Aeroporto de Lisboa: a segurança a ‘voar’…

Poucas horas antes da ainda não esclarecida ‘invasão’ da pista do aeroporto de Lisboa por 4 passageiros link tive oportunidade de chegar a estas instalações procedente de um voo doméstico (Lajes-Lisboa). 
Não é preciso ser um expert em aeroportos para ter a noção de que algo vai mal nestas paragens. A confusão é tremenda. 
Os trajectos internos são um autêntico labirinto. Existem coisas que são verdadeiramente incompreensíveis e outras que são intoleráveis.

Quando chegamos ao aeroporto de Lisboa para embarcar, depois de efectuado o check in e despachadas as bagagens, o sinuoso trajecto interno é verdadeiramente impressionante e esclarecedor. Serpenteia ao longo das instalações do edifício aeroportuário segundo um critério especioso. 
O percurso foi deliberadamente escolhido segundo os interesses comerciais (as ditas lojas de ‘duty free’). Os passageiros são obrigados a deambular – em algumas circunstâncias a ‘atravessar’ - por estas lojinhas, boutiques e quiosques. 

À chegada a situação é semelhante. O desembarque da aeronave e depois o percurso de autocarro para as instalações de terra leva que sejam endossados a uma ‘porta’ longe da recolha de bagagens ou da saída para o exterior para serem ‘obrigados’ a percorrerem, em sentido inverso, o mesmo sinuoso percurso. Os interesses de marketing do comércio e saga das vendas impuseram-se à funcionalidade das instalações e à comodidade dos passageiros.

Outra constatação é a ausência de pessoal de apoio e de postos de informação espalhados pelas instalações, acrescidas de uma sinalética confusa. Provavelmente por estritos critérios de gestão (redução) dos recursos humanos existem avulsas e pouco esclarecedoras informações de acessos interditos, ou condicionados, sem qualquer tipo de vigilância presencial (pelo menos visível). 
Não é raro observarem-se situações de desorientação e confusão especialmente protagonizadas por cidadãos idosos. 
Por outro lado, será legítimo questionar se estes tipo de procedimentos (redutores) estão em consonância com as apertadas medidas de segurança que cercam os aeroportos na actual conjectura internacional.

Em primeiro lugar, parece existir uma situação que poderá ser imputada à apressada privatização da ANA. Esta empresa pública que não se revelava financeiramente deficitária (registava indicadores económicos positivos) foi objecto de uma ‘forçada’ privatização, em parceria com a TAP, e a consequência imediata foi o ‘desinvestimento’ na modernização da funcionalidade dessas infra-estruturas aeroportuárias.

Por outro lado, as cascatas de aumentos das taxas aeroportuárias (7 vezes em 3 anos link) mostram perfeitamente a ‘lógica’ e as virtudes desta privatização bem como o reflexo que esta medida, imposta pela Troika e diligentemente adoptada pelo Governo PSD/CDS, teve para os utilizadores de transportes aéreos.

Os 4 passageiros oriundos da Argélia que ‘invadiram’ as pistas do aeroporto de Lisboa – e cujas motivações ainda não estão apuradas - não fizeram outra coisa do que ‘aproveitar’ a oportunidade de passar pelos buracos que a actual exploração das estruturas aeroportuárias parece ter proporcionado. 

Se a exploração fosse pública teríamos a habitual ‘berraria’ sobre a incompetência e disfuncionalidade desse tipo de administrações. Como é privada estas inconformidades serão naturalmente endossadas ao acaso ou a circunstâncias fortuitas.

Todavia, o mínimo exigível perante o sucedido é que se proceda a um rigoroso inquérito sobre as condições de segurança e os níveis de operacionalidade do aeroporto Humberto Delgado (Lisboa).

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