Passos Coelho: Ressabiamento duradouro e inevitável alienação …

Passos Coelho, dirigente do PSD, tem feito ‘aparições’ pelo País para apoiar os candidatos autárquicos do seu partido. Na maioria dessas programadas intervenções aproveita para perorar sobre a situação política nacional e enveredando por passes mágicos tenta acenar às plateias que o seguem a emergência de um mítico ‘Inferno’ que continua à espera de um relapso (e refractário) diabo. 
 
Recentemente, em Arganil, voltou a usar este estratagema. Afirmou: “Muitas pessoas tiveram receio e desconfiança da solução adotada” link.
 
A ‘solução adotada’ é mais do que o Governo PS (com o apoio de toda a Esquerda parlamentar), já que sistematicamente omite o ressabiamento nascido da oportunidade que a Democracia proporcionou ao País para a aplicação de políticas alternativas (que sempre negou existir) e que passam pela rejeição em prosseguir uma política neoliberal que estava subjacente ao encapotado programa político com que se apresentou nas eleições em Outubro de 2015.
 
Estas serão as ‘muitas pessoas’ que, mais uma vez, invocou em Arganil. ‘Muitas pessoas’ serão os imperfectíveis militantes do seu partido e, mesmo neste caso, nem todos. Os putativos seguidores do líder do PSD serão os eventuais ‘consumidores’ desta lengalenga.
Todavia, os números (que Passos Coelho tão repetidamente usou e abusou no seu consulado de parceria com a troika) estão longe de confirmar as metódicas ‘desconfianças’ invocadas, já que o ‘índice de confiança dos consumidores’, publicado pelo INE (Abril 2017) link, revela que o mesmo continua a subir e atualmente apresenta o valor mais elevado desde Outubro de 1997 (há 20 anos!).
 
Por outro lado, e deixando de lado a ‘desconfiança’ infundamentada, o dirigente do PSD invoca um indefinido ‘receio’ dos portugueses, na realidade, a antecâmara do ‘medo’. Não terão sido propriamente as pessoas a terem receio da solução encontrada mas toda a imagem dantesca que a Direita teceu á volta de uma solução que acabou por arrasar um mitológico determinismo político denominado por ‘arco da governação’.
 
Na verdade, o ressabiamento de Passos Coelho ultrapassa a questão política e desemboca num quadro psicológico (patológico) que começou a ser divulgado em Portugal com o fim da guerra colonial e é conhecido como ‘stress pós-traumático’. 
 
O dirigente do PSD nunca foi capaz de distinguir a situação entre ter sido o partido mais votado e o facto de essa circunstância não lhe proporcionar atingir uma maioria para governar. Na madrugada de 4 de Outubro 2015 terá sonhado que seria capaz de continuar a governar enjeitando as consequências dos 'ajustamentos neoliberais' que protagonizou e o futuro o iria desresponsabilizar. Julgou que o resultado eleitoral colocava insofismavelmente o PS como um manietado refém de opção neoliberal que 'sonhava' continuar impunemente a aplicar. 
Ficou, portanto, muito aquém da capacidade de proceder a uma avaliação política objetiva - que a campanha eleitoral já tinha dado suficientes indícios - e, pior, colocou-se fora de qualquer contribuição capaz de conduzir a um desfecho democrático que estava implícito e politicamente expresso nos resultados das eleições legislativas de 2015. Isto é, foi incapaz de interpretar que o País rejeitava um 'ajuste' que passou 4 anos a vender como temporário e excecional numa 'solução definitiva'.
 
Este o ‘trauma’ que há cerca de 2 anos se colou à pele de Passos Coelho e continua a ensombrar a sua mente.
Como sabemos a partir dos 2 anos de prevalência o ‘stress pós-traumático’ passa a ser considerado uma ‘modificação duradoura da personalidade’ onde não é raro que a ‘desconfiança sistemática e obsessiva’ conduza a ‘ideações paranoides’.
 
Na última ‘aparição’, em Arganil, foram exibidos indícios (sintomas) preocupantes sobre um eventual trânsito neste caminho ('wrong way') que, frequentemente, conduz à alienação.  

Comentários

Excelente diagnóstico clínico e político.

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