Rui Rio e Pedro Santana Lopes

Enquanto alguns militantes do PSD se sentem perplexos por não terem melhores e mais credíveis candidatos, também eu, que não me revejo na direita portuguesa, encaro com a maior preocupação a luta pela liderança do principal partido da direita portuguesa.

A pendular alternância partidária levará ao poder o líder do PSD ou de um partido que o substitua, só não sabemos quem nem quando. É por isso que a eleição do líder interessa aos militantes e simpatizantes partidários, e a todos os portugueses.

Mais do que a forma dos debates interessa a substância de cada um, no caso em apreço, com recíproca falta de densidade. Um tem cadastro a mais, outro, experiência a menos, e o que interessa é o que pensam e do que são capazes de fazer no Governo.

Santana Lopes já deu provas do que podemos temer e o apoio de Durão Barroso é uma preocupação acrescida. Rui Rio é apoiado por personalidades mais respeitáveis ética e politicamente, mas, para além de não ter experiência relevante, para além da autárquica, revelou no debate uma impreparação inesperada e uma reação inaceitável à acusação de ter participado num colóquio promovido pela Associação 25 de Abril, comprovada por uma fotografia ao lado de um dos mais notáveis capitães de Abril, justamente presidente da A25A, Vasco Lourenço.

Rui Rio desculpou-se, como se tivesse participado em reuniões políticas na vivenda de Ricardo Salgado ou estivesse acompanhado de alguma das conhecidas figuras do BPN ou de quem lucrou com tais amizades. O que constituiu uma imensa honra, permitiu que fosse considerado opróbrio; em vez de aclamar a mais gloriosa Revolução da História e assumir o privilégio do convite de um dos seus mais destacados protagonistas, deu uma desculpa; preferiu a vergonha à dignidade. Já do ex-genro do general fascista Kaulza de Arriaga não surpreende a animosidade reprimida ao 25 de Abril.

Que raio de degenerescência ética e política atingiu o PSD, um partido que participou ativa e construtivamente na arquitetura do nosso modelo democrático!

Comentários

Manuel Galvão disse…
A direita portuguesa, como outras direitas de países da UE, têm estâncias mais eficazes para defenderem seus interesses que partidos políticos.
E Democracia está longe (para pior) de ser o que foi...

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