UE/Modávia: A Leste nada de novo….

2016 foi um ano negro para a UE. Passando ao lado da crise dos refugiados que é uma catástrofe importada da situação que se vive no Médio Oriente e no Norte de África (onde o Ocidente não consegue sacudir as culpas no cartório), sobressai o Brexit como o grande abalo na coesão europeia.
As pretensões de extensão da UE, nomeadamente a adesão de novos países a Leste, política que foi iniciada durante o mandato de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, estão a revelar-se absolutamente desastrosas. O que está de acordo com a distorcida e vesga visão política do atual diretor (presidente) do banco Goldman Sachs.

Num claro assédio à Rússia, na realidade, o pivot dessa área geográfica (Leste europeu) a Comissão Europeia apostou na ‘desrussificação’ do regime ucraniano, apoiando os protestos contra o ex-presidente Yanukóvytch. A sua destituição teve várias consequências a primeira das quais a anexação da Crimeia e a perda de controlo do Leste do País, mas a médio prazo a aproximação no novo poder instalado em Kiev à União Europeia, passados os primeiros fogachos, revela-se bastante problemática. Pelo meio as sanções da UE contra Moscovo (ainda em vigor) revelaram-se com consequências políticas e económicas importantes e difíceis de reverter e cujo saldo - em relação à Europa - não é fácil de apurar.

Ao problema da Ucrânia junta-se agora o da Moldávia. Em 2014 o Governo de Quichinau assinou um Tratado de Associação com a UE. Segundo o método habitual, isto é, sem uma consulta popular. O novo presidente da Moldávia, Igor Dodón, o primeiro eleito por voto popular direto (depois da dissolução da URSS), quer reverter a estratégia adotada desde há 3 anos link .
Para além desta situação política externa a Moldávia está confrontada com problemas internos, nomeadamente na região do Dniester, onde existem movimentos cívicos favoráveis à integração (total ou parcial) na Roménia.

Dodón faz, liminarmente, um balanço negativo da adesão à UE, nomeadamente, em termos de trocas comerciais. Reafirma que o parceiro comercial por excelência da Moldávia é a Rússia. Pretende realizar um referendo para definir a situação que é muito instável nomeadamente na região da Transnístria muito ligada a Moscovo.

Na verdade, após uma queda nas exportações da ordem dos 50%, decorrente da associação à UE, por força das restrições impostas por Moscovo em resposta às sanções de Bruxelas, a crise económica está a instalar-se sub-repticiamente (num dos países mais pobres da Europa). Quando a baixa de exportações tiver reflexos orçamentais nítidos, Igor Dodón, um socialista oriundo das hostes comunistas, conhece bem a receita europeia para estas situações: Austeridade.

Não vai, portanto, para a UE, ocorrer nada de novo (nem de bom) na frente Leste. E se acontecer o previsível será o pródigo regresso da Moldávia aos braços de Moscovo.
Mas só será assim se os ‘unionistas’ (favoráveis a uma integração com a Roménia) não desencadearem um conflito interno… Daí a uma situação semelhante à Ucrânia vai um pequeno passo.

Resumindo: Esta é a herança de Barroso que sempre se mostrou muito ‘apressado’ (interessado) em alargar a UE para Leste. O cerco montado a Putin começa a desfazer-se em concomitância com o desabar das políticas emanadas de Bruxelas.

Comentários

Barroso era um serventuário dos Republicanos dos EUA e essa era a política que executava.

Mensagens populares deste blogue

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Nigéria – O Islão é pacífico…

A desmemória e a dissimulação