Anda o mundo doido! E em guerra!

Anda o mundo doido! E em guerra!

Esqueçamos Donald Trump, reconhecidamente doido. Netanyahu não é maluco, é um criminoso condenado pelo TPI a quem a guerra adia o julgamento em Israel.

Isto não absolve a demência das teocracias nem a ameaça do Irão à existência de Israel. Num mundo confiável, o Irão não seria regido pela sharia e Israel não reivindicaria os territórios alegadamente legados por Abraão, de acordo com a vontade de Deus, cujo registo consta de um manual de maus costumes da Idade do Bronze, como Saramago o definiu, ditado por patriarcas tribais.

E o pior é o contágio de líderes europeus cuja demência aumentou no segundo mandato de Trump. Os dirigentes da UE, que sintonizavam com a ONU, desatinaram e rejeitaram o direito internacional. Ursula von der Layen e Kaja Kallas condenam a invasão russa da Ucrânia e apoiam a de Israel e EUA no Irão. E, a acompanhá-las, Roberta Metsola, Presidente do Parlamento Europeu, e o Chanceler alemão, Friedrich Merz, revelam um indefetível seguidismo em relação às ações de Trump e Netanyahu!

Na invasão da Ucrânia a ONU e os principais dirigentes europeus condenaram a Rússia, mas enquanto a ONU desejou a paz, Kallas e Von der Leyen persistiram na continuação da guerra, em linha com os dirigentes dos principais países da UE, até ao colapso russo, em sintonia com Zelensky que, até agora, parece ditar ordens à UE.

Em vez de procurarem a paz, disparavam insultos contra Putin. Von der Leyen chamou-lhe predador; Macron, ogre; Zelensky, terrorista; e Friedrich Merz, “provavelmente o pior criminoso de guerra do nosso tempo (…)”. Que falta faz a última grande estadista europeia, Angela Merkel, perante as guerras na Ucrânia e no Irão!

Quanto à paz, depois de quatro anos e mais de um milhão de mortos, aguardamos ainda a capitulação da Rússia e os que manifestaram solidariedade à Ucrânia apoiaram agora o invasor Israel e o seu proxy EUA. Até Zelensky se solidarizou com Israel enquanto ameaçava mobilizar o exército contra Orbán se este, PM da Hungria, não lhe aprovasse o empréstimo (?) de 90 mil milhões de €€ da UE.

O mundo ensandeceu e os dirigentes deixaram de ser confiáveis. Preferem a ausência de regras, o fim do direito internacional e a desordem mundial ao magistério da ONU, ao multilateralismo e à defesa da paz.

António Costa, merecidamente censurado por acompanhar o desvario de Von der Leyen e Kaja Kallas, parece ter recuperado o senso e rompeu o consenso com Von der Leyen e Kallas. E teve êxito! Von der Leyen, que na véspera, afirmara que “a Europa já não pode ser uma guardiã da velha ordem mundial”, retratou-se no dia seguinte às declarações de António Costa e asseverou o apoio “inabalável” ao direito internacional. Valeu a pena!

A defesa da ordem internacional é o mínimo que se exige a quem devia procurar a paz e o progresso da UE que a fragilidade do direito internacional comprometeu.


Comentários

JA disse…
Com o devido respeito, se eu bem ouvi, António Costa o que reiterou foi o seu apoio à "ordem internacional baseada em regras", formulação que nada tem a ver com o direito internacional, mas sim com a posição americana para impor a sua visão do mundo, de criar as regras conforme com os seus interesses em cada momento. Assim, António Costa continua como a lesma, na mesma. Por isso, que eu saiba, é que se atreveu, ligeiro, a condenar o Irão por atacar os países do Golfo, mas nada disse sobre a agressão primeira israelo-americana.
Não é esse o meu entendimento nem o que a comunicação social referiu.
António Costa, ao contrário de Von der Leyen, Kaja Kallas e do chanceler alemão, condenou a invasão do Irão.
JA disse…
Em 28.02.026, segundo a TSF, o insuspeito António Martins da Cruz entendeu a declaração da União Europeia sobre o ataque ao Irão nos seguintes termos:
"A União Europeia, através do comunicado de António Costa (AC) e Von der Leyen, não condena o ataque, o quer dizer que, indiretamente, é favorável àquilo que se passou".
Por outro lado, segundo a SIC-N, na conferência anual de embaixadores da União Europeia, realizada há apenas 3 dias, em 10.03.20, "o líder do Conselho Europeu apontou responsabilidades ao Irão pelas causas da situação e referiu que os ataques de Teerão e dos seus 'proxies', como o grupo xiita libanês Hezbollah, a países vizinhos têm de acabar."
Ou seja, mesmo a frio, AC mantém-se coerente, por mais que doa a quem o apoiou, como foi o meu caso. "Só a verdade é revolucionária", como dizia o outro!

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