A lista VIP da Autoridade Tributária

Num país disfuncional, onde os diretores-gerais apresentam a demissão para evitar a dos ministros, como aconteceu com o Comandante-Geral da PSP que seria substituído pelo que, na sua atuação, deu origem à demissão, cria-se um lugar político para os abnegados mártires. Na PSP, hoje com 13 oficiais equiparados a generais de 3 estrelas, arranjou-se um lugar… em Paris, por 12 mil euros mensais, para o desprendido demissionário.

A demissão do responsável máximo da Autoridade Tributária, um diretor-geral, tem certamente à espera uma sinecura à altura do sacrifício. Imolou-se no altar da hipocrisia ao serviço da degradação ética do regime que este Governo e esta maioria, à rédea solta, levam a cabo, com o PR preso curto.

Um país onde o segredo fiscal, à semelhança do de justiça, é para ser violado, protegem-se os amigos, hoje os deste Governo, amanhã os do próximo. O sigilo fiscal era a prática dos funcionários de Finanças como os pagamentos à Segurança Social e ao fisco o eram dos governantes. Hoje é a arma de serviço… partidário.

Mudam-se os tempos e, quando as trapalhadas da Tecnoforma estavam no auge, com o PM esquecido da formação dos técnicos de aeródromos e heliportos, aparece a lista que não existiu e cuja violação deu origem a inquéritos e à demissão de um diretor-geral.

A lista, que devia ter os nomes de todos contribuintes, só tem os de alguns e nem sequer existe. O diretor-geral demitiu-se por masoquismo, o formador dos novos inspetores só a referiu para advertir que, em termos fiscais, todos somos iguais mas há alguns que são mais. De futuro, quando um inspetor tributário tropeçar em sinais exteriores de riqueza de um alto dignitário da situação, não se atreverá a ir mais além. E, porque a oposição pode ser Governo, é melhor não arranjar problemas, há a mulher, os filhos, a política é o trabalho.

Este episódio é tão enigmático como a troca de vivendas, uma velha por outra moderna, melhor situada e com mais amplo logradouro, isto é, a permuta da vivenda Mariani pela Gaivota Azul, sem tornas, um belo negócio de um ‘mísero’ professor que viria a ser PR.

Quem sabe se a solidariedade do PSD, que emergiu no caso dos submarinos para com Paulo Portas, não submergiu agora na luta intestina para embaraçar o CDS cujas vítimas da lista VIP são bem-vindas até outubro.

Nada nos pode espantar.

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