Netanyahu, Kerry, os colonatos, o antissemitismo e o Grande Israel…

Finalmente, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse alguma coisa de novo (de diferente) sobre as relações com Israel.
Não tudo o que poderia ser dito (ou pensado), como exigem os protocolos diplomáticos.

Para além de sublinhar as ajudas dos EUA a Israel, nomeadamente em armamento, teve necessidade de sublinhar que, na ONU, durante os 2 mandatos de Obama, os Estados Unidos votaram sempre alinhados com os interesses de Israel. Revelou, no entanto, que a questão dos colonatos se tornou uma ‘linha vermelha’ nas relações entre os dois países link. Seria bom que esta dedução linear de John Kerry não fosse tomada como uma atitude a roçar o antissemitismo.
 
Na conferência proferida por John Kerry este reconheceu que: “The status quo is leading toward one state and perpetual occupationlink.
O problema é exatamente esse. Trata-se do 'não-reconhecimento' da efetiva coexistência de 2 Estados, decisão da ONU, que foi ratificada em diversos acordos entretanto assinados entre Israel e a Autoridade Palestina, e que o atual Governo israelita – por pressão da extrema-direita religiosa aí representada - não quer admitir.
 
Na verdade, a solução dos dois Estados tem sido a base de todas as negociações sobre o conflito israelo-palestino. É pelo facto que o atual governo israelita estar no terreno a torpedear este consenso (internacional) que as absurdas reações à recente resolução do CS da ONU vêm ao de cima com uma violência verbal inaudita. Por mais dissimulações que se façam há sempre uma altura em que o verniz estala.
 
Será importante repor as coisas no seu lugar. O que Netanyahu pretende levar a cabo é esvaziar a Palestina de território com a promoção desenfreada de novos colonatos e depois concluir que sem espaço territorial não há razão para admitir a existência de um Estado.
Este é o resultado de uma coligação do Likud (direita conservadora) com o partido ultranacionalista Bayit Yehudi (religioso). A coligação aposta no (bíblico?) "Grande Israel", onde os palestinos viveriam numa Palestina transformada em ghetto, como súbitos.
 
Esta solução gizada por Netanyahu para a Palestina, embora não se revista da crueldade e nem do profundo carácter anti-humanitário que fustigou no passado os judeus (Holocausto) apresenta contornos que se assemelham a um outro tipo de 'solução final' (para os palestinos). 
 
Por último, seria de esperar que o início do mandato de António Guterres, como Secretário-Geral da ONU, pudesse dispensar mais este imbróglio. Mas como diz o próprio "é a vida"!

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