para 2012 com medidas que o TC viria a 'chumbar'.
Repetir o erro seria demasiado desastroso para o País e para o próprio. Seria a evidencia que o exercício do poder perdia todo o tipo de moderação. É no que dá: uma maioria, um Governo e um Presidente.

Temos, no entanto, de levantar a hipótese de o Governo estar a utilizar uma estratégia macabra. Isto é, se estas 'novas' medidas forem novamente 'chumbadas' aguarda que lhe dêm um período de carência até ao final de 2013. E assim de "chumbo em chumbo" vai espoliando os portugueses (alguns) até ao saque final. Isto é, até destruir o regime (democrático e constitucional).
Por estas razões o que se passou ontem não é uma estouvada garotada. É uma retumbante canalhice ou uma redobrada sacanice (se preferir).

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