A FRASE

A FRASE

«A pena de morte representa um fracasso, porque obriga a matar em nome da justiça e porque nunca haverá justiça com a morte de um ser humano».

(Papa Francisco, em carta entregue ao presidente da Comissão Internacional Contra a Pena de Morte)

Doutrina da Igreja católica – Cânone n.º 2267 do Catecismo

2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor.

O rompimento do Papa com a doutrina tradicional da Igreja de que é o sumo pontífice, não prova a existência de Deus mas é um avanço civilizacional do catolicismo romano cujo passado foi tantas vezes causa de sofrimento inútil e crueldades impensáveis.

Nenhuma religião pode reivindicar a verdade dos mitos que a criaram mas é inegável o efeito benéfico que os líderes religiosos podem exercer. Seria um avanço enorme para a paz e a democracia se todos os dignitários religiosos partilhassem esta posição inédita da Igreja católica.

Obs.: A última edição do catecismo da Igreja católica é de João Paulo II e à sua autoria não foi decerto alheio o cardeal Ratzinger, então prefeito para a Sagrada Congregação da Fé (ex-Santo Ofício).

Comentários

José Lourenço disse…
Não há nada de inédito nesta posição do Papa.
Há muito que é aceite na Igreja que as circunstancias mudaram e hoje a pena de morte já não é necessária como foi no passado.
José Lourenço:

Este Papa é o primeiro a condenar a pena de morte e, no catecismo oficial, ainda continua.
José Lourenço disse…
O Papa não condenou a pena de morte. A Igreja desde sempre admitiu a possibilidade da pena de morte é um dos seus ensinamentos mais antigos reafirmado por todos os papas catecismos e teólogos mais influentes de Agostinho a Aquino.

Mas o catecismo diz expressamente no final " se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor".

Portanto o que mudou foram as circunstancias no passado não havia possibilidade de defender vidas humanas de um injusto agressor porque não existiam sistemas prisionais como hoje que permitem retirar do convívio social um criminoso por tempo indefinido além do mais a esperança média de vida também era muito mais baixa pelo que a possibilidade de reabilitação era menor no passado as pessoas viviam 30, 40 anos em média hoje vivem o dobro e obviamente um homicida com 20 anos não será o mesmo homem aos 60 a possibilidade de reabilitar essa pessoa é hoje muito maior. É preciso também ter em conta a possibilidade de erro do sistema judicial que é hoje muito maior.

Porém a possibilidade da pena de morte vai sempre existir se esta for o único modo de preservar a vida inocente e isso a Igreja nunca irá condenar pois defender a vida inocente com a força que for necessário incluindo ter de matar o agressor é um ato bom aos olhos da Igreja o que inclui a legitima defesa e a Guerra justa contra um agressor.

O que o Papa Francisco disse foi em linha com as colocações que João Paulo II e outros papas do Séc. XX já tinham feito a pena de morte nos dias de hoje deve ser evitada porque hoje as circunstancias são outras sendo possível preservar os inocentes dos criminosos sem ter de retirar a vida ao criminoso.

Nada mudou portanto.

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