MADRID – por quem os sinos voltam a dobrar?…


Ontem os jornais anunciavam um acordo entre Partido Popular (PP), Ciudadanos (Cidadãos) e Vox para governar Madrid como sendo uma simples opção da Direita espanhola link.
 Na verdade, o que se anuncia é muito mais do que isso. Concluiu-se um entendimento entre a Direita e a Extrema-Direita assumida para ornamentar o já definido exemplo da Andaluzia e, deste modo, obstaculizar a democratização da sociedade espanhola.
Ao fim e ao cabo o que se verificou foi o entendimento entre as diferentes facções falangistas, ‘movimento’ que a morte física do ditador e a transição democrática não fez colapsar.  
 Há muito que se sabia – desde a liderança de Fraga Iribarne - ser o PP um sobrevivente do franquismo com uma artificial cosmética de disfarce pseudo-democrático. E por falar em Iribarne é cada vez mais evidente que poderá estar em período de refundação a malograda ‘Alianza Popular’ herança política do dirigente franquista e ideologicamente agregadora dos ideais falangistas.
 As recentes movimentações da Direita de braço dado com a Extrema-Direita vem clarificar a situação política interna espanhola, muito complexa e diversificada, onde os povos se misturam, as autonomias conflituam e matizes democráticos os separam. No meio desta confusão ficou a nu um movimento que nasce na Catalunha (vamos lá saber porquê) e adquiriu uma enigmática expressão nacional à boleia de uma mirífica posição centrista e quiçá liberal.
Trata-se dos Ciudadanos que o curto trânsito partidário mostra não passarem de uma nova vaga do franquismo, isto é, de um neo-franquismo caduco, retrógrado e promotor de conflitos sociais.
 In extremis, o acordo obtido à volta do governo de Madrid revelou que as hostes franquistas estão à beira de perder a capital do reino - a sede da 'velha Castela' - com todo o significado que isso encerra.
 Muito dificilmente os cidadãos espanhóis se deixaram enganar por uma nova vez com a polifonia de uma Direita a 3 vozes (PP, CD’s e Vox). As coisas já tinham aflorado na Andaluzia, prosseguido em Múrcia, mas agora com o ‘acordo de Madrid’ ficaram bem claras.
 A Direita não vai conseguir continuar a travestir-se e resta a convicção de que a grande maioria dos espanhóis – com todas as ambiguidades que o termo encerra – tem genuínas ambições democráticas e dificilmente suportará contemporizar com estas armadilhas.
Ao fim de 80 anos (decorridos do termino da guerra civil) ouve-se nitidamente ‘Por Quem os Sinos Dobram’ e, o mais importante, contra quem ecoam as pungentes badaladas que provêm do futuro.
Muito se tem escrito e falado em Espanha sobre um fracturante ‘cordão sanitário’ e de quem o alimenta.
O que por fim ficamos a saber é que ele (o 'sanitarismo obscurantista'), de facto, não existe em relação à Direita e Extrema-Direita que, pelo contrário, o fomentam.
O ‘acordo de Madrid’ tem, ao menos, essa esclarecedora virtude de ficarmos a saber quem divide e quer andar para trás.

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