Os proxenetas de Sócrates

Poderão interrogar-se os leitores por que motivo não alvitro ou peroro sobre a detenção de Sócrates, mas o que pode dizer quem ignora factos e apenas conhece o que dizem os que deviam guardar segredo e as câmaras de ressonância de quem procura tirar partido do frete ou satisfazer ódios pessoais?

Há quem se babe de gozo pela humilhação infligida a um adversário e quem aproveite a oportuna prisão preventiva para antecipar a campanha eleitoral contra o partido de que foi secretário-geral e com o apoio do qual foi PM. Haverá coisa melhor para esconder a governação miserável deste Governo, a cumplicidade presidencial e os desmandos dos banqueiros que construíram a reputação deles e destruíram Portugal?

Enquanto prescrevem, por falta de esclarecimento, processos cujos corruptores já foram julgados e os corruptos passaram incólumes, que melhor maneira para proteger, quem já devia ter sido julgado em eleições, do que assassinar na praça pública o carácter de um rival esquartejado e servido em postas a cães que ladram rumores e uivam insultos?

No PS, os que ora entram, ora saem, sempre à espera do seu momento, e muitos que lhe devem a gamela onde sempre refocilaram, prestam-se a ser aliados deste Governo sem rumo, sem programa e sem outro objetivo que não seja destruir o Estado. Sócrates é um preso apetecível para quem despreza os factos e se baba de gozo com os dividendos que rende. Para esses, a Justiça é um pretexto e os factos um interesse de sentido único.

Também aqui a decadência ética se verifica entre os crápulas capazes de dar coices num preso e incapazes de levantar a mão a um carcereiro. Sou dos raros portugueses que, não conhecendo os factos, não emito opinião sobre acusações postas à candonga nos jornais.

Quem quer justiça, deve calar-se; quem deseja esconder os seus continuará a gritar.

Comentários

Ricardo Amaral disse…
Sem dúvida,seja como for(com provas ou sem provas) quem se lixa é mesmo o mexilhão(cada vez em maior numero)e o país de há pelo menos 20 anos para cá.
A Justiça nunca foi julgada depois do 25 de Abril. Há juízes que têm saudades do tempo em que se respaldavam no poder político.
O que se vive hoje na justiça portuguesa é assustador: ineficiência para o essencial, eficácia para a luta política partidária.
Gostei do vosso texto.
Um poder não escrutinado exige maior vigilância, Joaquim Moedas Duarte.

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