A direita portuguesa regressou aos tiques salazaristas

O indisfarçável desejo de sanções a Portugal, pelo seu próprio insucesso, esteve patente nos discursos do PSD e do CDS no debate do “Estado da Nação”. Nem a consciência do incumprimento do plano orçamental, entre 2013 e 2015, os inibiu de atribuir o fracasso da gestão de Passos Coelho e Paulo Portas ao desempenho de António Costa, em 2016.

Há no discurso de ódio e ressentimento desta direita o irreprimível desejo de banir o BE e o PCP, incapazes de aceitar a legitimidade de um governo em que participem ou que, simplesmente, viabilizem.

A chantagem permanente do Partido Popular Europeu (PPE), de que o PSD e o CDS se tornaram a caixa de ressonância autóctone, é considerada imprescindível para o regresso ao poder de que se julgam detentores definitivos. Daí a espada de Dâmocles das sanções, gerida ao sabor dos seus interesses, apesar de o ónus ser difícil de endossar ao PS.
 
Querer estar com a Comissão Europeia, como se as sanções visassem o período da sua própria governação, foi a lamentável e pusilânime atitude do PSD.

Nas acusações de antieuropeísmo, elevado à categoria de crime por quem foi expulso do PPE, também por isso (CDS), e que, tal como o PSD, não tem uma palavra de censura para comos os partidos homólogos que querem sair da UE e são hoje de extrema-direita, há a desfaçatez de quem esquece que o Brexit se deve ao partido conservador inglês.

Esta direita, que alienou o humanismo e esqueceu a matriz fundadora dos seus próprios partidos, é, por mérito dos dirigentes que a confiscaram, organicamente salazarista. Não pede desculpa de ter sido cúmplice da invasão do Iraque, não se penitencia das decisões que tomou, dos erros que cometeu e da ruína ética e política dos seus atuais dirigentes.

Comentários

e-pá! disse…
É, em suma, uma 'Direita vendida', como se verifica nos exemplares casos da Arrow Global, na Mota-Engil e mais recentemente na Goldman Sachs,...
No entanto, rasga as suas vestes de ira e raiva quando é acusada de adoptar um comportamento antipatriótico.
Pretende cativar no seu cofre de reminiscências ideológicas um património que, no presente, lhe é absolutamente estranho, isto é, a 'Pátria'. Há muito que sabemos que o dinheiro será uma das coisas que não tem cor , nem cheiro, nem pátria.
Não é inteligível perceber em nome de razões rejeita esta objectiva 'classificação', já que, na prática, assume o oposto: a Direita impõe-se e sobrevive como uma mera 'associação de interesses' cá dentro e lá fora, indiferente a questões de patriotismo, mas obediente, atenta e obrigada aos 'mercados' (supostamente globais).
É, por isso natural, que pugne (na AR e nas instâncias europeias) por uma solução que satisfaça este oculto desígnio íntimo, isto é, pelo 'centrão' (tornando esta solução uma expressão conjugada e abrangente desses mesmos 'interesses').
É exactamente isso que tem feito desde Dezembro de 2015 quando começou a ser apeada do poder e receia não poder defender os excelsos interesses que a envolvem...

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