Dias Loureiro, Oliveira e Costa & C.ª

Não se arquivam processos com suspeitas no ar. Ou há provas, e acusa-se, ou não há, e arquivam-se. Simplesmente. Não cabe ao Ministério Público julgar. Ponto final.

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Quem julgava Dias Loureiro reduzido à indigência, como asseverado pela comunicação social, compreende agora que o impoluto empreendedor se tivesse precavido quanto à perseguição da Justiça e ao resultado incerto do inquérito de 8 anos, acautelando os bens.

É legítimo supor que a perseguição se deva às relações de amizade com Cavaco Silva de quem foi Conselheiro de Estado e obrigado a resignar sob suspeitas infundadas. Aliás, a confiança inabalável do ex-PR, que o dispensou contrariado do Conselho de Estado, não impediu Passos Coelho de o ter como conselheiro político e de o apontar como modelo de empreendedor.

Suspeitar de crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada num distinto banqueiro, só porque perdeu a totalidade do investimento na compra de 25% do capital da sociedade Biometrics, de Porto Rico, é uma ofensa a Dias Loureiro que, até, já tinha esquecido a viagem. Foi como duvidar da bondade cristã dos perdões fiscais de Oliveira e Costa ou da sua generosidade e bom gosto quando, respetivamente, subsidiou a campanha eleitoral de Cavaco Silva ou comprou os quadros de Miró.

Suspeita-se que terá sido a poderosa rede do PS, denunciada na última aventura literária do ex-PR, a insinuar que a permuta sem tornas da vivenda Mariani pela Gaivota Azul, podia ser um caso de fuga ao fisco e/ou de corrupção quando a Quinta da Coelha, que alguns maliciosamente julgaram um antro de corrupção, foi, afinal, um oásis de sucesso do empreendedorismo luso.

A protelação do arquivamento do referido inquérito a Dias Loureiro e Oliveira e Costa, que justamente estarreceu o primeiro, pode ser vista como ato deliberado para impedir os experientes banqueiros de se candidatarem à compra do Novo Banco.

Não é justo.

Comentários

Jaime Santos disse…
Sim, pobre Dias Loureiro :-). Mas, agora a sério, eu fico-me por aquilo que o Carlos Esperança disse no início. Se não há provas sólidas para acusar Loureiro, o inquérito deve ser arquivado, a bem do Estado de Direito e independentemente do que pensemos da personagem. Se amanhã acontecer o mesmo a Sócrates e o seu inquérito acabar igualmente arquivado, haverá seguramente alguém da Direita a escrever uma peça em toda semelhante à do Carlos e quem poderá censurá-lo?
Jaime Santos:

Pôs o dedo na ferida. Um despacho destes serve para destruir o carácter e para permitir que a opinião pública deixe de pautar-se por factos e passe a construir-se por impressões.

O processo de Sócrates, independentemente dos factos, será visto consoante a simpatia partidária das pessoas e não de acordo com os factos apurados.

E, já agora, com aquilo que o MP quis que se soubesse nunca mais será feita justiça imparcial a agentes políticos. Seja a Sócrates, a Dias Loureiro ou a Cavaco Silva.

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