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Os desastres não são para todos

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Durão Barroso está ao leme, não para salvar os passageiros, mas para recolher os despojos ao serviço do Goldman Sachs.

A frase

«O 'banco do mundo' para onde agora vai Durão Barroso, ou 'a firma' como também é desdenhosamente apelidado, tem, entre outras medalhas na lapela, a responsabilidade de ter ajudado a maquilhar, durante anos, as contas públicas da Grécia.» (Fernando Ivo Carvalho, Jornal de Notícias)

Violência: as lições de Dallas…

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A sociedade americana alberga no seu seio vários focos de tensão. Dois deles tornaram-se bem visíveis nos últimos dias: A questão racial e o problema da compra e posse de armas. Os incidentes de Dallas link são o derradeiro episódio de uma série de 'terror cívico', bastante longa e incompreensível, que obrigam a uma reflexão. A questão racial nos EUA manteve-se em ‘banho-maria’ desde os grandes movimentos de massas pelos direitos cívicos, ocorridos nos anos 60, onde pontificaram figuras como Malcom X e Martin Luther King. A Lei dos Direitos Civis , promulgada em 1964 na presidência de Lyndon B. Johnson, um ‘acidental’ sucessor do Presidente John Kennedy que já havia mostrado ter sensibilidade política para estes problemas enfrentando uma cerrada oposição do Congresso, é, acima de tudo, uma natural consequência de uma longa luta de resistência às iniquidades, de carácter predominantemente pacifista.  O acto legislativo deu suporte legal ao fim de anacrónicas e ab...

A direita portuguesa regressou aos tiques salazaristas

O indisfarçável desejo de sanções a Portugal, pelo seu próprio insucesso, esteve patente nos discursos do PSD e do CDS no debate do “Estado da Nação”. Nem a consciência do incumprimento do plano orçamental, entre 2013 e 2015, os inibiu de atribuir o fracasso da gestão de Passos Coelho e Paulo Portas ao desempenho de António Costa, em 2016. Há no discurso de ódio e ressentimento desta direita o irreprimível desejo de banir o BE e o PCP, incapazes de aceitar a legitimidade de um governo em que participem ou que, simplesmente, viabilizem. A chantagem permanente do Partido Popular Europeu (PPE), de que o PSD e o CDS se tornaram a caixa de ressonância autóctone, é considerada imprescindível para o regresso ao poder de que se julgam detentores definitivos. Daí a espada de Dâmocles das sanções, gerida ao sabor dos seus interesses, apesar de o ónus ser difícil de endossar ao PS.   Querer estar com a Comissão Europeia, como se as sanções visassem o período da sua própria governação, f...

Roma não pagava a traidores, mas o capital financeiro paga

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(como os maoístas se venderam ao capital) Quando se tornou público o “Relatório Chilcot”, que provou, sem margem de dúvidas, o crime da invasão do Iraque, em vez de se apresentarem os autores a julgamento no TPI, Durão Barroso, ex-maoísta capaz de todas as abjeções, foi nomeado chairman do grupo Goldman Sachs. Quando os colégios privados perseveraram na parasitação do Estado, logo o ex-maoísta Nuno Crato se prestou a ser testemunha de defesa dos interesses privados, contra os do Estado, contra o próprio ministério que foi seu. Não é que a palavra de Nuno Crato seja respeitável, é a abjeção de quem se presta a ser aliado dos interesses privados contra o Estado, onde fez a viagem da extrema-esquerda para a extrema-direita. O ex-maoísta não foi um erro de casting do governo que serviu, esteve, como todo o governo, aliás, ao serviço dos interesses privados que esta direita representa. Foi um erro crasso para o ensino público, mas não deixa de ser um exemplo de quem troca a honra pe...

