Quo vadis, Europa?

Que é feito de ti, bela Europa, filha de Argenor, por quem Zeus traiu Hera e, disfarçado de touro, levou para Creta para te amar e fazer filhos?

Que é feito de ti, dileta do pai dos deuses e dos homens, abandonada a usurários que te violam numo vão de escada de agiotas e abandonam à concupiscência do liberalismo?

Esqueceste os filhos da mitologia grega, Minos, Radamanto e Sarpedão, mas deste-nos o Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa. Deixaste-nos primeiro os ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e, com eles, a ciência, a técnica e a cultura com que fizeste feliz quem nasceu em ti.

Tal como Fídias, sob Péricles, esculpiu o mármore em êxtase, tu criaste uma sociedade talhada com o cinzel da liberdade na pedra da tolerância. As artes, a ciência e a cultura brotaram de ti, grávida de Zeus, para deleite humano. Como pudeste esquecer a região da Ática onde Atenas guarda, há 3.400 anos, o porto de Pireu, hoje à venda, para matar a fome dos que vivem no berço da civilização que herdaste?

Não se pode entregar a Acrópole ao Banco Central Alemão nem o futuro da civilização à Prússia. A Europa não nasceu no Portão de Brandeburgo e não pode ser abandonada, exangue, à frieza teutónica ou à irascibilidade prussiana.

A Europa, laica e democrática, só sobreviverá inteira, e morrerá em cada povo que seja abandonado, em cada pobre que pereça de inanição, em cada nação que deixe soçobrar.

Ponte Europa / Sorumbático

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