Marcelo e a mensagem de Ano Novo

O PR, cumprindo a liturgia do calendário e da função, encontrou a substância necessária e a forma adequada.

Não foi demasiado frívola nem excessivamente parcial. Lembrou as vitórias do Governo e as desgraças do País no ano que findou. Não esqueceu as vítimas que um carvalho do adro de uma igreja, caído sobre os devotos, provocou numa procissão da Madeira, como não esqueceu, justamente, os mortos dos incêndios continentais.

O apelo para que se previnam as tragédias é um desejo óbvio de quem ama o povo a que pertence e que o elegeu. Não vi má fé ou partidarismo numa das suas mais equilibradas e conseguidas mensagens ao país, sendo esta uma obrigação institucional.

Atacar o PR por esta mensagem é falta de senso e de isenção. Ver nela o que não disse e fazer uma leitura partidária denota mais o que cada um gostaria de ter ouvido do que o ouviu. Pior do que a excessiva loquacidade do PR é o seu aproveitamento partidário e a distorção do que hoje disse.

Ouvi com atenção, em direto, a mensagem presidencial e estupefaz-me a exegese que os avençados do costume fizeram. Alguns influentes jornalistas, ansiosos por se tornarem os panegiristas do próximo líder do PSD, seja ele qual for, aproveitaram a oportunidade para diluírem os méritos do Governo nas catástrofes que ocorreram e julgaram ouvir do PR o que ele não disse. Atribuem-lhe, aliás, intenções que a Constituição e a dignidade da função impedem. Parecem desconhecer que o Governo só responde perante a AR.

Na luta desigual que os partidos de esquerda travam, de pouco lhes vale mais de 60% do eleitorado que neles se revê. A minoria de direita paga melhor e detém os meios.

Quem apoia esta fórmula de governo, achada pelos partidos da esquerda, deve combater a direita, obrigação tão indeclinável como a de defender o pluralismo que Portugal não lhe deve, nem à atual nem à defunta, afastada provisoriamente do poder no 25 de Abril.

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