Os défice orçamentais e as chicanas da Comissão Europeia

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Ontem, quando em Lisboa se discutia no Parlamento o ‘Estado da Nação’ e em Madrid se esbarrava com crescentes dificuldades na formação de um novo Governo, a Comissão Europeia resolveu continuar a alimentar uma escandalosa chicana política contra os dois Países ibéricos. A argumentação do colégio de comissários europeus é, quando reduzida a uma formulação simplificada e compreensível pelos cidadãos, verdadeiramente espantosa e capciosa. Ou passa pela aplicação cega do princípio imperial de jurisprudência  ‘ dura lex, sed lex ’ como se estivesse empenhada e mandatada para restauração de um novo ‘sacro império’ (em que o ‘sagrado’ tende a substituir os deuses pelos ‘mercados’) ou, tecendo considerações sobre um processo de intervenção que liderou no terreno quer, preventivamente, salvaguardar as aparências. Neste último caso, o castigo dirige-se, em primeiro lugar, aos até há pouco tempo tão elogiados ‘bons alunos’ que, tendo anuído servilmente na transposição e confecção...

Confissão de um criminoso arrependido e impune

«Sinto mais pena, arrependimento e culpa do que poderão alguma vez saber ou acreditar» (Tony Blair, antigo PM britânico, sobre a invasão do Iraque) Comentário: Curiosamente, foi investigado, não por causa da morte e sofrimento de milhões de invadidos, mas pela morte de dezenas de invasores britânicos.

As religiões da guerra e a guerra das religiões

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As religiões ou desistem do proselitismo que as corrói ou correm para a guerra que nos destrói, combatendo entre si, na demente perversão de quererem ajoelhar o mundo ao único Deus verdadeiro, o de cada uma delas. A guerra das religiões do livro foi acirrada por um bando de quatro biltres insensatos. O que Saddam Hussein designou por ‘mãe de todas as batalhas’, tornou-se a mãe de todos os embustes, baseados na mentira das armas químicas, como pretexto, e no domínio do petróleo, como desígnio, num contrato firmado na Cimeira das Lajes. Nunca, na atualidade, tão anacrónicos cruzados foram tão obstinados a invadir um país soberano. Bush era um tosco, com colossal poder militar; Blair, um crápula ambicioso com nostalgia do Império; Aznar, um franquista acéfalo ligado ao Opus Dei; e Barroso, o servo capaz de todas as baixezas ao serviço dos poderosos. A história deste medíocre PM de Portugal é a mais sólida demonstração do princípio de Peter, ao atingir o grau máximo da incompetênci...

Relatório Chilcot agita águas sobre a guerra do Iraque…

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O Relatório Chilcot sobre a participação britânica na Guerra do Iraque em 2003 é devastador link . Bush, Blair e Aznar são confrontados com o realismo e o rigor de uma investigação realizada uma meia dúzia de anos após um fictício terminus da operação militar no Iraque que ainda hoje continua a ter dramáticas consequências. Ficaram todos mal na fotografia e a partir dos factos apurados iniciou-se um processo de desmascaramento de uma fatídica guerra que devastou o Médio Oriente e perturbou profundamente  o Mundo.  Alguns (Balir e Aznar) continuam ainda a sobreviver como figuras políticas e a dar (vender) conferências. G. W. Bush caiu em desgraça, refugiou-se no Texas ‘profundo’, arrastando na ignomínia o sonho libertador que gerações de americanos andaram a vender ao Mundo. José María Aznar para além de andar a tentar comprar a ‘medalha do Congresso’ norte-americano, serviu o grupo empresarial de Murdoch que lhe assegurou projecção mediática e acabari...

