Do Diário da Diana – 14 anos – escola C+S da Musgueira (3145 caracteres)

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Ontem conversei com a minha mãe sobre política para saber o que levou ao desprezo do direito internacional e à quebra das regras, aumentando a imprevisibilidade e o receio entre países.

É inaceitável que a força se torne argumento e o poder discricionário hábito nas relações internacionais. Por isso perguntei como foi possível que os líderes europeus, que eram a referência ética e democrática do mundo, se calassem ou fossem timoratos a condenar a invasão da Venezuela, com o sequestro e rapto do PR, o afundamento de barcos e de tripulantes, por suspeita de transporte de droga, o cerco a Cuba…

E a minha mãe acrescentou as ameaças às fronteiras de países soberanos, a violação dos tratados internacionais, a invasão do Irão e muitas outra tropelias, condenando o silêncio e covardia que permitem aos mais desvairados líderes mundiais desestabilizar o mundo.

O rapto e assassínio de líderes tornou-se normal e, pior, há quem defenda a conduta e a tente enquadrar no direito! E acrescentou que a demência e crueldade deixaram de ser apanágio das teocracias e que os heróis do “mundo livre”, seja isso o que for, têm pés de barro. Só não caem mais depressa porque não lhes falta a propaganda que os incensa e diaboliza quem os desmascara.

Ocorreu-me então perguntar-lhe como encarou a ameaça de Zelensky a Orbán, caso a Hungria bloqueie o empréstimo de 90 mil milhões de euros. É leviano ameaçar o PM de um país da Nato e da UE, e não é espectável que estas organizações apoiem a Ucrânia contra um país que as integra. O facto de Orbán ser fascista, aliás, amigo de Trump, não altera a situação.

Segundo a minha mãe, Zelensky ensandeceu, talvez por mimetismo de Trump. A ironia não faltou. Não tem o direito de ser insolente para com os países que lhe pagam armas e o funcionamento do Estado e fecham olhos à corrupção, que atinge o seu núcleo duro, e aos atropelos democráticos. Zelensky, à força de o colocarem no centro das atenções e decisões da UE tornou-se arrogante, ingrato e cada vez mais exigente.

Insulta os países de que depende, ofende os seus dirigentes e exige-lhes pontualidade e incremento nas pingues ajudas, sem as quais não sobrevive, e ameaça ainda quem não queira ou não possa pagar a guerra que os EUA abandonaram.

Depois de ultrapassar tudo o que é tolerável, ameaçou o PM húngaro, membro de pleno direito da UE e Nato. Dizer que, se a Hungria boicotar o empréstimo, dará o endereço de Orbán às Forças Armadas, mais do que ameaça de assassinato, é demência.

Zelensky, à semelhança de Trump, dá sinais claros de demência e os devotos do herói não podem fingir que não veem, nem a UE e a Nato deixarem de defender o PM malquisto da Hungria. A chantagem e ameaça de assassinato a Viktor Orbán é um ato de desespero de um líder inimputável. Zelensky esgotou o prazo de validade.

E Trump, ao invadir o Irão, não sabe no que se meteu, acrescentei eu antes de lhe dar um beijo e ir para a cama, a pensar na série de loucos que me destroem o futuro e no que o meu pai vai dizer do seu adorado Trump com o aumento do gasóleo.

Musgueira, 5 de março de 2026 – Diana


Comentários

JA disse…
Os lideres da UE merecem bem a companhia de Zelensky! Este modo desbocado, mas sincero, acabou por desmascarar o que essa gente tem andado a fomentar, tudo contra os cidadãos europeus. Bem feito!
Curiosamente, António Costa já se solidarizou publicamente com Pedro Sanchéz, atitude que pensei improvável.

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