O cónego Melo e a Pátria

Como é possível que haja quem conspurque a estátua do cónego Eduardo Melo Peixoto, proeminente dignitário da Sé de Braga, amante do futebol e do Movimento Democrático de Libertação Nacional?

Como é possível esquecer relevantes serviços prestados à Divina Providência a quem, nas suas orações, encomendou almas extraviadas, como as do padre Max e da estudante Maria de Lurdes Pereira, e explodia de raiva contra os inimigos da Pátria?

Não bastou a ofensa da AR, quando Deus foi servido de chamar à sua divina presença o bondoso cónego, que o deputado Nuno Melo recordou como alguém que dedicou toda a vida “à Igreja, aos outros, à sua cidade e ao país”, no voto de pesar pelo seu passamento, abandonando na dor e nos votos os deputados do PSD e do CDS?

Em Braga, onde era fiel guardião da memória do movimento do 28 de maio, o bondoso cónego foi Deão do Cabido da Sé, Vigário-geral da Arquidiocese e empenhado ativista anticomunista. Admirador confesso do Estado Novo e de Salazar, foi amigo do peito de Ramiro Moreira a quem, decerto por bondade, absolveu dos assassinatos para libertar o País de comunistas e socialista maus, sendo Mesquita Machado, socialista bom e amigo.

O Vaticano negou-lhe o anelão e o báculo, mas os seus amigos do peito e da hóstia não se esqueceram de imortalizar em bronze o homem de ação, com provas dadas no Verão “quente” de 1975, sabendo-o ao serviço de Deus e da sua Igreja, da fé e da sua difusão, do clero e dos seus interesses. Ergueram-lhe a mais alta estátua e recordam-no nas suas orações, tal como Nuno Melo, o autor do voto de pesar na AR.

Há quem se regozije com a lama que no último 28 de dezembro sujou a estátua, como se ela não fosse já uma metáfora da salubridade de quem lha erigiu.

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