A frase

"Mais ainda: o que Schäuble, Dijsselbloem e a ala dura da Comissão, liderada por Victor Dombrovski, querem sancionar não é o défice de 2015 mas a política económica de 2016 seguida pelo atual Governo português, com o qual não concordam e cuja alternativa orçamental não subscrevem." (Nicolau Santos, in Expresso Diário, de 04/07/2016)

A rábula das sanções e a UE…

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Portugal enfrenta inúmeros problemas para sair de uma crise que se arrasta há demasiados anos e que continua – apesar das mudanças – a ameaçar a coesão social. Todavia, a Comissão Europeia resolveu pôr o País, nomeadamente o seu Governo, entretido com possíveis sanções. Há semanas que esse assunto agita a opinião pública e 'ocupa' o aparelho  diplomático e administrativo nacional. Chegamos, por fim, numa situação deveras caricata e desprestigiante (cá dentro e lá fora).  Se vierem a ser impostas sanções será o fim da macacada, se optarem por ‘sanções simbólicas’ é humilhação que joga nos 2 sentidos (contra a Direita que esteve no poder até ao final de 2015 e contra a própria Comissão que não ata nem desata).  Finalmente, se a decisão for não atribuir sanções (o que está dentro da ‘normalidade’ de grande número de países que integram a UE) e parece ser a posição saída hoje da reunião de Estrasburgo link é difícil explicar a razão por que se perdeu tanto tempo...

O luxo do carro e o lixo da notícia

Cavaco Silva , cuja gestão do palácio de Belém deve ter confiado à omnipresente prótese conjugal, comprou a viatura de alta gama. O sucessor, com outro sentido ético, não quis usá-la e, para se livrar dela, propô-la a Jorge Sampaio que, como ex-PR, goza do direito a viatura de Estado e podia trocar a atual. Por pudor republicano, não a aceitou. Marcelo decidiu então entregá-la à presidência do Governo onde a receção a altos dirigentes estrangeiros justifica a sua utilização. Notícia da comunicação social e das redes sociais: «luxuoso carro comprado por Cavaco para o seu sucessor, foi recusado por Marcelo e aceite por António Costa». Quando o novo ciclo político levou a Belém um português que, em termos pessoais, não teve permutas de terrenos sem tornas, transações de ações não cotadas em Bolsa e, tudo leva a crer, jamais usaria manobras dilatórias para empossar um Governo saído da AR, quando à liderança do Governo chegou um cidadão incapaz de fugir com contribuições à Segurança Soc...

Filipinas – Um país de mais de 7 mil ilhas de insânia e catolicismo primitivo

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O insólito acentua-se e a democracia não o impede. Rodrigo Duterte, o novo presidente das Filipinas, tomou posse e, numa das primeiras declarações, incita o povo a matar os toxicodependentes. A sanidade mental deixou de ser obrigatória para o cargo. O déspota conquistou, aos 71 anos, a presidência do país de 100 milhões de habitantes, com a promessa de ser ‘ditador’ e ‘chacinar os maus’, se necessário com execuções sumárias e esquadrões da morte. Deve à frequência de colégios católicos a esmerada formação cultural, mas a violação, por um padre pedófilo americano, talvez tenha contribuído para o carácter violento que é seu apanágio desde a juventude. Rodrigo Duterte era acusado de ter conduzido, durante mais de 20 anos, uma campanha de execuções extrajudiciais, como presidente da cidade Davao e prometeu, de facto, aplicar em Manila a sanguinária gestão autárquica. «As funerárias vão ficar repletas. Eu levo os cadáveres» – garantiu na campanha o implacável assassino. As razões ...

Os pirómanos da União Europeia

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A Comissão Europeia (CE) não desiste de mostrar animosidade ao Governo Português, quando a Europa se reduz a governos de direita e de extrema-direita. Dar «três semanas ao governo, para apresentar medidas adicionais de controlo do défice e assim evitar o castigo relativo a 2015», mostra que o castigo a Portugal, pela gestão do anterior governo, depende das cedências do atual. Chantagem e impudor. É esta esquizofrenia reacionária que leva os povos, contra os seus interesses, a votarem contra uma união indispensável à paz e bem-estar, para se refugiarem em nacionalismos de má memória. É a arrogância e falta de solidariedade que conduz a UE à balcanização e a lutas tribais que julgávamos erradicadas. As declarações recentes do intragável ministro das Finanças alemão contra Portugal não auguram um clima de diálogo. É o regresso à diplomacia do chicote, agora a lançar um país às garras dos mercados e das agências de rating. Em vez de, no seu interesse, a UE defender os países membro...

Um novo (alargado) 'eixo europeu': Berlim, Paris e Roma?

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O facto de existir uma profunda percepção de que a Europa está numa encruzilhada histórica não parece ser um assunto controverso. O aprofundamento da crise europeia é notório e avaliação desse estado surge sob a forma de um trágico consenso. As divergências ocorrem quando se escalpeliza as razões que conduziram a esta situação. Neste contexto, o ‘Brexit’ é o último e relevante acontecimento que se encaixa numa sucessão de desaires. Ao menos que tenha a virtude de despoletar uma frontal discussão entre os dirigentes e cidadãos europeus que desde há muito tem primado pela inexistência. O destino da Europa não pode – mais uma vez – ficar circunscrito ao Conselho Europeu onde a relação de forças está inquinada por iniquidades do desenvolvimento e os consensos são ‘martelados’ sob ameaças do sistema financeiro (vulgo ‘mercados’). A discussão terá obrigatoriamente de deslocar-se para os terrenos políticos. E dificilmente conseguirá evitar partir do pressuposto de que, ao long...

Pontos de vista

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Maria Luís e a falta de vergonha desta direita

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Maria Luís Albuquerque chegou ao governo depois de ter ajudado a diplomar um antigo presidente das madraças juvenis que, na altura certa, estava na liderança do PSD. Foi a secretária de Estado que, apesar de envolvida nos swaps, instrumento cuja evolução dos mercados financeiros tornou ruinoso e a luta partidária demonizou, conseguiu resistir na equipa das Finanças, do ministro Vítor Gaspar. Quando, dois anos depois, o académico neoliberal cuja governação acelerou a ruina do País e confessou o fracasso, no que foi apoiado pela sua ‘ajudante de ministro’, como o Prof. Cavaco designava os secretários de Estado, à falta de alguém com currículo para o cargo, foi a prata [oxidada] da casa que foi promovida a veneno para o País. Maria Luís vem agora dizer, depois de o sr. Schäuble ter maquiavelicamente colocado o nosso país sob especulação, fugindo à pressão da pergunta sobre a situação do Deutsche Bank, que ‘se a pasta estivesse com ela não haveria sanções’. Não disse se, para isso,...

A frase

«O bom senso imporia que não se aplicasse sanção nenhuma ao governo de Passos Coelho, que não merece, e não aplicar sanção nenhuma ao governo de António Costa, que, na pior das hipóteses, ainda a não merece, e na melhor das hipóteses nunca merecerá.» (Marcelo Rebelo de Sousa, PR)

A frase

«O setor privado não pode ser um agente ativo da destruição do SNS.» (Adalbero Campos Fernandes, ministro da Saúde, hoje, em entrevista ao DN)

O exemplo Corbyn…

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A frase pronunciada no Parlamento por David Cameron dirigindo-se ao chefe da Oposição trabalhista diz tudo sobre a nebulosa política que envolve Londres depois do referendo sobre a UE. Textualmente, o primeiro-ministro britânico, ainda em exercício, disse: “ For heaven’s shake man, go ” link (Pelo amor de Deus, vá-se embora, homem) link . Pondo de lado a invocação divina, que a Direita gosta sempre de introduzir nas suas proposições, a tirada de Cameron é surpreendente no quadro das relações partidárias. Quer goste ou não do estilo de Jeremy Corbyn o ‘homem’ é o líder do Labour e a sua permanência ou destituição está dependente da vontade dos militantes trabalhistas e não de jogos parlamentares (que aliás já começaram a ter expressão). Cameron é um dos derrotados do referendo sobre o Brexit (não é obviamente o único) mas este acto plebiscitário não caiu do céu. A via referendária foi utilizada por David Cameron como um instrumento para consolidar a sua situação de primeiro...